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Cigarro provoca ruga mais intensa que o sol (26/7/2004)
ACTBR

Fonte: Folha de S.Paulo, seção Cotidiano, 260704.

SAÚDE
Pesquisas recentes mostram que a nicotina produz uma enzima que destrói as fibras que formam o colágeno da pele

Cigarro provoca ruga mais intensa que o sol
CLÁUDIA COLLUCCI
DA REPORTAGEM LOCAL

O cigarro, até agora visto como fator secundário de envelhecimento da pele, já é considerado o principal causador de rugas profundas no rosto, especialmente nas mulheres. Pesquisas recentes mostram que a nicotina produz uma enzima que destrói as fibras que formam o colágeno, substância protéica das fibras da pele.
Em uma delas, um grupo de pesquisadores da Universidade de Nagoya (Japão) verificou uma queda de 40% na produção do colágeno quando adicionada fumaça de cigarro a fibroblastos (células da pele que produzem o colágeno). Sem ele, a pele perde a elasticidade, acelerando o processo de envelhecimento precoce.
A nicotina também bloqueia as ligações cruzadas da elastina (proteína fibrosa e elástica presente na pele), reduz a lubrificação cutânea e os níveis de vitamina A (antioxidante que combate os radicais livres). E o que é pior: diminui o calibre dos vasos sangüíneos que irrigam o tecido cutâneo, prejudicando a oxigenação das células.
"Ao fumar um único cigarro, a redução do oxigênio na pele diminui por cerca de uma hora. Um fumante de um maço diário permanece em hipoxia [baixo nível de oxigênio] cutânea na maioria das horas do dia. O sol agride muito a pele, mas fumar é ainda pior", afirma o médico Marcus Maia, da clínica dermatológica da Santa Casa de São Paulo, um estudioso sobre a ação do cigarro no envelhecimento da pele.
Segundo Maia, as substâncias tóxicas presentes no cigarro estimulam a produção de leucócitos, que liberam íons superóxidos (radicais livres) e inativam as enzimas que, normalmente, protegeriam a pele. Ao mesmo tempo, o fumo diminui a concentração de tocoferol, betacaroteno e retinol na pele, substâncias importantes para inativar os radicais livres.
Presentes na corrente sangüínea, esses radicais tóxicos da nicotina atingem as fibras de colágeno e elastina em toda a derme (camada mais profunda da pele) e causam rugas mais intensas. Já o sol, explica Maia, atua através na camada superficial da pele e provoca rugas mais finas.
No jargão dermatológico, a "face-do-fumante" se caracteriza por rugas profundas, pele flácida e levemente pigmentada (acinzentada, amarelada ou avermelhada) e proeminência dos contornos ósseos do rosto. "A gente olha para a pessoa e é fácil acertar se ela é ou não fumante. A pele perde o rosado, fica meio amarelada, meio cinza. É um aspecto de pergaminho", afirma a dermatologista Denise Steiner, diretora da Sociedade Brasileira de Dermatologia (regional São Paulo).
Steiner diz que é objetivo da sociedade enfatizar os efeitos negativos do cigarro nas próximas campanhas de prevenção ao envelhecimento precoce da pele. Em relação ao câncer de pele, a ação da radiação ultravioleta dos raios solares é a principal causa, embora, entre os fumantes, a evolução da doença seja mais rápida.
Alguns estudos também sugerem que as mulheres apresentam um risco de envelhecimento precoce, pelo cigarro, maior do que os homens porque a nicotina interfere no fluxo de estrógeno (hormônio atuante na síntese do colágeno e da elastina) para a pele.
Segundo a dermatologista Ana Lúcia Recio, o hábito de fumar também pode destruir as fibras que sustentam a pele do rosto, provocando sulcos na região da boca e dos olhos. Ela lembra, porém, que há fatores genéticos que determinam maior ou menor prejuízo causado pelo cigarro à pele. "Há fumante com a pele bonita. Não é maioria, mas existe."
Exemplo disso é a psicóloga Luciene Jimenez, 42, que fuma há 26 anos e tem uma pele boa, na avaliação da dermatologista que a acompanha. "É de família. Minha mãe tem 67 anos, é fumante e não aparenta a idade que tem", diz.
Mas Jimenez não deixa a aparência só a cargo da genética. Os cuidados com a pele incluem protetor solar diário e produtos diferentes no verão e no inverno.
Ela conta que começou a fumar aos 16 anos, em uma época em que o hábito era considerado charmoso e, ao mesmo tempo, um meio de romper modelos. "Não tínhamos consciência do prejuízo à saúde. Quando tomei conhecimento disso, já estava viciada", afirma a psicóloga, cujo pai, também fumante, morreu de câncer na garganta.
 
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