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EUA pesquisam ligação entre exercício e combate às drogas (11/6/2008)
Fabiana Fregona

Fonte: O Estado de S.Paulo

segunda-feira, 9 de junho de 2008, 18:10 | Online

Há pistas de que atividades físicas possam estimular mudanças no cérebro que evitem vícios

WASHINGTON - É claro que exercícios são bons para sua cintura, coração e ossos - mas será que eles também são bons para evitar o vício em álcool e drogas?

 Há algumas pistas interessantes, mas improváveis, de que atividades físicas possam estimular mudanças no cérebro que levam a isso. Agora, o governo dos Estados Unidos está impulsionando as pesquisas para provar a questão.

 E não se trata de levar pessoas comuns à excelência em qualquer esporte.

 Ao contrário, a pergunta que os cientistas se fazem é quanto atividades físicas regulares e de intensidade variada - como correr, dançar, pedalar, nadar - podem afetar o humor, a performance acadêmica e até mesmo recompensar os sistemas no cérebro que podem ser "seqüestrados" pelo abuso de drogas.

 O que primeiro atraiu a atenção da chefe do Instituto Nacional de Abuso de Drogas, Nora Volkow, foi um estudo que descobriu que jovens e adolescentes que faziam exercícios diários eram 50% menos propícios a fumar, além de terem 40% menos chances de experimentarem maconha.

 Nora sabe - de seus 10 quilômetros diários de corrida e de seus experimentos científicos - que o cérebro literalmente gosta de atividades físicas. Exercícios parecem revigorar neurotransmissores que dão a sensação de prazer.

"Em crianças, é inato", diz ela. "Crianças querem se mover."

 No entanto, as crianças norte-americanas se tornam cada vez mais sedentárias, como se pode notar através da epidemia de obesidade, com o "tempo de tela" substituindo brincadeiras do lado de fora de casa. Crianças e jovens sedentários se tornam adultos sedentários.

 "Por que nós perdemos a habilidade de sentirmos prazer com exercícios físicos?", se pergunta Nora.

Semana passada ela trouxe mais de 100 especialistas em exercícios e neurobiologia para uma conferência de dois dias que explorou o potencial das atividades físicas para o combate do abuso de drogas e anunciou um financiamento de US$ 4 milhões (R$ 6,5 milhões) para pesquisas.

 Tratamentos para drogas normalmente incluem exercícios, parcialmente para manter as pessoas distraídas, mas houve poucas pesquisas para entender os efeitos disso.

 A melhor evidência foi encontrada pela Universidade Brown, que levou fumantes à academia três vezes por semana e descobriu que adicionar exercícios às rotinas de quem quer parar de fumar dobra as chances de mulheres cortarem definitivamente o hábito, com uma vantagem extra: elas engordavam metade do peso que as mulheres que paravam de fumar sem se exercitar, disse a pesquisadora Bess Marcus.

Ela agora está trabalhando em um estudo maior para provar o benefício.

 Bess alerta que pessoas tentando largar um vício têm um grande incentivo para praticar exercícios. Isso poderia, possivelmente, se traduzir em prevenção? Entre as pistas:

 - Ratos têm menos probabilidade de ingerir anfetaminas se suas gaiolas têm rodas para exercício, sugerindo que as atividades físicas estimulam um caminho de recompensa no cérebro que os deixa menos vulneráveis às drogas.

- Em humanos, exercícios atuam como leves antidepressivos e aliviam o estresse. Depressão, ansiedade e estresse aumentam os riscos de alcoolismo, tabagismo e abuso de drogas.

 - Nora acredita ser intrigante que tanto o déficit de atenção quanto a obesidade envolvam problemas com um produto químico cerebral, a dopamina, um sistema que as drogas "seqüestram" para criar o vício.

 - Filhotes de macacos que não brincam o suficiente na infância têm problemas para controlar a agressividade quando mais velhos. Os mais agressivos tendem a ter defeitos envolvendo outro neurotransmissor, a serotonina, e bebem quando os pesquisadores oferecem álcool.

 - Voltando ao ratos, atividades físicas aumentam a produção de fatores de crescimento e células-tronco em regiões chave do cérebro importantes para o aprendizado e humor; aumenta a formação de vasos sanguíneos e fortalece as redes de comunicação entre neurônios.

 Mesmo com tudo isso, os resultados ainda oferecem poucas respostas para entender a ligação entre exercícios físicos e abuso de drogas, alertaram os cientistas no encontro dos Institutos Nacionais da Saúde.

 
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