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Fumantes custam R$ 338 mi ao SUS (17/3/2008)
Fabiana Fregona

Fonte: Jornal O Estado de S.Paulo – 17/03/2008

Quase 8% dos gastos do sistema vão para doenças ligadas ao cigarro

Lígia Formenti, BRASÍLIA

 

O cigarro provoca um prejuízo anual para o sistema público de saúde de pelo menos R$ 338 milhões, o equivalente a 7,7% do custo de todas as internações e quimioterapias no País. O cálculo, feito pela primeira vez no Brasil, considerou o gasto com hospitalizações e terapias quimioterápicas em pacientes de 35 anos ou mais, vítimas de 32 doenças comprovadamente associadas ao tabagismo no ano de 2005. Estima-se que 22,4% da população brasileira fume.

São recursos significativos e, o mais importante, que poderiam ser poupados, observa a autora do trabalho, a economista da Fundação Oswaldo Cruz, Márcia Pinto. Para ela, o resultado da pesquisa deixa clara a necessidade de se adotar medidas rápidas para responsabilizar a indústria do tabaco pelo impacto econômico provocado no sistema de saúde público. Além disso, as ações antitabagistas devem ser intensificadas, avalia. Entre elas, Márcia enumera o aumento do preço do cigarro brasileiro, o sexto mais barato do mundo.

A pesquisadora não tem dúvida de que o impacto econômico do tabagismo no sistema de saúde é maior do que revela seu estudo. O trabalho analisou apenas parte dos custos: internação e quimioterapia. Esse foi o ponto de partida, porque não havia nada similar no Brasil. Ela espera que novos trabalhos agora sejam realizados para avaliar, por exemplo, gastos com medicamentos, cirurgias e o tratamento de pacientes vítimas de fumo passivo.

ÍNDICE DE DOENÇAS

Para fazer o estudo, tema de sua tese de doutorado na Escola Nacional de Saúde Pública, Márcia desenvolveu um índice capaz de calcular o quanto uma doença pode ser atribuída ao tabagismo no Brasil. Ela destacou um grupo de 32 doenças (alguns tipos de câncer, problemas respiratórios e circulatórios) diretamente associadas ao tabaco e avaliou os custos com internação e tratamentos quimioterápicos pelo SUS.

Numa outra etapa, estudou a trajetória de fumantes internados em dois centros de referência para tratamento de câncer e problemas cardíacos: o Instituto Nacional de Câncer (Inca) e o Instituto Nacional de Cardiologia (INC). Nesse estágio, ela calculou os custos do tratamento completo, do diagnóstico à alta ou morte do paciente.

O estudo revelou, por exemplo, que a terapia de um paciente com câncer custa, em média, R$ 29 mil. O tratamento de câncer do esôfago, R$ 33,2 mil, e o de laringe, R$ 37,5 mil. Se todos os casos novos desses três tipos de câncer causados pelo cigarro procurarem o sistema público, o gasto calculado é de R$ 1,12 bilhão.

PACIENTES CARDÍACOS

A mesma análise foi feita com pacientes cardíacos. Nas duas instituições, Márcia destacou apenas problemas que comprovadamente eram provocados pelo cigarro. No caso do INC, os dois grupos principais foram de isquemia crônica do coração - que custa, em média, R$ 29,7 mil - e com angina - cujo tratamento médio é de R$ 33,1 mil.

Todos os pacientes eram fumantes pesados, uma média diária alta de cigarros, durante vários anos, observa Márcia. Ela lembra que boa parte dos pacientes chegava ao serviços já em estado avançado da doença. Muitas vezes, as medidas adotadas eram apenas paliativas, não havia esperança de cura para o paciente, completou. É um gasto necessário, mas sem retorno.

4 anos sem cigarro geram investimento de R$9mil

Emilio Sant’Anna

Depois de um final de semana em que fumou seis maços de cigarro, o bancário Mário Raia decidiu que nunca mais daria uma só tragada. E lá se vão quatro anos longe do vício. Nesse período, não apenas se livrou do cigarro e melhorou a saúde, como reverteu tudo o que gastava para sustentar o vício em benefício próprio.

Cálculo feito, decidiu investiros R$ 190 que despendia com 40 maços de cigarro da marca Charm por mês e num fundo de investimentos. Hoje, essa aplicação soma cerca de R$ 9 mil, dinheiro que seria gasto às custasdesua saúde. “Essa era uma quantia que eu investia todos os meses em pacotes de cigarros e agora vai me dar uma viagem de ida e volta para a Europa.”

VÍCIO

O bancário provavelmente deixará de entrarn a conta dos custos gerados para o tratamento de doenças relacionadas ao tabaco.

A decisão de parar de fumar não foi tão sofrida para ele,

mas, para a maioria das pessoas, não é tão simples. Pesquisa feita em 15 países com 3.760 fumantes mostra que para 70% deles lagar o cigarro é uma tarefa quase impossível. Outros 56%dizem que deixar o tabagismo é a missão mais difícil que já enfrentaram na vida.

A cardiologista Jaqueline Issa, do Instituto do Coração (Incor), conhece de perto esse tipo de dependência, classificada como doença pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Desde 1996, a médica coordena o Ambulatório de Tratamento do Tabagismo no hospital. Por ali passam pacientes com pelo menos dois diagnósticos.

“São pessoas com problemas cardíacos e renais que precisam parar de fumar.” Ela revela um dado alarmante sobre os pacientes que passam pelo Incor:“90% dos homens que enfartam na faixa dos 40 anos são fumantes.

Entre as mulheres, esse índice sobe para 95%.”

 
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