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Vinho só faz bem quando associado a exercício (29/9/2014)
Folha de S. Paulo

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/saudeciencia/188004-vinho-so-faz-bem-quando-associado-a-exercicio.shtml

Vinho só faz bem quando associado a exercício

Pesquisa diz que bebida, sozinha, não traz benefício cardíaco, como se supunha

CLÁUDIA COLLUCCI
DE SÃO PAULO
Inúmeros estudos já demonstraram que o vinho faz bem ao coração, mas um novo trabalho joga um balde de água fria na questão: a bebida só seria benéfica quando associada a exercícios físicos.

A pesquisa, chamada de In Vino Veritas (No Vinho, a Verdade, numa tradução livre),forneceu vinho a 146 participantes e controlou, durante um ano, os efeitos nos marcadores cardíacos (taxas de colesterol, por exemplo).

Os homens beberam de dois a dois copos e meio da bebida diariamente (0,3-0,4 litros) cinco vezes por semana. As mulheres, de um a dois copos (0,2-0,3 litros).

Metade dos indivíduos bebeu vinho tinto e a outra metade, branco. Registraram numa agenda todo o consumo de álcool. Também houve controle de suas dietas e das atividades físicas.

Segundo o chefe da pesquisa, Milo? Táborský, professor de cardiologia no Hospital Universitário Palacký (República Tcheca), beber vinho, por si só, não afetou os níveis de colesterol, glicemia, triglicérides, e níveis de marcadores inflamatórios como a proteína C-reativa.

Táborský explica que o benefício da bebida só foi observado no grupo de pessoas que se exercitavam ao menos duas vezes por semana.

Nele, houve melhora significativa nos níveis de colesterol. O HDL (bom colesterol) aumentou e o LDL (mau colesterol), diminuiu. O estudo, apresentado no congresso europeu de cardiologia, em Barcelona, no início do mês, ainda não foi publicado.

O trabalho também derruba outro mito: o de que o vinho tinto é mais benéfico ao coração do que o branco. Mesmo com dez vezes mais polifenois, o tinto não promoveu nenhum benefício adicional, segundo Táborský.

SURPRESA

Os resultados do estudo causaram surpresa entre os cardiologistas brasileiros, mas eles afirmam que nada muda na conduta clínica.

"Não adianta beber vinho, fazer dieta, comer alimento funcional se isso tudo não for acompanhado de atividade física. Sempre oriento os pacientes sobre isso", afirma o cardiologista Marcos Knobel, do hospital Albert Einstein.

O cardiologista Sergio Timerman, da diretoria de Promoção de Saúde Cardiovascular, tem a mesma opinião. "Vinho não faz milagre e não é indicação médica. Dieta adequada e atividade física é que são fundamentais."

O grande desafio dos médicos, segundo ele, é fazer com que o paciente mude hábitos em relação às bebidas. "É comum o paciente dizer que não bebe e depois um familiar dizer que ele bebe muito. O que fazer?"

Para Knobel, pessoas com fatores de risco cardíacos devem ter a atenção redobrada. "Atendi um paciente diabético que tomava vinho todo dia achando que fazia bem, sem perceber que a bebida é calórica e contém açúcar."

O cardiologista Protásio Lemos da Luz desenvolve no InCor (Instituto do Coração) um estudo sobre o efeito protetor cardíaco do vinho tinto e do suco de uva em bebedores de longa data (mais de 18 anos). "Nesse grupo, observamos que há melhora os níveis de colesterol", afirma.

Na sua opinião, o fato de o estudo tcheco não ter verificado o mesmo benefício pode ser porque o acompanhamento foi de apenas um ano. "Parece-me um tempo curto para avaliar mudanças."

 

 
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