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Excesso de peso ainda afeta a maioria dos brasileiros (30/4/2014)
Revista Veja

http://veja.abril.com.br/noticia/saude/excesso-de-peso-ainda-afeta-a-maioria-dos-brasileiros

 

Excesso de peso ainda afeta a maioria dos brasileiros

Dados do Ministério da Saúde mostram que 50,8% da população do país está acima do peso, sendo que 17,4% tem obesidade

A prevalência de sobrepeso ou obesidade entre os brasileiros no ano passado se manteve semelhante à de 2012 — ou seja, mais da metade da população do país ainda enfrenta problemas com a balança. No entanto, em oito anos, é a primeira vez em que essa taxa deixou de crescer.

Esses dados fazem parte do Vigitel (Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico), levantamento anual feito pelo Ministério da Saúde e cujos dados mais recentes foram divulgados nesta quarta-feira. A pesquisa, que traz um diagnóstico da saúde do brasileiro, coletou informações de cerca de 53 000 pessoas com mais de 18 anos de todas as capitais e do Distrito Federal, de julho de 2012 a fevereiro de 2013.

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De acordo com o levantamento, em 2013 50,8% dos brasileiros estavam acima do peso ideal – desses, 17,5% tinham obesidade. No ano anterior, os números foram praticamente os mesmos: 51% das pessoas tinham excesso de peso, sendo que 17,4% eram obesas. Foi em 2012 aprimeira vez em que o excesso de peso passou a atingir mais da metade da população do país. A pesquisa também mostrou que o excesso de peso é mais comum no sexo masculino: 54,7% dos homens estão acima do peso, contra 47,4% das mulheres. Já a taxa de obesidade é equivalente em ambos os sexos.

O nível de escolaridade parece ser um fator importante para o risco de excesso de peso. Segundo o estudo, entre mulheres que estudaram durante até oito anos, 58,3% estão acima do peso ideal, sendo que 24,4% são obesas. Já entre aquelas que estudaram ao longo de doze anos ou mais, a prevalência de excesso de peso é de 36,6%, e de obesidade, 11,8% — menos da metade das mulheres com menor nível de escolaridade.

"O maior acesso à informação pode ter um peso importante nesse resultado. Isso é fundamental porque demonstra claramente que é possível persistir e ampliar as políticas publicas para expandir os resultados que temos nos mais escolarizados para as outras faixas", afirma o secretário de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, Jarbas Barbosa.

Hábitos — Um dos resultados positivos do Vigitel mostra que os brasileiros estão cada vez mais ativos. A prática de atividade física durante o tempo livre aumentou de 30,3% para 33,8% nos últimos cinco anos.

Além disso, os hábitos alimentares das pessoas estão melhorando, embora a minoria da população siga a recomendação da Organização Mundial da Saúde de consumir ao menos cinco porções ao dia de frutas e hortaliças. Atualmente, 19,3% dos homens e 27,3% das mulheres seguem a indicação da entidade — taxa 18% maior do que há oito anos. Além disso, a prática de atividade física durante o tempo livre aumentou de 30,3% para 33,8% nos últimos cinco anos. Porém, 16,5% dos brasileiros costuma substituir o almoço ou o jantar por alimentos como pizzas e lanches; e quase um quarto (23,3%) bebe refrigerante pelo menos cinco dias por semana.

Saúde — Ainda segundo o levantamento, pouco mais de um em cada dez brasileiros (11,3%) é fumante. A taxa de tabagismo hoje é 28% menor do que há oito anos, quando 15,7% das pessoas fumavam no país. Por outro lado, o número de indivíduos que vivem com o diagnóstico de diabetes cresceu no país — de 5,5% da população em 2006 para 6,9% em 2013. Já a taxa de hipertensos no Brasil, que é de 24,1%, se manteve semelhante à do ano anterior.

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De acordo com um estudo publicado no ano passado no periódico The Lancet, o sedentarismo já é considerado tão letal quanto o tabagismo, sendo responsável por 5,3 milhões das 57 milhões de mortes registradas no mundo em 2008. A boa notícia é que a melhora da qualidade de vida está relacionada ao gasto calórico diário, e isso não implica necessariamente a realização de uma atividade física formal.

A ideia é se movimentar o máximo possível. Para isso, é preciso deixar um pouco de lado o elevador e a escada rolante. Quem mora ou trabalha em andares mais altos pode descer do elevador dois andares antes e continuar a subida pela escada. Na hora de estacionar o carro no shopping ou em outro estabelecimento, vale procurar a vaga mais distante da entrada.

Depois do almoço, em vez de ficar conversando à mesa ou voltar direto para o trabalho, dar uma ou duas voltas no quarteirão é um hábito saudável. Durante o dia, também é possível combinar com os colegas e ir tomar o café um ou dois andares acima do seu.

Uma ideia para avaliar como anda a média de movimentação diária é andar com um pedômetro, um dispositivo simples que marca o número de passos dados. A quantidade recomendada para um bom condicionamento físico é de 10.000 passos diários.

Fonte: Paulo Zojaib, fisiologista e médico do esporte da Unifesp e Maysa Guimarães, nutróloga dos hospitais São Luiz, Albert Einstein e Leforte

 
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