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SAÚDE: Crianças são expostas ao cigarro (10/9/2006)
Paula Johns

Fonte: http://www.investnews.com.br/integraNoticia.aspx?Param=41%2C0%2C1%2C187288%2CUIOU

NATAL, 1 de setembro de 2006 - Quando os especialistas recriminam os pais que fumam perto dos filhos pequenos, eles sabem o que estão dizendo. Um estudo desenvolvido pelo Hospital Universitário da Universidade de São Paulo (HU-SP) concluiu que o corpo da criança funciona como uma esponja para as substâncias tóxicas da fumaça, por isso as chances dela sofrer dos principais problemas causados pelo fumo são maiores. E o mais grave: o estudo constatou que não são poucas as crianças expostas à fumaça do cigarro em casa. De mil crianças de 0 a 14 anos analisadas, 51% são fumantes passivas. Segundo o estudo, é como se elas fumassem cinco cigarros por dia.
Os dados são preocupantes em um País onde 18,8% da população acima de 15 anos fuma (o eqüivalente a 23 milhões de brasileiros, segundo estatística de 2005 do Instituto Nacional do Câncer — Inca).A médica pneumologista Tânia Diniz Godeiro revela que um elevado percentual das crianças com problemas respiratórios que se consultam com ela, na clínica Pneumocentro, em Natal, tem fumantes em casa.
O tabagismo — ativo e passivo — causa danos enormes, mas em crianças de 0 a 5 anos o estrago é maior. Isso porque nessa idade o sistema respiratório delas ainda está em fase de maturação, e também porque as crianças nessa faixa etária respiram mais vezes que os adultos, o que faz com que elas aspirem mais fumaça, impedindo a passagem do oxigênio, explica Tânia.
Segundo a pneumologista, esses dois fatores fazem com que as crianças pequenas tenham uma predisposição a infecções da via área superior, apresentando problemas como sinusite, renite, otite e amigdalite; e também da via aérea superior, desenvolvendo doenças como bronquite, asma e pneumonia, além da possibilidade de apresentar câncer na idade adulta. Tânia diz que filhos de pais fumantes têm seis vezes mais chances de desenvolver câncer na idade adulta do que filhos de pais que não fumam.
O estudo do Hospital Universitário da USP constatou que o risco de uma criança de pais fumantes ter otite (inflamação no ouvido) é 48% maior do que numa criança de pais não fumantes. Caso só a mãe fume, o risco é de 38%; só o pai, 21%. A chance de ter bronquite é de 72% se os dois fumam.
A pneumologista Tânia Diniz Godeiro fala que essa diferença está relacionada ao tempo que cada um passa com o filho. A mãe costuma ficar mais próxima dos filhos, por isso se ela fuma, o risco de a criança desenvolver algum problema é maior, fala a médica, informando ainda que de quase nada adianta o adulto fumar na janela.
É um pouco menos prejudicial do que em ambiente fechado, mas faz mal do mesmo jeito porque as substâncias ficam no ar. A pessoa sente logo o cheiro forte. Imagine que o cigarro tem quase 1.800 substâncias tóxicas, entre as quais estão a nicotina e o monóxido de carbono; essa última dificulta a oxigenação.
Na gestação, como é a mãe que nutre o feto, fumando ela faz as substâncias chegarem à criança em formação, impedindo a passagem do oxigênio, o que aumenta as chances de aborto, partos prematuros e má formação do feto. As crianças que nascem têm predisposição a doenças alérgicas e respiratórias, além de serem potenciais candidatos a desenvolver câncer.
Mulher admite ter fumado na gravidez
Todos os quatro filhos pequenos da dona-de-casa Valdenir Oliveira da Silva, 24 anos, sofrem de problemas respiratórios (asma e falta de ar). A causa? A fumaça do cigarro. Valdenir fuma desde os 15 e não suspendeu o hábito nem nos períodos de gestação dos filhos, de 7, 5, 3 e 2 anos.
A dona-de-casa fuma uma média de 20 cigarros por dia. Ela diz ter noção do mal que o produto provoca nela e nas crianças. Já pensou em parar, mas não conseguiu.
Ela garante que maneirou no cigarro na gravidez dos dois últimos filhos e que, atualmente, ou ela sai para fumar fora da casa ou os meninos saem, pois o problema de dificuldade de respiração piora com a fumaça. Depois de adulta, a assistente administrativa Lúcia Sena, 33, desenvolveu um pigarro na garganta e uma alergia devido à fumaça de cigarro que aspirou quando era criança. Ela conta que na família de nove pessoas cinco fumavam. A gente morava no interior, numa casa pequena, um em cima do outro, diz.
Lúcia fala que o problema já foi tão sério que seu médico não acreditava que ela nunca tivesse fumado cigarro. O médico disse que o meu problema era típico de quem fumava, diz a assistente administrativa, que hoje está bem melhor do pigarro, após fazer tratamento.
Casos como o da assistente administrativa e dos quatro filhos pequenos de Valdenir Oliveira da Silva são mais comuns do que se pode imaginar. A pneumologista Tânia Diniz Godeiro fala que ao consultar as crianças que chegam com problemas respiratórios em seu consultório a pergunta tem fumante em casa é crucial. (Tribuna do Norte)

 
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