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Firma de tabaco tem acesso secreto a Blair (5/11/2004)
Vírginia Prado

27.10.2004

Documentos conseguidos pelo Guardian mostram como a  BAT pressionou Tony
Blair e um ministro do gabinete que queriam investigar a firma.

Rob Evans, David Leigh e Kevin Maquire

The Guardian obteve documentos que revelam como uma das maiores companhias
de tabaco do mundo pressionou Tony Blair e um ministro do gabinete que
queriam investigar denúncias de ligação com criminosos.
Por trás do parlamento e do público, o chefe do British American Tobacco
(BAT), Martin Broughton, teve acesso a Tony Blair  num café privado e um
segundo encontro, também privado, com o então secretário de Comércio,
Stephen Byers. Os privilégios foram garantidos apesar das acusações de
contrabando numa escala sem precedentes.
Byers planejou uma investigação "por trás dos panos" que  se publicada
causaria sérios danos. Ao invés disso tudo foi conduzido em segredo. As
atividades foram encobertas por quase 4 anos e nenhuma atitude foi tomada. A
BAT ficou satisfeita com a forma de investigação que os lobistas a
descreveram como "não problemática".
O The Guardian está publicando  os documentos. Os papéis obtidos em parte
graças aos movimentos Whitehall,  a favor da liberdade de informação, e em
parte dos arquivos da BAT, que registram o quanto as influências de grandes
corporações podem ser poderosas.
Hoje, esse poder é evidente na medida em que BAT e outras companhias de
tabaco fazem lobby contra movimentos que querem obrigar a colocação de
fotos, por exemplo com órgãos danificados e artérias bloqueadas, nos maços
de cigarros para alertar quanto aos perigos do fumo.
Há quatro anos atrás a pressão sobre Broughton, (presidente da BAT) cresceu
depois que os jornais publicaram documentos detalhando a evasão de impostos
num esforço de   aumento de vendas.
De acordo com os documentos, BAT fornece quantidades enormes de cigarros
para atacadistas e distribuidores, contando que eles abram espaço no mercado
negro de países desenvolvidos depois de contrabandeados  pelas fronteiras
sem pagar impostos.
Stephen Byers ameaçou fazer uma investigação na segunda maior firma de
tabaco e publicar   os resultados. Essa publicação poderia ser altamente
danosa para a BAT, abrindo as portas para processos de governos estrangeiros
por trapacear os  impostos e impossibilitar reforçar as medidas de saúde
pública.
No começo de 2000   os lobistas da BAT rastrearam sessões de investigação 
sobre fumo, da House of Commons all-party health, reportando  para  a sede
da  companhia que o então secretário de Saúde Alan Milburn não era  
simpatizante.
A primeira reação de Broughton foi se aproximar do colega de Milburn,
Stephen Byers, em particular.
A BAT esperava que o DTI no papel de patrocinador da indústria britânica
pudesse conseguir um canal mais simpático do que  o Departamento de Saúde.
Mas não houve resposta positiva. Byers,  ligado ao antifumante  Alan
Milburn, recusou o encontro.
Segundo uma minuta do DTI, a companhia fez inúmeras tentativas de encontrar
os ministros do DTI , desde a eleição, mas todos os pedidos foram recusados
até agora.
Um dos lobistas da BAT, Simon Millson, contatou o chefe do DTI , Julian
Ebsworth: "Eu tentei explorar o assunto sobre o encontro. Ele disse que
cabia ao ministro decidir. Senti algum obstáculo".
Em março, Byers sinalizou que ele planejava uma investigação na seção 432 da
Companies Act, com acesso a arquivos e questionamento dos funcionários sob
juramento e permitindo que o resultado fosse publicado.
Broughton escreveu de novo  para Stephen Bayers, em  9 de março, dizendo que
a alegação de contrabando era altamente partidária. O apelo foi negado pelo 
tesouro responsável pelos assuntos de contrabando.
Alguns dias mais tarde, entretanto, tudo mudou. Broughton  fez pressão em
Byers  como membro de um grupo  obscuro de lobistas privilegiados - "grupos
de diretores de multinacionais" - cujos membros incluem BP, Shell e  firmas
de bebidas Diageo, Unilever  e Vodafone.
Broughton estava na pequena linha dos convidados para tomar café com o
primeiro ministro no gabinete. Byers também tomou café com Blair em 14 de
