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Associação reage contra campanha por bebida alcoólica (3/4/2008)
Fabiana Fregona

Fonte: Jornal O Estado de S.Paulo

terça-feira, 1 de abril de 2008, 18:44 | Online3

CARINA URBANIN - Agencia Estado

SÃO PAULO - A presidente da Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas (Abead), Analice Gigliotti, divulgou hoje uma carta na qual critica uma manifestação da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) que pede a revogação de medidas como a proibição da venda de bebidas alcoólicas em estabelecimentos próximos a rodovias e escolas. Embora considere a iniciativa legítima, "do ponto de vista jurídico", a Abead argumenta: "Se analisarmos o movimento pensando em saúde e segurança pública, é inevitável concluir que se trata de um movimento irresponsável, para dizer o mínimo."

Segundo a Abead, o consumo de bebidas alcoólicas é uma das principais causas de acidentes de trânsito. "Somente no ano de 2006, mais de 36 mil pessoas morreram nas estradas do País. Em 61% dos acidentes, o condutor havia ingerido bebida alcoólica. Entre os casos com vítimas fatais, o índice sobe para 75%", ressaltou Analice.

No que diz respeito à restrição no horário de funcionamento dos bares, a entidade destacou o exemplo de Diadema, no Grande ABC (SP). "O município era conhecido pelos altos índices de violência. Em 2002, os bares da cidade foram proibidos de abrir após as 23 horas. A diminuição dos casos de homicídios foi de 59%", avaliou.

No texto, a presidente da Abead abordou também outra reivindicação do movimento, a manutenção dos "fumódromos" (salas destinadas, exclusivamente, ao uso de cigarros, cigarrilhas, charutos e outros produtos derivados do tabaco). Segundo Analice, a cada ano, 250 mil brasileiros morrem por doenças relacionadas ao fumo. "Uma pesquisa recente avaliou a opinião da população paulistana sobre o fumo em ambientes fechados. Dos fumantes entrevistados, 81% eram contra o fumo em restaurantes e 52% eram contra fumódromos em bares", afirmou. Ela concluiu: "A pesquisa não evidencia que os fumantes estão mais conscientes dos malefícios do fumo do que os donos dos restaurantes. Evidencia que esses empresários não estão pensando na saúde pública, mas sim em seus interesses individuais."

 
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