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Dia Mundial Sem Tabaco: Fumando, espero... (2/6/2008)
Fabiana Fregona

fonte: http://oglobo.globo.com/opiniao/mat/2008/05/30/dia_mundial_sem_tabaco_fumando_espero_-546577351.asp

Publicada em 30/05/2008 às 15h12m

Por Sagrado Lamir David

Comecei a fumar há mais de 50 anos, iludido pelo chamamento da propaganda que elevava o ato de fumar como demonstração de coragem, de atitude e até de "sex appeal" com o apelo do famoso tango de Gardel, "Fumando, espero...", em que o sedutor esperava sua amada soltando baforadas em círculo daquilo que, sem sabê-lo, viria certamente a matá-lo. Não a amada, mas o cigarro!

" Hoje sabemos que o fumo se trata de um vício que prejudica tudo e que iludiu a muitos "

Hoje, ao contrário, sabemos que se trata de um vício que prejudica tudo e que iludiu a muitos à época. O assunto é chamativo e sei, por experiência própria, que levará muitos leitores, especialmente os fumantes, a lerem seriamente o meu texto. Texto e não pretexto, como costumam ser os avisos e conselhos àqueles que, precisando de ajuda, se deixam envolver por interesses comerciais e de propaganda de remédios contra o fumo, panacéias e demais manipulações que apenas enchem os bolsos da mídia e dos fabricantes.

Também lucram com o fumo as indústrias de cigarros e outros correlatos do tabaco, como, e criminosamente, o governo, que se permite participar do assalto à saúde e ao bolso dos viciados, visto que seus impostos atingem 30% dos lucros. Isto é, são quase sócios da máfia dos vícios contra a saúde.

Mas não nos desviemos do assunto a que me proponho: Como parei de fumar?! Simplesmente, para os práticos e objetivos, parando... Mas como? Iniciando, continuando e permanecendo com a atitude corajosa de não fumar.

" Não foi fácil parar de fumar. É uma obrigação contar-lhes, mesmo sabendo que cada um tem sua história de como deixou de fumar "

Não foi fácil. É uma obrigação contar-lhes, mesmo sabendo que cada um tem sua história de como deixou de fumar; uma vez que aqueles que não o conseguiram jamais relatarão os seus fracassos. Contudo, o oposto, um depoimento glorioso, de vitória sobre o vício, da reconquista, pela força de vontade, da auto-estima, do amor-próprio, apenas sensibilizará a todos sobre também seguirem os exemplos vitoriosos daqueles que conseguiram.

Comecei mambembe. Diminuindo, ao invés de parar, notei que à qualquer emoção, feliz ou infeliz, vinha sempre a desculpa covarde de mais um cigarro, para tirar a ansiedade, até voltar ao vício. Ao tentar parar de vez, de supetão, aconteceu o pior: despistadamente, sem ninguém notar, fumava escondido, no banheiro, no quarto fechado. Mas como a mentira tem pernas curtas, sempre alguém me denunciava. Pelo cheiro que deixava, pela guimba traiçoeira num canto.

Além das admoestações, quando me sentia nervoso pelo hercúleo esforço de perder o vício, um familiar, sem paciência, me gritava: "volte a fumar antes que cometa um desatino, matando alguém ou sendo morto!". A desmoralização se estabelecia e crescia a cada nova tentativa, pois não faltavam os detratores de nossa coragem, ou melhor, os passivos estimuladores de nossos fracassos.

" Em todas as vezes que falhei na tentativa, descobri algo que me horrorizou: a fragilidade do caráter do ser humano "

Foram cinco tentativas baldadas, visto que só me sentia "normal" fumando. "Normal", disse eu? Fraco, covarde e sem personalidade humana e existencial, digo agora! E foi por assim pensar que parei, depois de uma bronquite rebelde e duas pneumonias, consciente, hoje, como ex-fumante e como médico, de que uma pessoa que fuma tem sua saúde e sua resistência às doenças reduzidas à metade. Consciente de que estava sempre à espera de uma desculpa covarde para voltar a fumar.

Em todas as vezes que falhei na tentativa, descobri algo que me horrorizou: a fragilidade e a vulnerabilidade do caráter do ser humano. E foi o que fiz: prometi-me, a partir de tal conclusão, que, também a partir daquele momento, nenhuma felicidade, nenhuma tristeza, nenhum mal, nenhum bem serviriam para que eu me entregasse, covarde e cinicamente, a qualquer coisa que me fizesse mal. Ao contrário, ao invés de desculpas covardes, serviriam tais acontecimentos para reforçar o meu caráter e o meu exemplo de dignidade para ser útil a todos que me cercassem.

Sagrado Lamir David é médico, alergista, imunologista e ex-professor de Farmacologia da UFJF

 
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