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Por que a overdose de álcool pode ser fatal (3/3/2015)
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http://veja.abril.com.br/noticia/saude/por-que-a-overdose-de-alcool-pode-ser-fatal

A intoxicação por álcool, como a que matou o estudante Humberto Moura Fonseca, deixa o organismo tão lento que a pessoa pode parar de respirar

Por: Giulia Vidale03/03/2015 às 17:24 - Atualizado em 03/03/2015 às 18:24
 

As mortes causadas pelo álcool costumam ser atribuídas ao consumo exagerado e frequente ao longo de anos, por prejuízos sobretudo ao fígado, cérebro e coração. Mas a bebida pode matar também por overdose. No fim de semana, um estudante da Unesp de Bauru, no interior de São Paulo, morreu e outros três ficaram em coma após ingerirem grandes quantidades de vodca. De acordo com testemunhas, Humberto Moura Fonseca, de 23 anos, tomou 25 a 30 doses da bebida, ao participar de uma disputa para eleger quem bebia mais.

O envenenamento por álcool ocorre quando a quantidade ingerida é superior à capacidade de o organismo metabolizar a bebida. Em um homem com 70 quilos e 1,75 metro de altura, por exemplo, uma dose de álcool (um cálice de vinho ou uma dose de vodca ou uma lata de cerveja) é metabolizada em cerca de uma hora. Em um vídeo com imagens da festa da Unesp, uma pessoa diz que os participantes da competição tomavam uma dose de vodca por minuto. Humberto Moura Fonseca, assim, teria ingerido cerca de 1 litro e meio da bebida em 30 minutos.

O álcool inicialmente age no sistema dopaminérgico do cérebro, causando euforia e desinibição. Com a ingestão de mais doses, a bebida passa a comprometer o chamado sistema gabaérgico, responsável por funções vitais do corpo: controle da temperatura, respiração e batimentos cardíacos.

Intoxicação - No início da intoxicação, os sintomas são tontura, dificuldade de ficar acordado, fala enrolada e confusão mental, que começam a se manifestar em média 20 minutos após a ingestão de álcool. A esses sinais de embriaguez, seguem-se sintomas de maior gravidade: pulso fraco e rápido, pele fria e pálida, cheiro forte de álcool saindo da pele, respiração irregular, vômito, desmaio e coma. No caso de Fonseca, é possível que, quando os sintomas começaram a aparecer, ele já tivesse ingerido quantidade suficiente para colocá-lo em coma. Ele foi levado para o hospital, mas chegou sem vida.

"Em altas doses, o álcool intoxica o organismo a ponto de deixar as reações tão lentas que a pessoa para de respirar", afirma Zila van der Meer Sanchez, coordenadora do projeto Balada com Ciência da Unifesp e pesquisadora do Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas (Cebrid).

Casos de morte por overdose de álcool não são comuns e a resistência à bebida varia de acordo com o organismo de cada um. Zila afirma que em um consumidor crônico - um alcoólatra ou alguém que esteja acostumado a beber bastante - a quantidade que matou o estudante não teria os mesmos efeitos. Outros fatores que interferem na capacidade de uma pessoa de metabolizar a bebida são genética, gênero, gordura corporal, peso, idade, alimentação e uso de medicamentos.

O fato de não haver uma ambulância com equipamentos e socorristas especializados no local da festa também foi um agravante. Segundo a médica, caso a ambulância tivesse equipamento para oxigenação e reanimação e um profissional treinado para lidar com casos de intoxicação alcoólica, Fonseca teria tido mais chances de chegar ao hospital com vida e lá receber tratamento adequado.

Álcool no Brasil - Os alunos da Unesp praticaram o que os especialistas chamam de beber em binge. Trata-se de, no período de duas horas, consumir pelo menos cinco doses de bebida alcoólica, no caso dos homens, ou quatro doses, no caso das mulheres. Um levantamento divulgado por pesquisadores da Unifesp em 2014 revelou que o binge é comum em 43% dos adolescentes brasileiros de até 17 anos, 55% dos jovens com até 21 anos e 61% daqueles com até 25 anos de idade. Além disso, o estudo mostrou que os brasileiros estão bebendo mais cedo e em maior volume. A idade média do começo da inserção da bebida na vida dos entrevistados foi de 15 anos.

Um estudo realizado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) mostrou que o consumo de álcool no Brasil supera a média mundial. De acordo com dados da organização, a ingestão média no planeta entre pessoas acima de 15 anos em 2010 era de 6,2 litros por ano por indivíduo. Já no Brasil, uma pessoa dessa faixa etária ingere, em média, 8,7 litros de álcool por ano.

 

 
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