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Nos cinemas, Obrigado por Fumar, com Katie Holmes (18/8/2006)
ACTBR

Fonte: Estadão
18 de agosto de 2006

SÃO PAULO - "Obrigado por Fumar" começa com a reprodução de um debate sobre os perigos do fumo para a saúde em um programa de TV popular, desses que são exibidos na programação vespertina de qualquer rede ao redor do mundo. Nick Naylor (Aaron Eckhart), porta-voz da indústria tabagista americana, aparece num palco ao lado de um jovem ex-fumante com câncer em estágio terminal e representantes da sociedade que estão lá obviamente para garantir sua derrota. Logo depois que o debate começa, Naylor toma a palavra e, fazendo uso de retórica convincente, faz todos acreditarem, na platéia e por detrás da suposta tela, que não há provas científicas de que o fumo provocou a tragédia do rapaz.

O filme do estreante Jason Reitman, inspirado no romance homônimo de Christopher Buckley, coloca em primeiro plano um homem que vende sua convicção a quem pagar mais, justamente porque sabe que seu valor está na habilidade com a retórica e não em valores x, y ou z. Narrado em tom de comédia, acompanha a trajetória desse homem aparentemente vazio e a sua relação com o filho de 12 anos, Joey (Cameron Bright), que mora com a mãe. O garoto tem sentimentos divididos com relação ao pai, muito em função dos ressentimentos destilados pela mãe.

A imprensa americana, uma boa parte dela, definiu "Obrigado por Fumar" como um filme sobre a era do controle do informação - o que os americanos chamam de spin off. É uma maneira mais educada de traduzir a atual tendência de setores das grandes indústrias e até do governo de manipularem os meios de comunicação e outros setores da sociedade civil. No entanto, há por trás disso a questão da responsabilidade paterna, do espelho que um pai pode ser para um filho. Parece ser apenas mais uma trama paralela em um entrecho complicado. Mas não é.

"Chris Buckley disse uma vez que a grande sátira deveria ser um espelho", escreveu Reitman, por e-mail, de Berlim, em entrevista para o Estado. "Então, acho que ambas as idéias estão certas. Para quem espera uma investigação sobre a manipulação da informação, este filme reúne todos os envolvidos. Quem procura uma abordagem libertária sobre a questão do tabaco, que promove a idéia de uma escolha pessoal, também vai encontrar isso. Claro, a relação entre Nick e Joey foi crucial, no sentido de que cristalizou a discussão da paternidade, que deve ser considerada quando se fala de responsabilidade social."

Exibido em Sundance, o filme causou polêmica. Os jornalistas presentes relataram que cenas de sexo entre Aaron Eckhart e Katie Holmes, que faz o papel de uma repórter oportunista, eram muito mais quentes do que as deixadas na edição final. E que depois de uma conversa amistosa de Tom Cruise, noivo de Katie e pai da filha que a atriz teve recentemente, produtores resolveram cortar a seqüência.

"Isso é absolutamente falso", garantiu Reitman, na entrevista por e-mail. "O que houve foi um corte acidental de um projecionista do Sundance. O que eu acho mais engraçado, é que não importa quantas vezes eu explique, ainda ouço perguntas sobre isso. Acho que as pessoas simplesmente preferem a versão à verdade. O que posso dizer... A manipulação opera de maneira misteriosa."

Na verdade, trata-se de um filme sobre o poder predatório da palavra numa era em que a imagem reina absoluta. É claro que Reitman, filho do diretor Ivan Reitman ("Os Caça-Fantasmas"), coloca o sentimento como um catalisador das relações afetivas e uma espécie de amplificador da humanidade que existe dentro de todos nós. Mas não é redentor. Nesse sentido, consegue ser original, ousado e nada condescendente. Atua como um observador bem humorado de um estado de coisas que parece ser irreversível.

 
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