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Veto a cigarro não afeta bar, diz estudo (31/8/2008)
Mário César Carvalho

Pesquisa canadense contraria argumento de comerciantes de que restrição poderia gerar queda de faturamento e desemprego

Em alguns locais onde houve restrições, como na Flórida e em Nova York, o que se verificou foi um aumento nas vendas

MARIO CESAR CARVALHO
DA REPORTAGEM LOCAL - FOLHA DE S. PAULO

 

Donos de bares e restaurantes costumam pintar o apocalipse sempre que o governo cogita banir o fumo em ambientes fechados. Falam em desemprego em massa, em queda brutal de faturamento. Do outro lado do ringue, militantes antifumo prevêem o paraíso após o banimento -dizem que haverá aumento de vendas, que o ar dos bares vai mudar do enxofre para um campo de lavanda na primavera.
Nenhuma dessas previsões está correta, segundo Rita Luk, pesquisadora da Universidade de Toronto que fez um dos mais abrangentes estudos sobre o impacto econômico do banimento do fumo em bares, restaurantes e hotéis.
Luk revisou 115 pesquisas sobre essa questão e chegou à conclusão que nesses trabalhos não foi possível concluir que o banimento do fumo tenha algum impacto no faturamento dos estabelecimentos e no nível de emprego.
A pesquisadora dividiu os trabalhos em duas categorias básicas: os que usam critérios estatísticos aceitos no meio científico e são revisados por pesquisadores da área (um dos indicadores de qualidade científica) e os que usam dados subjetivos e são financiados por donos de bares e restaurantes.
Entre as 51 pesquisas que usam dados objetivos, oito apontaram impactos negativos da proibição, mas nenhuma delas havia sido revisada por outros cientistas -por essa razão, não seriam aceitas numa publicação científica de respeito. Das 64 que recorrem a dados subjetivos, 19 concluíram que o banimento traz prejuízos a bares e restaurantes.
Segundo a pesquisadora, a maioria dos trabalhos que usou dados subjetivos "foi bancada pela indústria do cigarro ou por organizações ligadas a essa indústria" como ela escreveu na pesquisa, publicada em 2005.
Os trabalhos que foram aprovados segundo os critérios científicos não permitem concluir quase nada, afirma. "Estudos de alta qualidade tendem a concluir que a legislação que proíbe o cigarro não afeta negativamente a indústria da hospitalidade", conclui.

A história
O banimento do cigarro em bares e restaurantes começou nos EUA e se espalhou pelo mundo numa velocidade impressionante. A primeira cidade a banir o fumo foi San Luis Obispo, na Califórnia, em 1990. Hoje, o fumo sofre restrições em praticamente todos os Estados americanos, na maior parte da Comunidade Européia e começa a avançar no Japão.
A pesquisa canadense segue essa trajetória. O meio mais freqüente para medir o impacto do banimento do fumo é acompanhar a arrecadação de impostos de bares e restaurantes. Na Flórida, onde o fumo sofre restrições desde 2003, um estudo acompanhou a arrecadação de impostos e o nível de emprego entre janeiro de 1990 e abril de 2004.
O resultado aponta que houve aumento de vendas e de emprego em bares e restaurantes, mas não na chamada indústria da hospitalidade como um todo, a qual inclui hotéis e parques como a Disneyworld.
Em Nova York, estudos feitos pelo departamento de saúde mostram que as vendas em restaurantes cresceram 8,7% de abril de 2003, após o banimento do fumo no Estado, e janeiro de 2004.
Há pelo menos duas explicações para o aumento: 1) os não fumantes, que são maioria na população, passaram a ir mais a bares e restaurantes com o banimento; 2) fumantes ficam mais tempo nos bares, mas não consomem tanto quanto não fumantes.

A razão da preocupação
A indústria se preocupa com as restrições ao fumo porque esse tipo de medida tem um grande impacto sobre as vendas. Um documento de 1992 da Philip Morris, que se tornou público por ordem judicial, traz algumas pistas em relação a esse impacto.
Pesquisa encomendada pela Philip Morris revelava à época que a proibição do fumo nos locais de trabalho reduzia o consumo entre 11% e 15%. Entre os fumantes que sofriam esse tipo de restrição, a taxa dos que queriam deixar de fumar era 84% maior que aqueles que podiam fumar livremente no trabalho.
Se o fumo fosse banido de todos os locais de trabalho em 1992, o consumo médio cairia de 8,7% a 10,1%. A indústria sabe muito bem como funciona sua galinha dos ovos de ouro.

 

 

 
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