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Abaixo-assinado pede que eventos científicos não sejam mais patrocinados por indústrias alimentícias (17/11/2015)
Abrasco

http://www.abrasco.org.br/site/2015/11/abaixo-assinado-pede-que-eventos-cientificos-nao-sejam-mais-patrocinados-por-industrias-alimenticias/

Multinacionais como a Coca Cola, Unilever, Nestlé não poderão mais patrocinar os congressos da Sociedad Latinoamericana de Nutrición - SLAN

Um abaixo-assinado que pede o fim do patrocínio de eventos científicos por indústrias alimentícias, foi entregue ao novo Presidente da Sociedade Latino-Americana de Nutrição – SLAN, Dr. Juan Rivera Dommarco. O documento foi assinado esta semana, em Punta Cana, na República Dominicana, por vários pesquisadores em nutrição e saúde pública das Américas, entre eles os abrasquianos Carlos Monteiro, Cesar Victora, e ainda Fábio Gomes e Joaquim Molina, ao fim do 12º Congresso da Sociedade Latinoamericana de Nutrição.

A carta pede que as indústrias de alimentos e bebidas não sejam mais aceitas como patrocinadoras de conferências de alimentação e nutrição, incluindo a Reunião SLAN, visto que estas indústrias contribuem com a atual epidemia de doenças crônicas no mundo.

Confira aqui a versão em PDF, do original. Abaixo, a íntegra do documento, em português.

Estimado Juan,
Muitas regiões do mundo passam por uma epidemia de obesidade, diabetes e outras doenças crônicas não transmissíveis relacionadas a dietas pouco saudáveis. É, portanto, problemático que muitas empresas da indústria de alimentos e bebidas que contribuem para este problema sejam patrocinadoras de conferências sobre alimentação e nutrição, incluindo a reunião da Sociedade Latinoamericana de Nutrição (SLAN) em Punta Cana, 2015. Essas mesmas corporações contribuem destruindo sistemas alimentares e práticas culinárias tradicionais, minando a soberania alimentar e criando problemas ambientais.

A decisão de patrocínio por parte dessas corporações é motivada pela necesidade de proteger seus interesses e para vincular sua imagem de marca, cada vez mais ameaçada, com uma mensagem de saúde e bem estar. Há um sentimento crescente de indignação, e a demanda de muitos estudantes, profissionais e cientistas é promover uma mudança. É possível realizar reuniões científicas com o financiamento de fontes independentes. Com o apoio de todos podemos conseguir que a SLAN, com a sua nova liderança, seja um exemplo para a região e seja um precedente em termos de políticas claras e éticas de patrocínio a eventos para evitar conflitos de interesse .

O abaixo-assinado (professores, pesquisadores, profissionais e estudantes da área de nutrição) estão empenhados em apoiar a SLAN e sua nova liderança para:
1. Não permitir mais que seus congressos sejam patrocinados por corporações de alimentos e bebidas que fabricam produtos que põem em risco a saúde da população e do planeta.
2. Adotar uma norma de conflitos de interesses e orientações em relação à organização de eventos científicos e outras atividades.
3. Promover a adoção deste Norma por afiliadas na Região.


Universidade devolve 1 milhão de dólares para a Coca Cola
Na semana passada, a Universidade da Escola de Medicina do Colorado anunciou que estava devolvendo a doação de US $ 1 milhão da Coca-Cola, depois que foi revelado que o dinheiro seria usado para estabelecer um grupo de defesa que minimizasse a relação entre refrigerantes e obesidade.

A notícia foi publicada no jornal norte-americano New York Times no dia 6 de novembro e revelou que a Coca-Cola doou o dinheiro em 2014 para apoiar a criação do Global Energy Balance Network (Rede Global do Balanço Energético), um grupo de cientistas sem fins lucrativos, que encorajava as pessoas a praticarem mais exercícios e se preocupassem menos com o que comer e beber.
A relação financeira da Coca-Cola com o grupo, incitaram críticas de que a gigante dos refrigerantes estaria apoiando cientistas como uma maneira de moldar a pesquisa da obesidade, um problema relatado pelo The New York Times em agosto.

