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Tabaco: Mortal de qualquer maneira - SC (31/5/2006)
ACTBR

Fonte: O Barriga Verde - Diário de Notícias

31 de Maio de 2006

Por Gustavo Capdevila

Todos os derivados do tabaco viciam e, por essa razão, são necessárias as rígidas regulamentações expressas no Convênio Marco para o Controle do Tabaco (CMCT), afirmou a Organização Mundial da Saúde ao destacar o Dia Mundial Sem Tabaco, celebrado nesta quarta-feira. O tabaco é responsável pela morte de aproximadamente cinco milhões de pessoas por ano, um em cada 10 adultos no mundo, sendo a segunda causa de mortes. A OMS previu que, no ritmo atual, em 2020 as mortes chegarão a 10 milhões por ano, 70% delas em países em desenvolvimento.

O tabaco mata de qualquer maneira, seja quando se fuma, masca ou se inala através dos narguilés (cachimbos de água) afirmou Yumiko Mochizuki-Kobayashi, diretor da Iniciativa Livre-se do Tabaco, um programa empreendido pela OMS. Por essa razão, todos os produtos que contêm tabaco devem ser imediatamente regulamentados, em cada uma de suas formas e em todo o mundo, ressaltou. Com essa finalidade, a comunidade internacional se dotou de um instrumento, o CMCT, que compromete os Estados-parte a adotar normas para regulamentar as questões de teste, regulamentação e divulgação dos ingredientes dos derivados de tabaco, do fumo e também a rotulagem enganosa.

O Convênio, adotado pela Assembléia Mundial da Saúde em 21 de maio de 2003, entrou em vigor no dia 27 de fevereiro de 2005. Até agora foi assinado por 168 países e ratificado por 128. Nesse tratado repousam as esperanças da comunidade internacional para reduzir o número de viciados, que atualmente chega a 650 milhões, dos quais a metade eventualmente morrerá por causa do tabaco, segundo estimativa da OMS. Os 128 Estados-parte do Convênio representam mais de 75% da população mundial e convertem o CMCT em um dos tratados de mais rápida adoção na história da Organização das Nações Unidas, afirmou a especialista norte-americana Kathryn Mulvey.

A Corporate Accountability International, uma organização não-governamental com sede em Boston e dirigida por Mulvey, desenvolve campanhas de acompanhamento da conduta social das grandes empresas. A rede de instituições da sociedade civil que trabalham com a Corporate controlam e divulgam as interferências cometidas pela indústria do tabaco, disse a ativista. Mesmo depois da esmagadora ratificação do CMCT, esse setor continua contra-atacando, e de maneira agressiva, acrescentou. Seu principal objetivo é obter um lugar na mesa de decisões políticas, apesar de o tratado obrigar as partes a proteger suas políticas das interferências da indústria, destacou Mulvey à IPS. O CMCT estabelece que a indústria do tabaco deve se manter afastada das políticas de saúde, pois essas mesmas companhias se desqualificam para participar do desenvolvimento dessas orientações sanitárias, insistiu.

Mochizuki-Kobayashi disse que os cigarros são o único produto legal que mata a metade dos fumantes quando consumidos de acordo com as instruções dos fabricantes. Ressaltou que em todos os derivados do tabaco, incluindo cigarros, a informação fornecida sobre os ingredientes e toxinas que liberam é inadequada. Essas deficiências devem ser acompanhadas por regulamentações apropriadas de cada país e também por pesquisas mais profundas. Entretanto, Mulvey disse que em abril, durante a assembléia anual de acionistas da Philip Morris, agora chamada Altria, a maior e mais lucrativa multinacional do tabaco do mundo, a máxima autoridade da empresa declarou sua oposição a certas disposições do CMCT, como a proibição de publicidade.

Este executivo disse também que a indústria procurará conseguir um lugar nos cenários onde são adotadas as decisões sobre política de saúde. Por esse motivo, a Corporate Accountability International prosseguirá com sua campanha para expor as interferências do setor em todo o mundo, disse Mulvey. Os gigantes consórcios do tabaco tentam ditar as políticas dos países mesmo depois de ratificado o Convênio, disse a ativista. Por exemplo, na Guatemala enviaram uma carta ao governo dizendo quais políticas poderiam aceitar, e praticamente redigindo a legislação, assegurou Mulvey.

No México, um mês depois de ratificar o Convênio, o governo estabeleceu um acordo voluntário com a Altria e a British American Tobacco, outra multinacional, que “deixou as autoridades de mãos amarradas nas questões de proibição de publicidade e de aumentos de impostos, em troca de uma contribuição a um fundo de saúde por parte dos gigantes”, afirmou a ativista. Esses exemplos nos levam a continuar o trabalho de questionar e denunciar porque “a história mostra que, se a indústria do tabaco estabelecer os termos da política de saúde, milhões de vidas serão perdidas”, ressaltou Mulvey.

A OMS criou o lema “Tabaco: mortal sob qualquer forma”, por ocasião do Dia Mundial sem Tabaco. As autoridades sanitárias internacionais se propõem sensibilizar os consumidores e os governos sobre o caráter extremamente prejudicial de qualquer derivado do tabaco e reclamar rígidas regulamentações que incluam todos esses produtos. Os especialistas da OMS advertem que os cigarros chamados “suaves” têm os mesmos níveis de nicotina e alcatrão que os chamados “regulares”. Fumar os pseudo-suaves não representa menor risco em desenvolver doenças causadas pelo tabaco, ressaltou a OMS. (IPS/Envolverde)


(Envolverde/ IPS)

 
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