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TABAGISMO - Fumantes já mudam os hábitos (24/6/2004)
Correio Braziliense

Cerca de 50% dos bares e restaurantes inspecionados pela Vigilância
Sanitária criam áreas para quem quiser fumar e se enquadram à nova lei.
Governo aumentará a fiscalização em órgãos públicos e escolas

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Larissa Meira
Da equipe do Correio
Carlos Vieira

No restaurante Piantella, os fregueses fumantes são alertados pela
sinalização: salão do bar foi transformado em área de fumo


Depois do constrangimento, a adequação. Notificados, autuados ou até
intimados a livrar os estabelecimentos da fumaça dos cigarros, os
comerciantes do Distrito Federal têm se adaptado à lei que proíbe o fumo em
áreas públicas. Há três meses, determinação do Ministério Público do DF
levou os inspetores da Vigilância Sanitária a percorrer bares, restaurantes
e boates da região. Em 11 blitze, realizadas por quase 200 fiscais, o órgão
inspecionou 98 estabelecimentos, autuou 11 e intimou 48. A coordenadora do
Programa de Controle do Tabagismo da Vigilância Sanitária, Mônica Mulser,
afirma que aproximadamente 50% já se adequaram às normas.

  No Piantella (202 Sul), sinalização nas duas portas do restaurante avisa
os consumidores sobre o local reservado a fumantes. Depois de receber
notificação, o proprietário do estabelecimento, Marco Aurélio Costa,
transformou o salão do bar em área de fumo. No início, foi mais
complicado, porque muitos clientes insistiam em acender o cigarro no salão
de comida, mas com o tempo foram se adaptando, conta. O bar ganhou
exaustor e cortina de ar (espécie de ventilação na porta ou janela, que
impede a passagem da fumaça).

  A mudança de hábito entre fregueses é verificada na rotina do economista
Roberto Teixeira, 60 anos. Não acho ruim ficar no bar para fumar. Há
alguns anos, diminuí a quantidade de cigarros, e por causa da fiscalização
da lei até passei a fumar menos, diz. O comportamento do economista,
porém, não é unanimidade. Concordo que a fiscalização é educativa, mas
fico bastante incomodada. Acho irritante ter que me dirigir a algum lugar
reservado, sair do restaurante ou até interromper uma conversa para fumar em
outro local. Eu procuro lugares onde ainda é possível acender um cigarro sem
problemas, afirma a advogada Geisa Félix, 34 anos, freqüentadora do Lakes
(403 Sul).

  O restaurante está entre os estabelecimentos autuados pela Vigilância
Sanitária. O fumo no local é permitido em salão reservado, que possui
sistema de ventilação específica. Temos uma área fechada, com circulação
de ar e sinalizada. Estamos enquadrados na lei, explica um dos
proprietários do estabelecimento, Antônio Caraballo. Estamos sendo
flexíveis, porque a questão é polêmica, mas não existe meio eficaz de
renovação do ar, aponta Mônica Mulser. Mesmo assim, o fumo em lugar
fechado só pode ocorrer se não for servida comida e não houver circulação de
funcionários, além da obrigação de sinalização e sistema de circulação do
ar, alerta.

  Antônio Caraballo recorreu da autuação. Enquanto isso, prepara área
específica do restaurante para destinar aos fumantes. Estamos modificando
a circulação de ar do bar, com exaustores e cortina de ar. Acredito que
ainda esta semana teremos dois salões reservados a não-fumantes e o bar com
permissão para o cigarro, adianta.

  De acordo com a coordenadora do Programa, a ação da vigilância é mais
educativa do que punitiva. Cada caso deve ser analisado separadamente. Não
adianta partirmos para a coerção sem deixar que comerciantes e fregueses de
adeqüem à lei. Trata-se de uma reeducação. Não podemos exigir que as pessoas
mudem de comportamento da noite para o dia. Segundo Mônica, a prioridade
do governo é controlar o tabagismo em órgãos públicos e instituições de
ensino.


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No início, foi mais complicado, porque muitos clientes insistiam em acender
o cigarro no salão de comida, mas com o tempo foram se adaptando


Marco Aurélio Costa, empresário, sobre a nova área para fumantes no
restaurante Piantella


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Perfil // MÔNICA MUSLER
Preparada para vencer o desafio do cigarro
Ricardo B. Labastier 7.4.04

Mônica (C) diz que não perde a classe: Tenho controle emocional



  O terno azul marinho confere elegância à loira de olhos azuis. A imagem da
brasiliense de 44 anos poderia demonstrar fragilidade, mas a bióloga Mônica
Mulser não fraqueja, mesmo no posto de xerife do combate ao fumo no Distrito
Federal. Com classe, ela é firme até quando é necessário notificar um
ministro de Estado. Antes de coordenar o Programa de Controle do Tabagismo
da Vigilância Sanitária, Mônica se formou em Biologia e Ecologia. Eu
queria mudar o mundo, confessa, entre risos. Aos 24 anos, ela já era mãe
de três filhos.

  Filha de ex-fumantes, a bióloga se especializou em saúde pública. Em 1985,
já trabalhava na Vigilância Sanitária do DF. Foi também assessora
internacional do Ministério da Saúde. Com o ex-ministro José Serra, criou a
divisão sobre temas multilaterais e intermediou a relação entre o governo
federal e organismos estrangeiros. Participei da rodada das discussões da
Convenção Internacional de Controle do Tabaco, em Genebra. Isso me deu um
respaldo grande para tratar do tema, destaca.

  Em 18 anos de Vigilância Sanitária, Mônica já foi reconhecida por
trabalhos na áreas de transplante de órgãos, hemodiálise e radiação.
Trabalhar com fiscalização sanitária é apaixonante, um grande desafio. É
um exercício de cidadania, pois nos coloca como defensores da saúde da
população em geral, define. O controle do cigarro lhe despertou interesse.
É a área mais importante para se atuar. As pessoas não têm noção do perigo
do fumo passivo. A fumaça desencadeia doenças gravíssimas, como em pessoas
cardíacas. Felizmente, o Brasil está na frente. Já oferece tratamento a quem
deseja parar com o vício e proíbe a propaganda.

  Para voltar à Vigilância Sanitária do DF, no ano passado, ela negociou a
implantação do projeto de controle do tabaco. Apoiado pelo Ministério
Público do DF, o órgão iniciou a polêmica da fiscalização do fumo em áreas
públicas. A notificação em bares não era prioridade da vigilância. Entre
clientes de bar e crianças em escolas, por exemplo, nossa ordem de atuação
era outra. Mas recebemos ordens e iniciamos a fiscalização, revela. A
pressão de sindicato de bares e fumantes rendeu enxurrada de liminares e até
ironia de autoridade do governo.

  No dia 25 de maio, em operação na Câmara dos Deputados, Mônica notificou o
ministro da Integração Nacional, Ciro Gomes, que fumava em uma sala de
comissão. Constrangido, Ciro recebeu o documento. É você que está querendo
falar comigo? Deixa ela ter o seu minuto de fama, disse. Sou capacitada
para lidar com qualquer tipo de situação. Minha estratégia é agir com classe
sempre. Deixo a pessoa esgotar os argumentos e depois explico o motivo da
notificação. Tenho controle emocional. Ele (Ciro) só reagiu daquele jeito
porque estava sob pressão, com um alto nível de estresse. Virginiana,
Mônica se define uma pessoa discreta. Não tenho o menor interesse na fama.
Mas se meu trabalho exige exposição, cumpro com meu dever, dispara. (L.M.)
 
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