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Reforma do ensino médio amplia carga horária e reduz currículo escolar (22/9/2016)
O Globo

NOTA DA ACT (com consultoria do especialista em atividade física Ricardo Oliveira):

Ao passo em que as principais organizações de saúde mundias discutem estratégias para o aumento dos níveis globais de atividade física, o atual governo brasileiro dá um duro golpe na educação brasileira, retirando a obrigatoriedade da Educação Física nas escolas.


Uma importante revisão sistemática sobre intervenções na América Latina revelou que interferências na escola são efetivas para promover atividade física, inclusive na vida adulta (Hoehner CM et al. Am J Prev Med 2008; 34:224-33). Segundo dados recentemente publicados (The Lancet, 2016), o sedentarimo é responsável por 5.3 milhões de mortes no mundo, levando a um custo global aos sistemas de saúde na ordem de 53.8 bilhões de doláres, dos quais 31.2 bilhões, são exclusivamente no setor público. No Brasil, esses valores giram em torno de 1.9 bilhão de reais.

Se já tínhamos ampla dificuldade em promover atividade física na escola, especialmente devido aos abismos conceituais e dificuldade de comunicação entre as áreas da saúde, educação, esporte e lazer; hoje, com a atual Reforma do Ensino Médio, os desafios da promoção da atividade física na escola e na população, tornam-se, certamente, mais distantes, quase ilusórios.

 

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Conheça principais pontos da medida provisória anunciada pelo governo nesta quinta.

 

RIO — O governo divulgou nesta quinta-feira o texto da Medida Provisória que prevê uma ampla reforma do ensino médio, etapa da educação básica que enfrenta problemas como altas taxas de evasão (são 1,7 milhão de pessoas de 15 a 17 anos fora da escola) e baixos índices de proficiência. As principais mudanças propostas pelo texto são o aumento da carga horária mínima anual, que passa das atuais 800 horas para 1.400 horas, e a flexibilização do currículo. Os conhecimentos gerais, guiados pela Base Nacional Curricular Comum (BNCC), ainda em processo de definição, deverão ocupar no máximo 1.200 horas de todo o ensino médio. No tempo restante, os alunos poderão seguir diferentes “itinerários formativos”, com ênfase em diferentes áreas do conhecimento. O Ministério da Educação (MEC) prevê que as mudanças afetem os alunos a partir de 2018.

 

TURNO INTEGRAL

Uma das principais mudanças é a ampliação progressiva da carga horária anual mínima, que passará das atuais 800 horas, distribuídas por um mínimo de 200 dias letivos, para 1.400 horas, “observadas as normas do respectivo sistema de ensino e de acordo com as diretrizes, os objetivos, as metas e as estratégias de implementação estabelecidos no Plano Nacional de Educação”.

Para contemplar esta mudança, os colégios terão que, obrigatoriamente, instituir o turno integral, com a jornada diária passando a sete horas. O texto destaca que a carga horária deverá ser “progressivamente ampliada”, o que dá tempo para que as redes de ensino se adaptem à medida, mas abre espaço para que a implementação seja retardada.

REDUÇÃO NO CURRÍCULO, COM CINCO ÁREAS OBRIGATÓRIAS

A MP também faz profundas alterações no currículo dos alunos. Em vez das atuais 13 disciplinas obrigatórias, os estudantes seguirão a Base Nacional Comum Curricular (ainda em discussão) e poderão seguir por diferentes “itinerários formativos”, com ênfase em cinco áreas de conhecimento obrigatórias: linguagens, matemática, ciências da natureza, ciências humanas e formação técnica e profissional.

A carga horária destinada ao cumprimento da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) não poderá ser superior a 1.200 horas da carga horária total do ensino médio. A expectativa era que o Ministério da Educação determinasse que 50% do currículo fosse ocupado pelas disciplinas do currículo básico, que pelas discussões atuais somam 12 disciplinas.



ARTES E EDUCAÇÃO FÍSICA PERDEM OBRIGATORIEDADE

O texto não define explicitamente como os conteúdos deverão ser apresentados, mas ressalta que o “ensino de língua portuguesa e matemática será obrigatório nos três anos do ensino médio”. Artes e Educação Física, que eram obrigatórias para todos os níveis do ensino básico, passam a ser obrigatórias apenas nos ensinos infantil e fundamental.

Sociologia e Filosofia, que constavam como obrigatórias nos três anos do ensino médio, também perdem esse caráter na MP. Contudo, ambas estão presentes na Base Nacional Curricular Comum, da mesma forma que o ensino de artes.

“A parte diversificada dos currículos, definida em cada sistema de ensino, deverá estar integrada à Base Nacional Comum Curricular e ser articulada a partir do contexto histórico, econômico, social, ambiental e cultural”, diz o texto.

INGLÊS OBRIGATÓRIO

Pelas regras atuais, é obrigatório o ensino de pelo menos uma língua estrangeira moderna a partir da 5° ano do ensino fundamental, mas a escolha fica a cargo da comunidade escolar. Cidades fronteiriças, por exemplo, poderiam priorizar o espanhol. A MP institui a obrigatoriedade do inglês a partir do 6º ano do ensino fundamental.

APROVEITAMENTO NA FACULDADE

Com o novo sistema de educação por ênfase em áreas do conhecimento, conteúdos cursados durante o ensino médio poderão ser “convalidados para aproveitamento de créditos no ensino superior”, mas isso depende de normatização do Conselho Nacional de Educação e homologação pelo Ministério da Educação.

O texto abre espaço para novos formatos de aproveitamento da carga horária. Atualmente, o ensino médio é dividido em três anos de ensino. Com as novas regras, será possível organizar o currículo em módulos ou adotar o sistema de créditos ou disciplina, como acontece nas universidades.

Para os sistemas de ingresso nas universidades, no caso, vestibulares e Enem, serão considerados “exclusivamente as competências, as habilidades e as expectativas de aprendizagem das áreas de conhecimento definidas na Base Nacional Comum Curricular”.

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FORMAÇÃO DE PROFESSORES

No lado da atuação dos professores, a MP traz um ponto polêmico ao abrir espaço para “profissionais com notório saber reconhecido pelos respectivos sistemas de ensino para ministrar conteúdos de áreas afins à sua formação”. Os currículos dos cursos de formação de docentes terão por referência a Base Nacional Comum Curricular.

VERBAS FEDERAIS

Para auxiliar os estados na implementação das mudanças, sobretudo na ampliação da carga horária, a MP institui, no âmbito do Ministério da Educação, a “Política de Fomento à Implementação de Escolas de Ensino Médio em Tempo Integral”, que prevê o repasse de recursos pelo prazo máximo de quatro anos por escola, a partir da data de início da implementação.

A transferência de recursos será realizada anualmente, a partir de valor único por aluno, com base no número de matrículas cadastradas no Censo Escolar da Educação Básica.
 

 
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