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Governos tentam ser babás da população em nome da saúde (19/2/2014)
Revista Exame

http://exame.abril.com.br/revista-exame/edicoes/1059/noticias/o-preco-da-liberdade

 

Governos tentam ser babás da população em nome da saúde

Em vários países, o Estado tem tentado mandar no copo, no prato e nos hábitos dos cidadãos — o que está em jogo é quem vai pagar a conta pelas escolhas individuais

Jeff Swensen/Getty Images

 

Restaurante

Restaurante na Pensilvânia, nos EUA: 35% dos americanos são considerados obesos

/São Paulo - Mesmo antes de assumir, o recém-empossado prefeito de Nova York, Bill de Blasio, deixou claro que vai continuar a luta de seu antecessor, Michael Bloomberg, contra as embalagens gigantes de refrigerante. No último de seus três mandatos, Bloomberg comprou uma briga com a indústria ao tentar banir a venda de bebidas açucaradas em grandes embalagens.

Um dia antes de a medida entrar em vigor na cidade, em março de 2013, a decisão foi anulada pela Justiça. Mas a prefeitura de Nova York recorreu e ganhou o direito de levar o caso à Corte Superior do Estado, o que deverá acontecer ao longo de 2014.

Nova York talvez seja o exemplo mais notório da tendência de diferentes governos de agir como babá de sua população. Na cruzada contra a obesidade, cujos efeitos causam a morte de 2,8 milhões de pessoas por ano, também está São Francisco, na Costa Oeste americana.

Lá, a prefeitura estuda a realização de um plebiscito no segundo semestre para saber se os moradores aprovam a criação de uma taxa de 2 centavos de dólar sobre a venda de cada 30 mililitros de refrigerantes e sucos prontos.

No Reino Unido, a maior associação médica britânica pressiona o governo para que aumente 20% o preço dos refrigerantes e restrinja propagandas de alimentos com gordura saturada. São medidas que seguem o modelo adotado no México.

Em outubro, o país aprovou um imposto de 8% sobre o valor de alimentos como doces, frituras e refrigerantes. No Brasil, um projeto de lei na Câmara propõe a proibição da venda de refrigerantes para menores de 18 anos.

A comida industrializada e altamente calórica é apenas o mais novo alvo dos governos, que começaram a apertar o cerco ao cigarro e ao álcool três décadas atrás. Ainda hoje há a proposição de leis que vão nessa direção. Na Escócia, o Parlamento aprovou em 2012 a criação de um preço mínimo para bebidas alcoólicas.

Segundo a proposta, uma garrafa de vinho custaria, no mínimo, 4,69 libras (cerca de 18 reais) — o que representaria um acréscimo de até 90% no preço dos vinhos mais baratos vendidos em supermercados. O projeto acabou engavetado, mas o Reino Unido abriu uma consulta pública para discutir o assunto.

O argumento comum entre os governos é que a obesidade, o tabagismo e o consumo de bebidas alcoólicas têm forte impacto nas contas da saúde pública e fazem com que a sociedade como um todo pague a conta. A consultoria McKinsey estima que os gastos médicos anuais de um cidadão americano obeso sejam 55% maiores do que os de uma pessoa com peso normal.

“A obesidade tem provocado um aumento dramático dos montantes gastos pelos governos em várias partes do mundo”, afirma Franco Sassi, economista da OCDE, organização internacional que reúne os países mais desenvolvidos. O consumo de cigarros, segundo algumas estimativas, pode gerar gastos anuais de 1 800 dólares com perda de produtividade e de 1 600 dólares com médicos.

 
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