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"Cigarro é uma droga; nem comece" (7/9/2008)
Folha de S. Paulo

Caderno Mais

Domingo, 07/09/08

 

Tentativa de fazer filho parar de fumar foi a motivação de "experimento" que durou 1 mês, diz autor

ERNANE GUIMARÃES NETO
DA REDAÇÃO

Em um país onde a bandeira do politicamente correto se impõe a ponto de encobrir a visão, um vício trivial como o cigarro já pode ser enxergado como uma emocionante transgressão.
Foi nessa "aventura" que embarcou Tom Chiarella, hoje com 47 anos: um adulto norte-americano aprender a fumar tabaco.
Ciente dos males do tabagismo, que matou cerca de 5,4 milhões de pessoas em 2005, segundo a Organização Mundial da Saúde, Chiarella, que é professor no departamento de inglês da Universidade DePauw, em Indiana, passou um mês fumando e conta a experiência no texto abaixo, publicado originalmente na revista "Esquire".

 

FOLHA - Fumar foi uma "investigação" ou teve outros motivos?
TOM CHIARELLA - Foram dois fatores. O incansável movimento antitabagista nos EUA, que chegou a ponto de tirar o fumo de lugares onde eu gostava de vê-lo, como bares, restaurantes e escritórios. Quero que as pessoas tenham o direito de fumar.
Elas o fazem por uma razão, que deve ter a ver com o que o fumo as faz sentir e que as permite e compele a viver. Também o fiz porque meu filho de 17 anos começou a fumar, e temi por ele. Não sou burro. Sei que é perigoso. Esperava que isso o revoltasse de algum modo, ajudando-o a parar.

FOLHA - O sr. qualificou o mês que passou fumando de "experimento" e, depois, de "impensado". Quão científica foi a experiência?
CHIARELLA - Os dados são precisos, mas não acho que poderia tirar uma conclusão deles como um cientista faria. Mantive uma caderneta. No princípio anotava as sensações que tinha; no final apenas contava quanto fumei e as marcas. Virginia Slims foi o menos desejado. Nat Sherman foi o favorito.

FOLHA - O sr. diz que fumantes parecem "fajutos" na TV. Qual é sua opinião sobre a glorificação do cigarro na cultura popular?
CHIARELLA - Estou certo de que no Brasil também também há colocação de produtos em filmes, mas nos EUA isso é muito ostensivo. Não gosto de ver uma atriz ser paga para beber Coca-Cola mais do que um ator fumar pela mesma razão.
Além disso, há uma certa mentira em sugerir uma relação de causa e efeito entre a presença do cigarro nos filmes e o fato de que pessoas fumam.
Cigarros fazem as pessoas se sentirem diferentes, até melhor. Cigarros são uma droga. É por isso que as pessoas fumam -estão se medicando. É por isso também que se bebe café.

FOLHA - Fumantes deveriam se considerar vítimas por terem de sair à rua para acender um cigarro?
CHIARELLA - Sair para fumar é um grande prazer. Conheci muitas pessoas e fiquei em pé, pensando em coisas boas, as quais jamais me ocorreriam se estivesse sentado à escrivaninha. Sair no meio do trabalho é um tipo de bênção.

FOLHA - Arrependeu-se desse mês?
CHIARELLA - De certo modo, sim. Ganhei peso durante e depois.
Senti-me deprimido. Não foi difícil parar, mas freqüentemente me sinto tentado a voltar. Entretanto aprendi muito, portanto não me arrependo.

FOLHA - Que conselho o sr. daria a quem pensa em começar a fumar?
CHIARELLA - É uma droga, vai afetá-lo como uma droga. Parece um acessório de moda, mas é uma droga. Se não toma outras drogas, por que essa?

FOLHA - E qual é o conselho para quem quer parar (além de jogar videogame por seis dias)?
CHIARELLA - Nem comece. Desista antes de desejar um cigarro. Vá acampar. Não espere que nunca mais vai querer sentir aquela sensação, a expansão no peito, a pressão do sangue para a cabeça -você vai.
Mas não julgue aqueles que decidiram fumar. Considerar o fumante um sintoma de um problema social é desumanizar suas necessidades e direitos. Isso leva a uma cultura em que as pessoas implicam com as outras para obter mudanças.
É por isso que os EUA têm uma prefeita de um subúrbio concorrendo ao segundo cargo mais importante do país [Sarah Palin, governadora do Alasca e candidata republicana a vice-presidente].
Pela força de sua convicção de que sabe mais do que qualquer outro cidadão, mais do que a comunidade científica sobre evolução e aquecimento global, ela é uma implicante classe A. Isso são os EUA hoje.

 

 

 

 
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