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Vício de fumar começa cada vez mais cedo (24/3/2004)
Por Um Mundo Sem Tabaco

Correio Braziliense - 16/02/04

Pesquisa da Secretaria de Saúde do Distrito Federal revela que 18 em cada 100 alunos da 8ª série e do ensino médio de escolas públicas são fumantes regulares. O primeiro contato com o cigarro ocorre em média aos 14 anos e, em 30% dos casos, sob a influência de amigos.

 Curiosidade que leva ao vício

 Pesquisa da Secretaria de Saúde revela que alunos de escolas públicas do Distrito Federal têm o primeiro contato com cigarro aos 14 anos. De cada 100 estudantes, 18 fumam regularmente

 O vício começa cedo. Um tanto desajeitados, corpo ainda acertando peso e altura, muitos já fazem do cigarro um companheiro de toda hora. De cada 100 alunos das escolas públicas do Distrito Federal, 18 fumam regularmente. A conclusão faz parte de um estudo realizado pela Secretaria de Saúde entre alunos de 8ª série dos ensinos fundamental e médio.

A pesquisa mostra que o hábito é precoce entre os jovens. A média do primeiro contato é aos 14 anos. Mas, às vezes, ocorre três ou até quatro anos antes. Infelizmente, a curiosidade e a influência da publicidade e de outras pessoas têm empurrado o adolescente cada vez mais cedo para o tabaco, lamenta o coordenador do Programa de Controle de Combate ao Câncer e ao Tabagismo da secretaria, Celso Rodrigues.

Especialista em Pneumologia, Rodrigues coordenou o estudo, feito em parceria com a Secretaria de Educação entre os meses de setembro e novembro de 2003. Foram ouvidos 1,2 mil alunos de 13 a 19 anos das escolas da rede pública de Ceilândia, Recanto das Emas e Samambaia. A amostra corresponde a 1% de todas as turmas de 8ª série do ensinos fundamental e médio do DF, mas é capaz de retratar o problema.

 O jovem é cheio de dúvidas e ansiedades. O cigarro é vendido para ele como sinônimo de auto-afirmação, de identidade, explica o chefe do Serviço de Pneumologia do Hospital Universitário de Brasília (HUB), Carlos Alberto Viegas. Nos questionários, os alunos indicaram pessoas que os influenciaram na decisão de experimentar o tabaco. Os amigos tiveram participação significativa, com 30% das respostas.

Mas pais e professores também compartilham a influência negativa na mesma proporção. Os jovens buscam referências o todo tempo, seja entre os amigos, na escola ou dentro de casa, observa Celso Rodrigues. Caso do estudante do 1º ano do ensino médio F.T.N., 15. Meu pai sempre fumou na minha frente. Não gostou quando comecei. Me aconselha a parar, mas ele nunca parou..

Chapado

A nicotina exerce forte poder de dependência, já que age no sistema de recompensa, responsável pelo prazer. O jovem, ainda em processo de formação, se torna presa fácil, explica o psiquiatra André Malbergier, coordenador do Grupo de Estudos de Álcool e Drogas do Hospital das Clínicas de São Paulo. Além disso, o tabaco não deixa o fumante "chapado, a exemplo de outras drogas, o que o torna socialmente aceito.

Entre os amigos de F.T.N., praticamente todos fumam, embora tenham consciência dos males do cigarro. Sei que faz mal, mas se todo mundo vai morrer, porque não aproveitar a vida da melhor forma?, diz a estudante da 8ªsérie P.G., 14. Ela diz que começou por curiosidade. Tenho uma irmã que fuma. De tanto vê-la, também resolvi.

O estudante do 1º ano do ensino médio R.P.S., 16 anos, fuma cigarrosde qualquer marca desde os 13 anos. Meu pai sempre fumou na minha frente. Um dia roubei um cigarro dele e não parei mais, conta o garoto. Eu sei que faz mal, mas por enquanto não vou parar.

No começo de 2003, a Faculdade de Saúde da Universidade de Brasília (UnB) traçou o perfil do consumo de cigarro entre jovens de escolas públicas e particulares. Cerca de dois mil alunos participaram do estudo e 10% dos entrevistados admitiram fumar regularmente. Nas escolas públicos, o índice é ainda maior - chega a 18%.

 Tabaco mata diariamente no DF

 O cigarro é um problema mundial. Dados da Coordenação de Controle do Câncer e do Tabagismo do Ministério da Saúde sustentam que 30% da população brasileira fuma. O tabagismo mata cinco milhões a cada ano. Apenas no Brasil, são 200 mil mortes. Dados da Coordenação do Controle do Câncer e Tabagismo da Secretaria de Saúde mostram que a média no DF é de 3 a 4 óbitos por dia.

Os especialistas em tabagismo foram surpreendidos por uma campanha antitabagista patrocinada pela Philip Morris, uma das maiores indústrias do tabaco no mundo. A empresa se diz preocupada com o fumo precoce. É difícil acreditar em responsabilidade social de fabricante de um produto responsável pela morte de 50% de seus consumidores adultos, diz o chefe substituto do Controle do Tabagismo do Instituto Nacional do Câncer (Inca), Ricardo Henrique Meirelles.

Veiculado nos principais jornais e revistas do país, o anúncio da Philip Morris alerta que é correto impedir o fumo entre jovens. Segundo o diretor de Assuntos Corporativos da Philip Morris no Brasil, Valter Brunner, a campanha recém-lançada no Brasil faz parte de uma estratégia voltada para aumentar o nível de informação sobre os produtos, política também adotada em outros países. Não queremos jovens como nossos clientes. Isso é uma questão de sobrevivência no mercado. Precisamos ser socialmente responsáveis. A sociedade cobra isso da indústria do tabaco, justifica.

Para especialistas no DF, a campanha da Philip Morris deve ser encarada com reserva. Mensagens que vendem o fumo como uma atividade legal entre os adultos, acabam tendo efeito inverso, despertando o interesse do jovem, ávido por independência, explica o pneumologista Carlos Alberto Viegas, chefe do Serviço de Pneumologia do Hospital Universitário de Brasília (HUB) e integrante do programa de Combate ao Câncer e ao Tabagismo do DF.

 Alertar sem aterrorizar

 O psiquiatra André Malbergier, coordenador do Grupo de Estudos de Álcool e Drogas do Hospital das Clínicas de São Paulo, explica que dialogar com o jovem não é tarefa fácil, principalmente sobre um problema que aparentemente não lhe afeta a vida. Não adianta adotar modelos terroristas para conseguir resultados satisfatórios contra o tabagismo precoce, observa.

 Os atendimentos ambulatoriais a pacientes com problemas decorrentes do vício reforçam a análise. No Instituto do Coração do Hospital das Clínicas, por exemplo, os pacientes estão numa faixa etária superior a 40 anos. Não adianta virar para o adolescente e dizer que o cigarro mata. Essa é uma realidade distante dele, conta a cardiologista Jaqueline Issa, coordenadora do Ambulatório de Tratamento do Tabagismo do instituto.

Na avaliação dos especialistas, a aproximação só será possível se houver investimentos em campanhas que explorem o cotidiano do jovem. O cigarro causa, por exemplo, mau hálito. Para quem está numa idade que gosta de beijar, nada melhor que explorá-lo, sugere o psiquiatra Malbergier. Outro exemplo, segundo ele , é explicar que os dentes ficam amarelos ou que fumar tira fôlego para os esportes.(M.R.)

 
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