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O hábito que continua na moda em Cuiabá (16/6/2008)
Fabiana Fregona

Começo a achar que a nicotina seja essencial para manter o ânimo no calor senegalês que faz por aqui. Fumantes são muitos, senão a maioria

Valéria del Cueto
Especial para o Diário de Cuiabá

Estou impressionada com a quantidade e a qualidade de fumantes que tenho encontrado em Cuiabá. A atitude politicamente correta e saudável de abandonar o hábito de ter sempre um cigarro na mão não parece ter sensibilizado a maioria da população local, quiçá estadual.

Começo a achar que a nicotina seja essencial para manter o ânimo no calor senegalês que faz por aqui. Talvez inspirar a fumaça provoque uma momentânea alteração na temperatura corporal, aliviando um pouco a sensação térmica, sei lá... O fato é que a ala dos fumantes é ampla maioria nestas plagas.

Aí está, mais uma provável explicação para a longevidade do Chopão nas paradas de sucessos da Cidade Verde. Salsicha, garçon do local há mais de 20 anos, me deu a luz: lá não há área de fumantes, a casa é toda aberta, o que faz do local o paraíso dos pitadores inveterados de plantão.

No Getúlio, me contam que a área de fumantes tem ar refrigerado. Juro que fiquei preocupada. Lembrava que no meio do pátio havia uma árvore enorme e linda. Se colocaram ar refrigerado em todo o espaço, o que haveria acontecido com ela?

A dúvida virou uma baita surpresa quando a vi, numa excursão ao antigo pátio lateral do estabelecimento. Ela está lá. Linda e imponente. Cercada de vidro por todos os lados, isolada da fumaceira gerada pelos freqüentadores. Fumaça esta, imperceptível, pois deve ser sugada por um sistema de exaustores poderoso.

Vivinha da Silva, a árvore que já serviu de base no passado para apoio do data show que gerava imagens no telão da casa, hoje é uma peça preservada e ainda tem diversas utilidades decorativas servindo, inclusive, de suporte para vários vasos de outras plantas. Todas elas muito bem cuidadas e aparentemente felizes.

Esta é a Cuiabá moderna, encontrando soluções criativas para preservar suas tradições, entre elas o direito (fora de moda no resto do país e no mundo civilizado, insisto) de fumar.

O Ministro da Saúde, José Gomes Temporão ainda não se deu conta do prato cheio que teria por aqui. Há uma população inteira para catequizar.

Mas um dia, quando o índice de óbitos e doenças decorrentes do consumo do cigarro começar a se refletir nas estatísticas do Ministério da Saúde, principalmente nos cu$to$ de tratamento de doenças provocadas pelos inúmeros males provocados pelo cigarro, aí Mato Grosso vai chamar a atenção (adoramos celebrar o fato de sermos os primeiros, os mais, etc)

Infelizmente, com um destaque tão vergonhoso quanto o que temos hoje em dia nos quesitos educação (vide nossa incrível colocação no ENEM e também nossa performance no exame nacional da OAB) e meio ambiente (neste caso, não é preciso nem citar nossa posição no ranking, não apenas nacional, mas também mundial).

Alguns leitores, com quem tenho me encontrado nos últimos dias, vão pensar com seus botões. “Mas o que é que a Valéria está falando? Ela sempre me pede um cigarro quando nos encontramos!” É verdade, sou um caso quase perdido não fosse o fato de que, quando não estou em Mato Grosso, não costumo sucumbir ao vício. Acontece que acho que não há nada mais chato do que ficar pedindo para os amigos que respeitem meus direitos de não fumante. Por isso, adoto a antiga e sábia máxima: em Roma, haja como os romanos.

Aqui, ajo como os locais: caio no crime, esqueço minha saúde e ainda ajudo os parceiros. Cada cigarro que acendo é um a menos no pulmão alheio.

Quando (e se) voltar pro Rio no final do ano, retomo meus hábitos saudáveis, educados e civilizados de não fumante. Até lá, me solidarizo com a atitude politicamente incorreta dos amigos e rezo para que esta incongruência existencial não me traga maiores prejuízos...
 
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