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Após 1 ano, plano antifumo não sai do papel (2/6/2005)
ACTBR

Fonte: Folha de São Paulo, Cotidiano, 1 de junho de 2005

Ministério afirmou, em maio de 2004, que tratamento para dependência de cigarro estaria disponível na rede do SUS

CLÁUDIA COLLUCCI

DA REPORTAGEM LOCAL

Anunciado há um ano pelo governo federal, o tratamento da dependência do tabagismo na rede do SUS não saiu do papel. Os centros de atendimento esbarram na falta de adesivos, gomas de mascar de nicotina e medicamentos -terapia necessária para 40% dos 23 milhões de fumantes brasileiros, segundo o governo.
No dia 31 de maio de 2004, o ministro Humberto Costa (Saúde) disse que os fumantes que desejassem abandonar o vício teriam acesso a medicamentos para as crises de abstinência. A licitação seria feita em 30 ou 45 dias e custaria R$ 5,4 milhões. Mas de lá para cá nada aconteceu.
Segundo a médica Tânia Cavalcanti, chefe da divisão de controle do tabagismo do Inca (Instituto Nacional do Câncer), houve atraso no processo de licitação para a compra dos medicamentos em razão das negociações do governo por um melhor preço.
Ela afirma que na próxima sexta o processo estará concluído e os laboratórios terão 30 dias para entregar os medicamentos. Segundo ela, as unidades de saúde que passaram por processos de capacitação devem receber os remédios no início do segundo semestre.
No Núcleo de Apoio à Prevenção e Cessação do Tabagismo (PrevFumo), da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), 70% dos pacientes têm grau de dependência que demanda tratamento com medicação. O núcleo atende 5.000 pessoas por ano. Segundo o professor de pneumologia Sergio Ricardo Santos, que coordena o PrevFumo, dois terços dos pacientes têm dificuldades de bancar a terapia antifumo -que custa de R$ 120 a R$ 200 mensais.
No centro de atendimento do Incor (Instituto do Coração do Hospital das Clínicas), os pacientes que precisam da terapia antifumo dependem de doações dos laboratórios, segundo a cardiologista Jaqueline Issa.
Tânia Cavalcanti lembra que a maioria dos fumantes não precisa de medicamentos e sim de terapia cognitivo-comportamental, já disponível na rede SUS.

Dependência
Ontem, Dia Mundial sem Tabaco, a Unifesp divulgou estudo com 800 fumantes confirmando que os graus mais avançados de dependência do cigarro diminuem as taxas de sucesso nas tentativas de parar de fumar.
Segundo Sergio Santos, a descoberta pode auxiliar os médicos na escolha do tratamento ideal para evitar as recaídas. Após um ano, apenas 36% das pessoas tratadas continuam abstêmias. Para ele, um diagnóstico precoce pode levar os médicos a adotar uma conduta mais agressiva, com ampliação das sessões de terapia e da administração de medicamento.
Como parte das comemorações antitabaco, pelo menos 400 pessoas participaram em São Paulo de uma caminhada de alerta sobre os malefícios do fumo.
Foram recolhidas 500 assinaturas pedindo aos senadores que aprovem a Convenção-Quadro, um tratado internacional de combate ao tabagismo que está parado há mais de um ano no Senado.
Humberto Costa esteve ontem no Senado e pediu ao presidente Renan Calheiros (PMDB-AL) que seja ratificada a medida. Ele disse haver pressão das indústrias de tabaco pela não-aprovação, que ele chamou de "lobby da morte".
Segundo Nise Yamagushi, presidente da Sociedade de Oncologia Clínica, um grupo de ex-doentes de câncer está se cotizando para realizar uma campanha contra o tabaco em São Paulo.


Colaborou a Sucursal de Brasília

 
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