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Programa reduz em 52,9% o tabagismo em hospital (1/6/2006)
ACTBR

http://www.lsi.usp.br/aun/_reeng/materia.php3?cod_materia=0306885

Por Lígia Azevedo
26/05/2006


 

São Paulo (AUN - USP) - A implantação de programas de controle do tabagismo em instituições de saúde é necessária e pode ser muito eficaz. No Hospital Santa Cruz, o programa implantado reduziu o fumo em 52,9%, segundo constatou um estudo feito por Marco Antônio de Moraes. Os resultados obtidos foram recentemente apresentados como tese de doutorado aprovada na Faculdade de Saúde Pública da USP.

A pesquisa objetivou avaliar o Programa de Controle de Tabagismo do Hospital Santa Cruz. Para isso, foram pesquisados o perfil do fumante, a percepção dos funcionários sobre o programa, e ainda os números comparativos do percentual de fumantes na instituição. Além da análise específica do programa, a pesquisa também procurou abordar os diferentes aspectos envolvidos na questão do tabagismo.

Conforme mostra a pesquisa, o tabagismo é um problema multifacetado por apresentar riscos à saúde, à economia, ao meio ambiente e à sociedade. É também uma das mais sérias formas de dependência química. Enquanto problemas ecológicos causados pelo cigarro, pode-se destacar: poluição ambiental, incêndios, desmatamento e empobrecimento dos solos.

Com relação a aspectos socioeconômicos, o Banco Mundial e o FMI já reconheceram que o tabagismo agrava a fome, a pobreza e representa um entrave ao desenvolvimento dos países, visto que cada vez mais o consumo de cigarro prolifera entre a população pobre e assim consome renda para alimentação e outros itens de necessidade básica. E as perdas financeiras trazidas pelo consumo do tabaco são muito maiores do os lucros gerados por sua produção.

O preço do cigarro no Brasil é muito baixo, portanto a proposta de aumentar os impostos sobre o fumo, e em conseqüência também o preço, não vai diminuir a arrecadação, mas vai reduzir o consumo. Mas, segundo Moraes, “a política pró-tabaco está repleta de interesses pessoais, políticos, e econômicos, sendo que o comércio e o uso dessa droga estão gerando, cada vez mais, um elevado número de vítimas”.

Sobre o Programa de Controle de Tabagismo, a pesquisa constatou resultados favoráveis à sua aplicação. A colaboração dos funcionários nas ações desenvolvidas foi alta, variando de 74,3% a 99%. Entre as ações estavam intervenções educativas, palestras e jogos inter-hospitais. A conclusão obtida foi de que o programa do Hospital Santa Cruz se mostrou eficaz e conseguiu reduzir em 52,9% a prevalência de tabagismo entre seus funcionários.

Marco Antônio de Moraes chama atenção para a importância de programas como esse, que nem sempre é dada. “No país são poucos os hospitais que desenvolvem esse tipo de atividade de forma contínua e sistematizada e, quando implantados, a maioria deles não é avaliado”. Segundo o médico, o papel dos hospitais é despertar “profissionais conscientes sobre seu papel de modelos de comportamento e de educadores em relação aos usuários do sistema de saúde”. E isso se confirma pelo número crescente de unidades de saúde e empresas que implementam programas de controle do tabagismo em todo o mundo.

Moraes aponta que os profissionais de saúde têm um papel decisivo na redução do uso do tabaco e acredita que eles devem dar o exemplo, evitando fumar. “Instituição de saúde sem cigarro é uma questão de coerência, pois fumo e saúde jamais podem caminhar juntos”, afirma. E ainda acrescenta: “É inadmissível que profissionais que promovem uma campanha contra o tabagismo façam o uso dessa droga”.


Dados mundiais de tabagismo:

- No período entre 2002 e 2003, a prevalência de fumantes entre pessoas com mais de 15 anos no Brasil era de 18,8%, sendo de 22,7% entre os homens e 16% entre as mulheres.

- Entre 1995 e 2002, os países que lideraram a lista foram Kênia com 54,6%, Guinea com 57,6%, e Uruguai, com 49,5%.

- O cigarro mata 10 mil pessoas por dia.

- O mundo ganha 50 milhões de novos fumantes por ano.

- No Brasil 200 mil pessoas morrem por ano por causa do cigarro.

- De acordo com OMS, um terço da população mundial adulta fuma, sendo estimado que o número de fumantes crescerá para 1,6 bilhões até 2030.

- De 1975 a 1996, o consumo aumentou cerca de 50% em todo o mundo.

- 80% dos fumantes têm vontade de fumar mas somente 3% conseguem, sendo que desses 3%, 90% para de fumar por auto decisão.

- 439 mil hectares de área plantada com tabaco.

- 20% dos incêndios ocorridos nas florestas de todo o mundo são causados por tocos de cigarro atirados inadvertidamente.

- O Brasil gasta por ano cerca de 148 milhões de reais com internações por doenças provocadas pelo fumo.

 

 

 

 

 
ACT | Aliança de Controle do Tabagismo
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