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OPAS/OMS põe em cheque informações da industria do tabaco (12/12/2004)
ACTBR

Um estudo realizado no Brasil pela OPAS/OMS mostra que as informações
sobre emprego na industria do tabaco apresentadas pela Associação dos
Fumicultores do Brasil (AFUBRA) estão superestimadas.

Brasília 04 de dezembro de 2004 - Um estudo patrocinado pela OPAS/OMS
sobre a economia do tabaco no Brasil, que deve ser publicado no começo
de 2005, mostra que a AFUBRA (Associação dos Fumicultores do Brasil)
órgão de fachada da industria fumageira superestima as informações sobre
o número de empregos relacionados a produção do tabaco no país.

O estudo da OPAS/OMS cita dados oficiais do Brasil que indicam uma media
de 20.000 pessoas empregadas pela industria do tabaco em 2001/2002. Já a
AFUBRA estima que 40.000 pessoas foram empregadas em 2003. O número
praticamente dobra dois anos depois. O estudo indica que um crescimento
como esse durante um período de recessão econômica como viveu o Brasil
em 2003, parece ser impossível, até porque a produção da industria do
tabaco foi reduzida em quase 9% entre 2002 e 2003.

Essa não é a primeira vez que isso acontece. Entre 1995-1996 a AFUBRA
divulgou um número de pessoas trabalhando em plantações de fumo 54%
maior do que o calculado pelo IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e
Estatística - no censo oficial.

"Precisamos tratar as informações da AFUBRA com muita cautela, porque
elas dão uma impressão enganosa do nível de emprego gerado pelo setor.
As informações não são precisas" disse Mirta Roses, diretora da
Organização Pan-Americana da Saúde, Escritório Regional para as Américas
da Organização Mundial da Saúde. "Informações precisas são cruciais para
balizar tomadores de decisão e governantes na elaboração de políticas
públicas. Eles devem analisar cuidadosamente todas as informações
disponíveis e considerar as suas fontes assim como o seu contexto antes
de tomar alguma decisão", reafirma a Diretora Roses.

Neste momento, quando a Convenção Quadro de Controle do Tabaco tem
recebido adesões sufiente de países para virar lei, o processo no Brasil
de ratificação do Tratado tem encontrado forte oposição da industria do
tabaco. A Convenção Quadro de Controle do Tabaco é o primeiro tratado
global de saúde pública negociado sobre os auspícios da  OMS e objetiva
reduzir a mortalidade e a morbidade relacionadas ao consumo do tabaco em
todo o mundo.

"É preciso esclarecer que a ratificação da Convenção Quadro do Controle
do tabaco não tem conseqüências catastróficas como reclamam os setores
contrários" disse Mirta Roses. Segundo ela, "os relatórios distribuídos
pela industria apontam que a ratificação da Convenção Quadro do Tabaco
significaria o fim das colheitas de fumo e do emprego para muitos
trabalhadores, mas isso não é verdade, a informação propagada pela
industria é completamente enganosa", conclui.


A OMS e o Banco Mundial afirmam, depois de diversos estudos, que o nível
de emprego  na produção ( fumicultura e manufatura ) do tabaco não é
afetado a curto e nem a médio prazo por programas de controle do tabaco.
Estimativas mostram que, mesmo diante de um cenário otimista de redução
anual de 1% da prevalência do fumo na população, haveria um aumento da
demanda pelo tabaco em função do aumento populacional global. A longo
prazo a Convenção Quadro de Controle do Tabaco recomenda que fontes
alternativas de emprego devem ser previstas para compensar uma eventual
queda de emprego nas lavouras de fumo.

A Convenção Quadro de Controle do Tabaco é uma ferramenta criada para
salvar vidas. Ela reafirma o direito de todos aos padrões mais altos de
saúde. Ela analisa racionalmente e evidencia diversos estudos e
pesquisas que mostram que o consumo do tabaco e a cultura do fumo
aumentam a pobreza, esgotam recursos nacionais e causam cinco milhões de
mortes, que poderiam ser evitadas, a cada ano.

"Fazemos um apelo para que todos os políticos tomem a decisão que irá
beneficiar a saúde da maioria das pessoas e a economia do Brasil" disse
a Diretora da OPAS, Mirta Roses "É preciso que os tomadores de decisão
analisem criticamente qualquer informação alarmista que descreva um
cenário catastrófico para a economia brasileira depois de ratificado o
Tratado", adverte Roses

O Brasil pode encontrar exemplos de outros países que colocaram a saúde
da sua população à frente dos interesses financeiros da industria de
tabaco e de seus grupos de fachada. Países que ratificaram a Convenção
Quadro de Controle do Tabaco independente de serem principais produtores
ou consumidores de tabaco: Austrália, Canadá, Índia, França, Japão e
Paquistão, entre outros. A OPAS/OMS recomenda com insistência que os
tomadores de decisão não sejam dissuadidos a tomar a decisão de proteger
a saúde pública e de ratificar a Convenção Quadro de Controle do Tabaco.

Notas:

A Convenção Quadro de Controle do Tabaco foi assinada por 168 países. 40
ratificaram ou usaram mecanismo legal equivalente  A Convenção entra em
vigor no dia 28 de fevereiro de 2005.

Para outras informações sobre a Convenção Quadro de Controle do Tabaco
acesse o site  <http://www.who.int/tobacco/areas/framework>
www.who.inte/tobacco/areas/framework.

Contatos com
Marta Seoane   - Oficial de Comunicação da Tobacco Free Initiative -
Genebra  -  00 - xx  - 41 794 75 5551.  <mailto:seoanem@who.int>
seoanem@who.int

Carlos Wilson - Oficial de Comunicação OPAS/OMS - Brasília -
00-xx-61-426-9530 -  <mailto:carlosw@bra.ops-oms.org>
carlosw@bra.ops-oms.org
 
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