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Antitabagista acusa produtores de terrorismo (20/9/2004)
ACTBR

Fonte: Estado de São Paulo
20.09.2004

Lígia Formenti

Brasil - A diretora do programa para a redução do tabagismo da Organização Mundial da Saúde (OMS), Vera Luiza da Costa e Silva, classificou como "puro terrorismo" os argumentos usados por produtores de fumo para impedir a ratificação da Convenção-Quadro para o Controle do Tabaco. Semana passada, após intensa movimentação de agricultores, o Senado adiou a votação sobre o
assunto. "A dúvida é por que não assinar medida que já foi acordada pelo País.
Se o texto não for aprovado este ano, a imagem dos parlamentares certamente sairá arranhada. Num ano eleitoral, ficará claro que eles são manipulados pela indústria do cigarro." A seguir, os principais trechos da entrevista ao Estado.

Estado - Senadores querem ampliar as dicussões para avaliar o impacto econômico das medidas previstas na Convenção-Quadro. Como a senhora avalia essa atitude?

Vera Luiza Costa e Silva - Não há, em nenhum ponto da Convenção-Quadro algo que ponha em risco a produção de fumo no País. As medidas para redução do consumo de cigarro só vão gerar impactos na produção dentro de 50 anos. Por enquanto, o consumo mundial está crescendo. A convenção-quadro teria potencial para afetar
os netos dos atuais produtores. Além disso, o documento quer dar opções para que os mesmos produtores, gradualmente, substituam a lavoura. é o contrário, não se trata de ameaça, é uma garantia.

Estado - Mas a que a senhora atribui essa movimentação dos agricultores?

Vera Luiza - Trata-se de puro terrorismo, orquestrado pela indústria do tabaco, que é a única afetada nessa história toda. Os produtores que vão ao Senado defendem os interesses da indústria, não dos pequenos agricultores.

Eles vendem a idéia de que fora do plantio do fumo não há salvação. Um grande engodo, na verdade.

Estado - Agricultores dizem que os principais produtores ainda não ratificaram o acordo...

Vera Luiza - Mentira. A índia, grande produtora, já ratificou. E não há nenhum sinal de que outros países não confirmem. Não faz sentido, principalmente porque a convenção-quadro não obriga ninguém a parar de plantar ou exportar.

Estado - Muitas das medidas propostas pela convenção-quadro já são executadas no Brasil. Quais seriam as conseqüências de não ratificar o acordo?

Vera Luiza - Sobretudo políticas. O Brasil teve participação fundamental na elaboração da convenção, o primeiro tratado internacional de saúde pública da história. Destacam-se as atuações do ministro Celso Amorim, do embaixador Luiz Felipe Seixas Correa e agora, com o ministro Humberto Costa. A convenção teve aceitação impressionante, 31 países já ratificaram a assinatura. Com mais 9,
vamos preparar a primeira Convenção das Partes. Além da questão estratégica, há o próprio acesso a financiamentos para mudança das lavouras. Países que não ratificarem a convenção não terão direito a programas de incentivo.

Estado - Entre as medidas propostas pela convenção está o aumento do preço dos cigarros. Há receio de isso aumentar o comércio ilegal.

Vera Luiza - O contrabando está intimamente ligado à corrupção, não ao preço do cigarro. Não há nada que relacione o preço ao comércio ilegal. O Brasil, por exemplo, tem o sexto menor preço do mundo. E a pirataria é um problema grave. Além disso, o comércio ilegal atinge outras áreas, bebida, CDs.

Estado - A senhora sente-se contrangida pelo fato de seu país não ter
ratificado a convenção-quadro?

Vera Luiza - O Brasil se destacou nos últimos anos na luta antitabagista, tenho muito do que me orgulhar. Mas lamento tudo isso. Uma sombra que se instalou depois da atuação marcante dos embaixadores, do ministro, no cenário internacional. Espero que o lucro e os interesses da indústria não falem mais rápido do que a saúde.

 
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