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Vai uma latinha aí? (27/11/2016)
Jairo Bauer - O Estado de S. Paulo

Adolescentes britânicos bebem quantidade de refrigerante que daria para encher uma banheira por ano

Você tem ideia de quantas latinhas de refrigerante seus filhos consomem em um ano? Consegue calcular a quantidade de açúcar que essas bebidas adicionam na vida deles? Um trabalho divulgado na última semana revela que os adolescentes britânicos bebem o suficiente para encher uma banheira por ano! Será que por aqui nossos jovens seguem o mesmo padrão de comportamento?

A pesquisa, realizada pelo Instituto de pesquisa Cancer Research UK, no Reino Unido, mostra que na faixa etária de 11 a 18 anos os jovens consomem, em média, 77 litros de líquidos adoçados (sucos, energéticos, refrigerantes) por ano. Isso significa cerca de 234 latas desses produtos! 

Até as crianças pequenas, de 4 a 10 anos, estão ingerindo cerca de 111 latinhas, mais de duas por semana. Os dados foram divulgados pelo jornal inglês Daily Mail.

Os adolescentes estão consumindo o triplo do limite diário de açúcar (30 gramas) recomendado pelas autoridades de saúde. A maior parte desse açúcar vem justamente das bebidas doces. Esse excesso está contribuindo, segundo especialistas, para a “epidemia” de obesidade, que está crescendo entre crianças e jovens. 

Em março deste ano, o governo inglês anunciou planos para taxar em cerca de 20% esse tipo de bebida, uma medida que levou a protestos por parte da indústria e de alguns setores da sociedade. Só para se ter uma noção, cada 100 ml de refrigerante tem cerca de 10 g de açúcar. 

Como uma lata tem 350 ml, uma única delas já alcança os valores diários recomendados. Cada lata de refrigerante traz de seis a sete colheres de chá de açúcar. Já uma lata de suco adoçado tem cinco colheres. 

Há duas semanas, durante as eleições presidenciais nos Estados Unidos, algumas cidades americanas também votaram em plebiscitos que definiram pela elevação dos impostos sobre as bebidas adoçadas. Agora Oakland, São Francisco e Albany (na Califórnia), além de Boulder (Colorado) vão ter refrigerantes mais caros. Berkeley foi a primeira cidade do país a taxar esses produtos já em 2014. 

A Organização Mundial da Saúde (OMS) tem defendido a taxação das bebidas adoçadas há alguns anos. Dinamarca, Hungria e México, além do Reino Unido, já adotaram leis nesse sentido. 

No Brasil, dados do último Vigitel (inquérito nacional sobre saúde, feito por telefone) mostram que mais da metade da população adulta enfrenta excesso de peso. Dessa, quase 20% estão obesos, um aumento de 10% nos últimos oito anos. Entre as crianças, uma em cada três tem excesso de peso no País. Crianças obesas correm um risco muito maior de se tornarem adultos obesos. Sem medidas que mudem essa tendência, o Brasil pode se tornar em breve um país tão ou até mais “obeso” do que os EUA. 

Pesquisa de 2015 do Ministério da Saúde mostrou que 21% das pessoas consomem refrigerantes cinco vezes por semana. Já o Estudo de Riscos Cardiovasculares em Adolescentes mostra que mais da metade dos jovens consomem bebidas adoçadas, principalmente refrigerantes. Os dados são do site da BBC Brasil.

Para resultados mais impactantes no controle do sobrepeso e da obesidade das crianças, além de eventuais taxações, o ideal seria educação alimentar, em casa e nas escolas, e um maior controle dos pais sobre o padrão alimentar dos filhos, criando hábitos mais saudáveis de consumo. Em paralelo, estratégias de combate ao sedentarismo são centrais. 

Além disso, seria importante que a indústria, voluntariamente, reduzisse a quantidade de açúcar em seus produtos. A publicidade de alimentos e bebidas calóricas também poderia passar por um maior controle, até mesmo nas mídias digitais. Seria mais produtivo que todos os atores envolvidos no processo trabalhassem para uma mudança na percepção dos mais novos sobre o que é um padrão saudável de consumo de açúcar. Como quase tudo na vida, moderação é a alma do negócio.

Nem diet se salva? Novo estudo divulgado na última semana não “absolve” nem mesmo os refrigerantes diet. O aspartame, adoçante artificial presente na maior parte deles, interferiria em enzimas centrais do nosso metabolismo, podendo dificultar o processo de emagrecimento ou, em alguns casos, poderia até levar ao ganho de peso. A alteração é semelhante à que acontece no diabete tipo 2.

O trabalho foi feito por pesquisadores do Massachusetts General Hospital, nos Estados Unidos, e divulgado também pelo Daily Mail. Eles testaram o efeito do aspartame em ratos e concluíram que, apesar de reduzirem o consumo de açúcar, eles acabam interferindo na ação de enzimas (IAP) essenciais para nossa saúde. Como é um estudo isolado, que vai contra o resultado de outros que “inocentam” essa categoria de refrigerante, seria importante novas investigações desse eventual impacto na população humana.

 
 
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