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Especialista em tabaco critica baixo preço do cigarro brasileiro (23/3/2005)
ACTBR

22/03/2005

Irene Lôbo

Repórter da Agência Brasil

Brasília - O epidemiologista Jonathan Samet, da Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos, considerado pela comunidade científica o maior especialista em tabaco do mundo, criticou hoje (22) os baixos preços cobrados pelos cigarros no Brasil. "O Brasil tem programas muito fortes para controlar o tabagismo, mas por outro lado tem cigarros muito baratos", disse Samet. Segundo ele, uma das conseqüências disso é que os jovens brasileiros adquirem o produto com muita facilidade.

Nos Estados Unidos, o maço de cigarros custa em média US$ 7, o equivalente a R$ 20. No Brasil, o preço médio é de R$ 2. Além do preço elevado, também é mais difícil fumar nos Estados Unidos. Segundo Samet, 10 estados norte-americanos já proibiram o fumo em edifícios públicos, bares e restaurantes, e a indústria tabagista perde a cada dia a sua influência.

Em resposta às críticas, o secretário de Vigilância em Saúde, Jarbas Barbosa, afirmou que o ministro da Saúde, Humberto Costa, vem mantendo "entendimentos"

com o ministro da Fazenda, Antônio Palocci, com o objetivo de aumentar os impostos dos cigarros brasileiros e, conseqüentemente, o preço do produto. A proposta ainda inclui a criação de um fundo nacional para apoiar a transposição da cultura do fumo para outras culturas com o dinheiro arrecadado com o aumento dos impostos.

Aumentar o valor do cigarro também é uma das propostas contidas na Convenção- Quadro para o Controle do Tabaco, primeiro tratado internacional de saúde pública em vigor desde o dia 28 de fevereiro. O Brasil foi o segundo país a assinar o texto, mas ainda não ratificou o tratado junto à Organização Mundial de Saúde (OMS). Para que o país faça parte da Convenção- Quadro para o Controle do Tabaco, o Congresso Nacional precisa aprovar a proposta de participação.

O documento já foi aprovado na Câmara dos Deputados em maio de 2004, mas está parado no Senado desde então. O principal entrave para a aprovação do acordo é o fato de o Brasil ser hoje o maior exportador e segundo maior produtor de tabaco do mundo. Dados da Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra) revelam que o setor movimenta cerca de R$ 4 bilhões por ano no país, que garantem o sustento de 200 mil agricultores na região Sul e de 30 mil, na região Nordeste.

O Brasil tem até o dia 7 de novembro deste ano para ratificar o tratado. Caso contrário, ficará de fora do acordo e não terá acesso a fundos internacionais que serão disponibilizados para apoiar a transição dos agricultores que vivem da cultura do tabaco no Brasil. "Os que não apóiam dentro do Senado a ratificação da Convenção-Quadro, achando que estão protegendo os fumicultores, na verdade não estão fazendo nenhuma atitude que os beneficie. A redução do tabaco vai ser feita no mundo todo, independentemente de o Brasil assinar ou não a Convenção-Quadro", explicou Jarbas Barbosa.

Segundo ele, em dez anos o número de fumantes na população brasileira caiu de 30% para 22% da população brasileira. O tabaco é considerado o maior fator de risco para todos os tipos de câncer e inúmeras doenças cardiovasculares.

Segundo a OMS, cerca de cinco milhões de pessoas morrem por ano em conseqüência do consumo de produtos derivados do tabaco em todo o mundo, dentre as quais 200 mil só no Brasil. Se o consumo for mantido, a tendência é que até o ano de 2030, quando os fumantes jovens atingirem a meia idade, o número de mortes chegue a dez milhões anuais.

Fonte: http://www.radiobras.gov.br/materia.phtml?materia=219599&q=1&editoria=

 
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