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Dente amarelo faz jovem rejeitar cigarro (2/6/2005)
ACTBR

Fonte: Folha de São Paulo, Cotidiano, 31 de maio de 2005

Pesquisa da faculdade de medicina da Santa Casa mostra que doenças não sensibilizam estudantes

CLÁUDIA COLLUCCI
DA REPORTAGEM LOCAL

Jovens entre 11 e 18 anos são mais sensíveis aos danos estéticos que o cigarro causa, como dentes amarelos e mau hálito, do que aos problemas de saúde associados a ele -câncer e doenças cardiovasculares, por exemplo.
O dado, que consta entre as conclusões de pesquisa divulgada ontem pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, é endossado por outros serviços que tratam da prevenção ao tabagismo, como o Incor (Instituto do Coração do Hospital das Clínicas de São Paulo) e o Inca (Instituto Nacional do Câncer).
Para os médicos, são necessárias campanhas específicas para o público jovem, voltadas para questões que afligem as pessoas nessa faixa etária. "Dizer que o cigarro vai prejudicá-lo e torná-lo suscetível a um infarto em 20 ou 30 anos não o impressiona", afirma o cardiologista Roberto Alexandre Franken, professor que coordenou a pesquisa.
O estudo da Santa Casa envolveu 678 alunos de escolas públicas e privadas de São Paulo, que responderam questionários aplicados por estudantes de medicina da faculdade. Do total de entrevistados, 6,6% se declararam fumantes habituais -percentual inferior à média nacional, de 17%.
Um grupo bem maior de estudantes (30%) admitiu já ter experimentado cigarro. A maioria disse que fumou pela primeira vez motivada por amigos.
Para Franken, os programas brasileiros que incentivam o abandono do cigarro são voltados para o adulto fumante, o que os tornam pouco eficazes. "É muito mais difícil alguém abandonar o vício depois de ter fumado por 20 ou 30 anos do que logo após começar a fumar", diz ele.
Dados do Ministério da Saúde mostram que 90% dos fumantes ficam dependentes da nicotina entre 5 e 19 anos. Estima-se que haja 2,8 milhões de fumantes nessa faixa etária.
Segundo a cardiologista Jaqueline Issa, do Incor, vários países, como o Canadá, já desenvolvem campanhas de prevenção ao tabagismo voltadas aos jovens. "Lembro-me de uma que mostrava uma mocinha fumante e o processo de envelhecimento da pele causado pelo cigarro. Isso sensibiliza muito mais do que falar em câncer", brinca a médica. Para ela, o Brasil deveria seguir o exemplo.
Para Luiza Goldfarb, da divisão de controle do tabagismo do Inca, o trabalho da faculdade da Santa Casa endossa o que os técnicos que trabalham com os jovens já tinham percebido. "Por sua natureza imediatista, o jovem não se preocupa a longo prazo", afirma.
Ela afirma que o Ministério da Saúde já desenvolve projetos de prevenção ao tabagismo direcionados ao jovem, com enfoque na melhoria da qualidade de vida e do ambiente em que está inserido. "A gente aproveita o gancho de situações que o sensibilizam, como a impotência sexual", diz.
Hoje, Dia Mundial sem Tabaco, acontece uma caminhada em São Paulo com objetivo de alertar a sociedade sobre os malefícios do fumo e de sensibilizar os senadores brasileiros a aprovar a Convenção-Quadro para o Controle do Tabaco, um tratado internacional de combate ao tabagismo que está parado há mais de um ano no Senado aguardando a apreciação dos parlamentares.
O ponto de concentração da caminhada será no vão livre do Masp, na av. Paulista, às 11h. De lá, os manifestantes seguirão até o cemitério da Consolação, onde farão orações em memória aos 200 mil brasileiros que morrem anualmente vítimas de doenças relacionadas ao fumo.

 
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