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Indústria busca apoio parlamentar para evitar novas restrições ao vício (23/6/2008)
Fabiana Fregona

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http://jbonline.terra.com.br/sitehtml/papel/pais/papel/2008/06/22/pais20080622014.html

 

200 mil vivem do fumo. 200 mil morrem pelo cigarro

Raphael Bruno

Brasília

Acuada pela possibilidade de sofrer restrições legais mais severas, a indústria do fumo investe pesado no estabelecimento de relações próximas com parlamentares. A nova aposta do setor tabagista para evitar que iniciativas como o fim dos "fumódromos" sigam em frente é tentar sensibilizar parlamentares para a situação dos agricultores que hoje dependem da plantação do fumo para sobreviver. No Brasil, pelos cálculos da própria indústria, cerca de 200 mil pequenos produtores obtém sustento na fumicultura. Curiosamente, esta também é a estimativa de mortes anuais devido ao uso do cigarro no país.

A estratégia parece estar funcionando. No início do mês, a Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural da Câmara realizou audiência pública para debater as perspectivas da indústria tabagista. O evento se transformou numa espécie de homenagem à importância econômica do plantio de fumo.

– Normalmente se fala mal do fumo – admitiu Luiz Carlos Setim (DEM-PR), enquanto presidia a audiência. – Mas aqui estamos numa audiência para ver qual fumo é o melhor, se é o do Sul ou da Bahia.

O comentário foi uma brincadeira. Mas resumiu bem o tom com o qual foram conduzidas as discussões da audiência.

– Nunca houve nenhuma preocupação do poder Executivo de trabalhar com o setor fumo – reclamou Antônio Arantes Lício, consultor do Sindicato da Indústria do Fumo da Bahia, exigindo políticas governamentais de apoio à produção tabagista. – O cigarro hoje é visto como um produto inaceitável. Nós temos que reverter essa situação e só nessa casa podemos começar a fazer isso – defendeu.

A autora do requerimento de convocação da audiência, deputada Jusmari Oliveira (PR-BA), declarou-se na audiência "combatente ferrenha do fumo". Mas, oriunda de uma das regiões agrícolas brasileiras mais dependentes do plantio de fumo, o Recôncavo Baiano, não hesitou em sair em defesa da indústria.

– Qual será a alternativa produtiva? Os agricultores não estão sendo capacitados nem preparados para plantar outra coisa – afirmou. – Então vamos começar a votar leis e combater decretos que venham no sentido da hipocrisia.

Supersimples

A deputada criticou ainda medidas como a proibição das indústrias do setor de aderirem ao regime supersimples de tributação e de obterem acesso à financiamentos governamentais como os do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf).

O deputado Luiz Carlos Heinze (PP-RS), outro com raízes em uma região onde o plantio de fumo assume papel dinamizador da economia – a região Sul do país concentra 95% da área plantada do país – seguiu a mesma linha.

– Enquanto não tivermos política definida de diversificação da produção é preciso sim voltar incentivos para a agricultura, indústria e comércio do fumo – disse.

Na Câmara, 13 deputados receberam, ao todo, R$ 674 mil em doações eleitorais de empresas do setor em 2006 (confira quadro). Quase sete vezes mais do que os R$ 97 mil injetados pela indústria nas eleições anteriores, de 2002. Heinze foi o deputado federal que mais recebeu contribuições do setor nas últimas eleições, R$ 120 mil.

 

Caixa de campanha

José Otávio Germano (PP-RS) –           R$ 113 mil

Sérgio Moraes (PTB-RS) –                     R$ 72 mil

Cândido Vaccarezza (PT-SP) –               R$ 60 mil

Nice Lobão (DEM-MA) –                      R$ 50 mil

Olavo Calheiros (PMDB-AL) –               R$ 50 mil

Efraim Filho (DEM-PB) –                       R$ 50 mil

Mendes Ribeiro Filho (PMDB-RS) –       R$ 45 mil

Abelardo Camarinha (PSB-SP) –            R$ 35 mil

Jorge Tadeu Mudalen (DEM-SP) –         R$ 25 mil

Arnaldo Madeira (PSDB-SP) –               R$ 25 mil

Afonso Hamm (PP-RS) –                       R$ 23 mil

Fernando Diniz (PMDB-MG) –                 R$ 5 mil

TOTAL: R$ 674 mil


Desde 2006 o Ministério do Desenvolvimento Agrário implantou o Programa Nacional de Diversificação em Áreas Cultivadas com Tabaco. A idéia é fornecer o apoio necessário para que pequenos produtores de fumo possam cada vez mais investir em outras plantações.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Investimento