Em resposta ao artigo, executivo-chefe da Coca-Cola, Muhtar Kent, revelou que a empresa tinha gasto quase $120 milhões desde 2010 para pagar por pesquisas acadêmicas em saúde escolar e em parcerias com médicos e grupos comunitários envolvidas no combate a epidemia de obesidade.

Entre os beneficiários estava a Academia Americana de Pediatria, que aceitou US $ 3 milhões da Coca-Cola para lançar o seu website healthychildren.org, e a Academia de Nutrição e Dietética, o maior grupo de nutricionistas do país, que recebeu $ 1700000 da Coca-Cola. Após a divulgação, ambos os grupos disseram que estavam terminando suas relações com Coca-Cola.
Em um comunicado na sexta-feira, a Universidade do Colorado disse que estava devolvendo o capital inicial de $1000000 que a Coca tinha fornecido para apoiar o Global Energy Balance Network porque “a fonte do financiamento estava desviado o propósito do estudo”.

“As questões sobre a obesidade e assuntos de saúde relacionados, são sérias preocupações para os médicos de cuidados pessoais e de saúde pública”, disse a universidade em um comunicado. “A Faculdade de Medicina, médicos e pesquisadores na Universidade de Colorado Anschutz Medical, estão fazendo contribuições significativas para a compreensão e cuidados dessas questões relacionadas com a saúde, e a fonte de financiamento para a rede não deve desviá-los de seus esforços”.

Em um comunicado, a Coca disse que vai doar o dinheiro devolvido para o Boys & Girls Clubs of America.
“Enquanto a rede continua a apoiar uma discussão científica vigorosa das contribuições dos comportamentos alimentares e de atividade física para a epidemia de obesidade, tornou-se evidente que a ideia original para GEBN não foi concretizada”, disse a empresa em um comunicado.

James O. Hill, professor da Universidade de Colorado faculdade de medicina, que co-fundou a Rede Global do Balanço Energético e atuou como seu presidente, se recusou a comentar. Steven Blair, cientista em exercício na Universidade da Carolina do Sul, que foi vice-presidente do grupo, não puderam ser imediatamente contatados para comentar o assunto.

Em um vídeo amplamente visto da Rede Global do Balanço Energético, Dr. Blair criticou “a mídia” por responsabilizar fast foods e refrigerantes pelas elevadas taxas de obesidade do país, e disse que não havia “virtualmente nenhuma evidência convincente de que, de fato, sejam a causa”.

O grupo também lançou uma campanha na mídia social no Facebook e no Twitter, onde promovia o exercício como uma solução para doença crônica e obesidade, quase não tocando no assunto sobre alimentação.

Marion Nestle, professora de nutrição, Estudos Alimentares e Saúde Pública da Universidade de Nova York, chamou a rede de “um grupo de fachada” da Coca-Cola, que tem a intenção de promover a mensagem de que a obesidade é causada principalmente pela falta de exercício, e não pelo consumo excessivo de junk food.

Na sexta-feira, Dra. Nestle, autora de “Política de Refrigerante” (“Soda Politics”), disse que estava contente que a universidade tinha devolvido o dinheiro. “Ambos merecem parabéns por tomar uma decisão difícil, mas necessária”, disse Dr. Nestle. “Vamos esperar que outros grupos também decidam fazer a coisa certa e acabar com tais relações financeiras”.

Em agosto, o Centro de Ciência de Interesse Público, um grupo de defesa, distribuiu uma carta assinada por 37 cientistas e autoridades de saúde pública, acusando a Rede do Balanço Energético Global de “propagação de ciência absurda.” Em uma entrevista sexta-feira, Michael F. Jacobson, diretor-executivo do grupo, elogiou a Universidade de Colorado pela devolução do dinheiro.

“Mesmo que a universidade provavelmente tenha devolvido o dinheiro por embaraço, foi inteligente o que eles fizeram”, disse o Dr. Jacobson. “Espero que este se constitua num exemplo para outros destinatários do dinheiro Coca-Cola.”

 
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