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Atividade física pode combater efeito do gene da obesidade (28/4/2017)
O Globo

http://bit.ly/ExercícioObesidade

 Análise de 60 estudos revela que mesmo um mínimo de exercício reduz em 30% o risco

RIO - Mesmo um mínimo de atividade física pode fazer uma grande diferença na luta contra a obesidade. É o que revela análise de 60 estudos envolvendo mais de 200 mil pessoas publicada ontem no periódico científico “PLoS Genetics”. Segundo o levantamento, bastaria fazer mais de uma hora de atividade moderada por semana — o que pode ser cumprido, por exemplo, caminhando seis minutos em ritmo acelerado entre o ponto de ônibus ou estação do metrô e sua casa na ida e volta de um trabalho sedentário de segunda a sexta-feira — para contrabalançar em 30% os efeitos da principal variante genética relacionada ao ganho de peso descoberta até agora.

De acordo com pesquisas anteriores, quem nasceu com duas cópias desta mutação no gene conhecido como FTO tem um risco até 60% maior de ser obeso do que quem só tem uma ou nenhuma cópia dela nos dois lados de seu cromossomo 16. Isto porque a variante afeta vários aspectos de nosso apetite e metabolismo, tornando os alimentos mais saborosos e prazerosos aos indivíduos com ela, além de “otimizar” o armazenamento em forma de gordura de qualquer caloria extra ingerida e reduzir drasticamente a chamada taxa metabólica basal, isto é, o gasto calórico do indivíduo, quando ele faz uma dieta, explica o endocrinologista Flávio Cadegiani.
— Sabe aquela pessoa que diz: “qualquer coisa que eu como engorda”? Pois bem, realmente existem pessoas com essa tendência — conta Cadegiani. — Esta mutação provavelmente foi adquirida na própria evolução do ser humano, já que em cenários de escassez de comida seus efeitos são muito vantajosos. Mas, nestes tempos de abundância de alimentos, isto é um desastre.

Na mesma linha segue Pedro Assed, pesquisador do Grupo de Obesidade e Transtornos Alimentares da PUC-Rio:

— É como se, pela atividade física, você estivesse desativando um gene que traz uma grande predisposição à obesidade.

Flávia Conceição, presidente da Regional RJ da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, por sua vez, destaca o fato de a análise ter demonstrado que fatores ambientais podem sim ajudar de forma significativa no combate à predisposição genética à obesidade.

— Este estudo vem reforçar ainda mais a importância da atividade física na luta contra a obesidade — considera. — A pessoa não precisa virar um atleta, um maratonista de uma hora para a outra, mas sair do sedentarismo já é um passo muito importante e muito bom para sua saúde.

Que o diga o estudante de letras Yago da Fonseca Oliveira, de 22 anos. Um autodefinido “gordinho” durante a infância e adolescência, há dois anos ele decidiu mudar sua situação. A princípio, Yago tentou perder peso apenas controlando a alimentação, mas não foi suficiente:

— Até emagreci, mas não muito — conta. — Então, há um ano e meio, decidi entrar na academia para começar um programa de atividade física. Antes eu era completamente sedentário no dia a dia, não fazia nada. Se tinha que andar um pouco mais, pegava um ônibus. E isso fez toda diferença. Agora, vou à academia de segunda a sábado e fico lá uma hora, uma hora e meia. Faço bicicleta, esteira e levanto peso para ganhar massa muscular. Foi a atividade física que de fato mudou a minha aparência.

Pesquisa descobriu 11 novos genes de risco

Mas a análise liderada por Mariaelisa Graff, da Universidade da Carolina do Norte em Chapel Hill, EUA, e Tuomas Kilpeläinen, da Universidade de Copenhague, Dinamarca, não detectou apenas a influência da atividade física com combate à predisposição à obesidade trazida pela variante no gene FTO. Ao cruzar os dados sobre os parâmetros físicos — índice de massa corporal, circunferência da cintura e relação cintura-quadril — dos mais de 200 mil indivíduos participantes dos estudos com seu nível de sedentarismo e constituição genética, os cientistas identificaram mais 11 genes com variantes relacionadas à obesidade antes desconhecidos.

Estes novos genes se somam então aos outros mais de 90 que já se sabia ligados ao problema, mostrando que este tipo de abordagem também pode ser importante para ampliar as pesquisas sobre os efeitos do genoma no ganho de peso. Segundo Mariaelisa, no entanto, serão necessários estudos mais amplos, com populações maiores e mais direcionados para conseguir verificar se a atividade física ou outros fatores ambientais, como dietas, podem também contrabalançar a predisposição à obesidade trazida por estas mutações.

— A obesidade é poligênica e multifatorial. O FTO sozinho já traz um aumento muito grande do risco, mas não é o único gene relacionado a ela — lembra Cadegiani. — O que muitas pessoas não sabem é que a obesidade é 40% a 70% genética. Existe todo um ambiente hormonal, neuroquímico, metabólico e comportamental pró-obesidade nos indivíduos com estas variantes. Assim, dizer que a obesidade é simplesmente uma fraqueza é uma visão não só extremamente equivocada como preconceituosa e desatualizada do ponto de vista científico.

Flávia Conceição, da SBEMRJ, concorda:

— São vários os fatores genéticos interferindo nisso que, associados ao nosso ambiente “obesogênico”, de superoferta de alimentos com pouca atividade física, fazem com que uma pessoa com predisposição fatalmente ganhe peso. Este é um campo de pesquisas ainda muito em aberto, com muita coisa para descobrir. Agora é hora de tentar ver, por exemplo, como estes polimorfismos (mutações) respondem a alterações de hábitos, como um determinado tipo de dieta ou programa de exercícios.

Já Assed vê nestas pesquisas um avanço cada vez maior rumo à medicina personalizada, que leva em conta a a constituição genética particular e única de cada pessoa:

— Nem sempre uma dieta que é boa para você também é boa para seu vizinho, assim como nem sempre um exercício que é bom para seu vizinho é bom para você.

 
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