Apesar do modesto investimento de R$ 10 milhões realizado nos primeiros dois anos de programa, a Secretaria de Agricultura Familiar do ministério garante que a iniciativa atinge cerca de 19 mil famílias em 500 municípios e que as áreas de plantio de fumo já foram reduzidas de 416 mil hectares, em 2005, para 344 mil hectares, em 2008.

– Claro que temos que pensar em substituir esta cultura – confirma Mendes Ribeiro Filho (PMDB-RS). – Tem que ser por outras que tenham a mesma lucratividade.

O peemedebista recebeu R$ 45 mil do setor nas eleições de 2006.

– A maldade está nos olhos de quem vê. É natural que eu, como deputado da minha região, vá pedir dinheiro para as empresas que são competitivas nela – argumentou.

Mais da metade dos R$ 674 mil doados pela indústria do fumo em 2006 estão concentrados em apenas cinco parlamentares eleitos pelo Rio Grande do Sul.

 

                                       22 de junho de 2008

http://jbonline.terra.com.br/editorias/pais/papel/2008/06/22/pais20080622015.html 

 

O que a indústria do cigarro pensa I

Vício

"Nicotina vicia. Nós estamos, então, no negócio de vender nicotina – uma droga viciante efetiva na liberação de mecanismos de estress" (Brown & Williamson, 1963)

"O cigarro deveria ser concebido não como um produto mas como um pacote. O produto é a nicotina... pense num maço de cigarro como um recipiente para uma dose diária de nicotina. Pense na fumaça como o veículo da nicotina" (Philip Morris, 1972)

"Certamente um grande número de pessoas continuará a fumar porque são incapazes de parar. Se eles pudessem o fariam. Não mais pode ser dito que eles estão tomando uma decisão adulta" (British American Tobacco, 1980)

Propaganda

"O problema é: como você vende morte? Como você vende um veneno que mata 1.000 pessoas por dia? Você o faz em espaços abertos...as montanhas, os lugares abertos, os lagos vindo para a margem. Eles fazem com pessoas jovens e saudáveis. Eles fazem com atletas. Como poderia um trago de um cigarro ser de qualquer mal em uma situação como aquela? Não poderia – há muito ar fresco, muita saúde – esse é o jeito que eles fazem" (Fritz Gahagan, consultor de marketing para a indústria do cigarro)

"Nosso objetivo é fortalecer a imagem da marca Marlboro em relação à excitação, vitalidade e masculinidade, especialmente entre consumidores jovens" (Philip Morris, 1990, ao patrocinar evento automobilístico em Taiwan)

"Enquanto os esportes são de longe o melhor palco para atrair e influenciar nosso núcleo-alvo de fumantes, não é a única forma. Filmes e videos internacionais também têm tremendo apelo para jovens consumidores na Ásia" (Philip Morris, 1990)

"Música é o segundo dos nossos temas-alvo promocionais e Marlboro está envolvida de uma grande forma. O benefício real do conceito é a qualidade do contato pessoal que garanta que Marlboro e música estejam firmemente ligados na mente do nosso público-alvo" (Philip Morris, 1990)

Agricultores

"Nós devemos abordar os países plantadores através das nossas conexões compradoras de folha de tabaco e não através dos nossos interesses de fabricantes de cigarros em cada país. A vantagem é que a abordagem é feita pelas forças agricultoras de cada país, por pessoas que por si mesmo pertencem ao terceiro mundo, e não por uma indústria que já está sob ataque, por empresas multinacionais que somente se importam com seus lucros excessivos" (British American Tobacco, 1979)

  

 

 
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