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Fumantes têm mais chances de contrair doença de Crohn (26/9/2007)
Fabiana Fregona

Fonte:http://www.correiodabahia.com.br/aquisalvador/noticia.asp?
codigo=137823

Patologia incurável é de origem desconhecida e afeta o aparelho digestivo

Camila Vieira
A doença de Crohn (DC) é uma inflamação crônica (incurável) de uma ou mais partes do aparelho digestivo, que vai desde a boca, passando pelo esôfago, estômago, intestino delgado e grosso até o reto e ânus.
De causa desconhecida, a patologia pertence ao conjunto das chamadas doenças inflamatórias intestinais (DII). Estudos feitos nos Estados Unidos e Europa tentaram relacionar fatores ambientais, alimentares ou infecções como responsáveis pela doença, mas nada ficou confirmado. Entretanto, comprovou-se que fumantes têm de duas a quatro vezes mais risco de contrair o mal.

A doença leva o nome do médico que a descreveu em 1932. Especialistas suspeitam que particularidades da flora intestinal (microorganismos que vivem no intestino e ajudam na digestão) e do sistema imunológico (mecanismos naturais de defesa do organismo) poderiam estar relacionadas ao mal. Mas, sabe-se que nenhum desses fatores, isoladamente, poderia explicar por que a doença acomete o indivíduo.

O reumatologista e presidente da Associação Brasileira de Colite Ulcerativa e Doença de Crohn, Flávio Steinwurz, afirma que, além da ligação com o tabagismo, a influência de fatores genéticos também pode desencadear a doença. Segundo ele, parentes de primeiro grau de um portador de Cronh têm cerca de 25 vezes mais chance de contrair a doença do que uma pessoa sem parentes afetados pela patologia.

O especialista explica que o mal costuma acometer com mais freqüência pessoas entre 20 e 30 anos, apesar de também haver registros de casos em bebês e idosos. Diarréia, dor abdominal (cólica), náuseas, vômitos, febre moderada, sensação de distensão abdominal piorada após as refeições, perda de peso, mal-estar geral e cansaço são os sintomas da doença.

A patologia também pode provocar eliminação de sangue, mucosa ou pus, junto com as fezes. O reumatologista alerta para o cuidado com o diagnóstico. "Muitas vezes a doença só se manifesta em apenas uma região, como na boca, através de aftas; no ânus, em forma de hemorróidas; ou em uma inflamação no intestino, que provoca cólicas e diarréia. Os sintomas são muito genéricos, por isso, é preciso uma
analise clínica detalhada", explicou.

Problemas associados - Outras manifestações da patologia são as fístulas, canais de comunicações anormais que permitem a passagem de fezes entre duas partes dos intestinos ou do intestino com a bexiga.
Steinwurz explica que tal situação costuma expor a pessoa a infecções freqüentes e que, quando a doença causa esse sintoma, geralmente é preciso uma intervenção cirúrgica. As fístulas ocorrem isoladamente ou em associação com outras doenças da região próxima ao ânus, como fissuras anais e abscessos.

Também podem ocorrer outras complicações, que vão desde os abscessos (bolsas de pus) dentro do abdômen, obstruções intestinais, desnutrição e os cálculos vesiculares devido à má absorção de certas substâncias. Em casos menos freqüentes, embora mais graves, o mal pode originar um câncer no intestino grosso e sangramentos digestivos. Alguns pacientes portadores da doença podem apresentar
evidências externas ao aparelho digestivo, como manifestações na pele, nos olhos (inflamações), nas articulações (artrites) e nos vasos sangüíneos (tromboses ou embolias).

***

Diagnóstico e tratamento

O reumatologista e presidente da Associação Brasileira de Colite Ulcerativa e Doença de Crohn, Flávio Steinwurz, explica que o mal é diagnosticado através do histórico do paciente e do exame clínico.
Segundo ele, caso haja alguma suspeita, o médico costuma solicitar radiografias que podem auxiliar na confirmação da patologia, sobretudo no intestino grosso.

A patologia é tratada caso a caso, a depender das manifestações da doença em cada paciente. Como não há cura, o objetivo do tratamento é o controle dos sintomas e das complicações. Pessoas já doentes são orientadas a não fumar, como forma de evitar novas crises.

Segundo Steinwurz, não existe uma dieta específica; as restrições alimentares variam com o quadro do paciente. "Em algumas pessoas, observa-se intolerância a certos alimentos, a exemplo da lactose (açúcar encontrado no leite). Nesses casos, recomenda-se evitar o leite e seus derivados, capazes de provocar a diarréia ou a piora de outros sintomas", destaca o especialista.

Ele acrescenta que indivíduos que manifestarem a doença no intestino grosso podem ter benefícios com dieta rica em fibras (muitas verduras e frutas), enquanto que indivíduos com obstrução intestinal devem seguir dieta sem fibras. Além de adequações nos hábitos alimentares, medicamentos específicos podem ser usados para o controle da diarréia
com razoável sucesso. O uso desses medicamentos deve sempre ser orientado pelo médico, já que há complicações graves relacionadas ao seu uso inadequado.

De acordo com o reumatologista, alguns doentes com episódios graves e que não melhoram com uso das medicações nas doses máximas e pelo tempo necessário podem necessitar de cirurgia para retirada da porção
afetada do intestino. Situações que também requerem cirurgia são as que provocam sangramentos graves, abscessos intra-abdominais e obstruções intestinais.
Maiores informações sobre a doença podem ser adquiridas através do site da Associação Brasileira de Colite Ulcerativa e Doença de Crohn
(
www.abcd.org.br).

 
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