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Lobby contra fumo agora pressiona Londres (30/3/2004)
Fernando Duarte

Fonte: O Globo, 30/03/2004

Lobby contra fumo agora pressiona Londres

Fernando Duarte
Correspondente

LONDRES. A decisão da Irlanda de proibir o fumo em quase todos os lugares públicos do país, incluindo os tradicionalmente enfumaçados pubs, foi uma injeção de ânimo no lobby antitabagista na Grã-Bretanha. Ontem, médicos e ONGs voltaram a exigir do governo uma posição mais firme.

Apesar de um de seus principais consultores para temas de saúde, Derek Wanless, estimar uma queda quase imediata de 4% no índice de fumantes do país no caso de uma proibição, o governo ainda se mantém fiel à política de deixar a decisão às autoridades locais.

Cidades como Liverpool, Brighton e Bristol foram as primeiras a anunciar sua intenção de proibir o fumo em lugares públicos. A população parece disposta a apoiar mais ações. Numa enquete realizada recentemente pela BBC, 73% dos entrevistados declararam-se favoráveis à proibição. De acordo com estatísticas oficiais, 25% dos britânicos, ou cerca de 15 milhões de pessoas, dão suas baforadas.

Na Irlanda, comerciantes contra fuga de clientes

Na década de 60, o percentual de fumantes beirava 60% da população e até os Beatles eram politicamente incorretos — na contracapa de “Rubber soul”, disco de 1965, Paul McCartney é visto numa foto com um cigarro na boca.

— Exemplos internacionais mostram que a proibição tem efeitos para lá de positivos no bem-estar da população a longo prazo. Em Vancouver (Canadá), por exemplo, a medida fez o percentual de fumantes na população cair de 22% para 15%, sem falar no fato de que fumantes passivos se viram livres do problema — afirma o médico Liam Donalson, uma das maiores autoridades em saúde na Grã-Bretanha.

Na Irlanda, no primeiro dia de vigência da proibição, comerciantes acharam uma maneira de evitar a fuga da freguesia. Bares e restaurantes criaram áreas externas especiais para fumantes, com direito a aquecimento em dias mais frios. O dono de um pub em Dublin comprou um velho ônibus de dois andares e o transformou num fumódromo ambulante. Na vizinha Irlanda do Norte, onde a proibição não vigora, os donos de bares sonham com hordas de fumantes desesperados cruzando a fronteira em busca de um salão enfumaçado.

O lobby de pubs e bares, porém, é forte na Grã-Bretanha. Seus representantes volta e meia aparecem na mídia prevendo demissões maciças e falências de estabelecimentos se a proibição realmente vingar. Uma associação de defesa dos direitos dos fumantes, Forest, entrou na briga, defendendo o direito de cada bar decidir a melhor política para seus negócios e citando estatísticas do setor de bares, restaurantes e hotéis de Nova York (que no ano passado tornou-se pioneira na proibição do fumo) segundo as quais houve caiu até 30% na arrecadação dos estabelecimentos.

Escócia, Noruega e Holanda estudam adotar a medida

Ian Willmore, da ONG Ação Contra o Fumo e Pela Saúde, ressalta que a questão vai além de lucros a curto prazo e que uma proibição ajudaria o sistema público de saúde a cortar gastos de 1,5 bilhão de libras anuais (R$ 8 bilhões) no tratamento de doenças ligadas ao fumo.

Enquanto Londres hesita, a Escócia — que tem um dos maiores índices de tabagismo da Europa — quer usar sua legislação autônoma para proibir o fumo. Noruega e Holanda devem fazer o mesmo este ano.

 
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