março. Depois do aperto de mãos, Byers não teve alternativa a não ser mudar
o tom. No clima de café da manhã, o secretário de estado acertou o encontro.
Na mesma tarde os lobistas da BAT se vangloriavam de ter conseguido o
encontro.
Mais tarde Millson declarou "Nós fomos muito bem sucedidos em conseguir o
encontro. Poucas companhias conseguem."
"Caro Martin", foi o tratamento no próximo contato se desculpando pelo erro
na carta anterior.
O secretario de estado tem sido pressionado a ter um encontro privado com a
firma na qual ele queria uma investigação opcional. Por outro lado, ASH, na
campanha antifumo, alega que pediu um encontro, nas mesmas condições, e foi
recusado.
Broughton continuou com seu lobby intenso, enviando uma longa carta pedindo
menos impostos nos cigarros e dizendo que caso ele não cooperasse, o
contrabando na Grã Bretanha continuaria.
"A política de impostos contém a semente da sua própria destruição".
Em abril, ele disse aos investidores da BAT durante o encontro anual: "Não
há necessidade de uma investigação na BAT".
Whitehall se recusa a revelar o resumo do subseqüente  encontro com Byers.
Mas nós obtivemos a versão dos arquivos da BAT no qual  foi forçada a
revelar num acordo durante o processo  americano.
Byers, com Julian  Ebsworth a seu lado  aparentou aceitar a tarefa de seu
departamento de apoiar  a indústria  do tabaco. "DTI é um patrocinador da
indústria de armas e embora muitos não gostem, temos que lidar com isso".
Broyhton pediu que o DTI desse apoio a BAT na luta contra o governo da
Colômbia que estava trazendo nos EUA um processo sob a alegação de
contrabando. A minuta da BAT diz "Nos litígios da Colômbia, Byers   foi
inequívoco: ele vai fazer o que for possível".
Em seguida a BAT usou suas ligações particulares com os funcionários de
Byers  para conseguir algum conhecimento.
Nicola Shears, após passar 8 anos no DTI, estava na folha de pagamento da
BAT. Assim como Ray Mingay, chefe  da promoção de exportação da DTI. Ambos
depuseram a favor da BAT, de acordo com os documentos.
De acordo com os associados, Byers não tinha idéia de que Mingay agora
trabalhava para BAT. Ficou chocado quando soube que o antigo funcionário
estava fazendo contatos nas suas costas.
Millson escreveu que "Após a reunião com  Bayers, Nicola Shears e eu tomamos
conhecimento  que Byers e os dois funcionários presentes consideraram que o
encontro foi bom. Ficaram impressionados com Martin que foi claro e
sucinto". "Também foi reconhecido que a BAT é uma das companhias de
categoria mundial"
Isso é um dos termos usado repetidamente pelo DTI e por Downing Street para
justificar as políticas amigáveis nos negócios.
A ameaça da investigação não foi adiante depois disso. Amigos de Byers
disseram que os funcionários tentaram persuadi-lo a cancelar alegando as
evidências insuficientes. Byers insistiu em continuar, alegando não ter
alternativa  quando os comitês de saúde pediram uma investigação.
Byers foi persuadido a uma mudança crucial. Ao invés de ordenar uma
investigação na seção 432, que acabaria levando a situação pública, ele
concordou em usar a seção 447 da Companhia BAT que proíbe publicações. Um
dos lobistas da BAT, John Roberts, disse a um colega por email: "A
investigação do DTI é uma distração e não um problema".
E assim foi que o DTI enterrou a investigação por um longo período de quase
4 anos, no  qual não deram nenhuma explicação e Byers saiu de cena.
Quando os protestos começaram, finalmente anunciaram oficialmente, sob uma
nova secretaria de Comércio, Patrícia Hewitt, que não encontraram evidências
suficientes para uma ação legal.
Os responsáveis pela companhia disseram que a confidencialidade garantia que
ninguém checasse a autenticidade do trabalho.
O porta-voz da BAT disse: "Nós sempre agimos legalmente".
Ele negou que os dois funcionários do DTI tenham "influenciado" o DTI.

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politics.editor@guardianunlimited.co.uk

Fonte: http://www.guardian.co.uk/uk_news/story/0,,1336810,00.html

Virginia Prado
Regional Coordinator (Portuguese)
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