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Obesidade aumenta entre jovens em 20 anos, alertam especialistas (28/5/2017)
O Globo

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 Era uma rotina: ao menos seis vezes por dia Nathalia Ferreira corria atrás de doces, sanduíches e biscoitos. As constantes visitas à cozinha começaram aos 10 anos de idade, quando ela se sentiu deprimida com a separação de seus pais, e se estenderam até sete meses atrás, pouco depois de completar 18 anos e fazer uma cirurgia bariátrica. A adolescente, que tem 1m63, chegou a pesar 132 quilos e era alvo de bullying entre colegas na escola — um exemplo extremo do avanço dos registros de obesidade que acomete cada vez mais jovens em consequência dos hábitos alimentares pouco saudáveis e da falta de atividade física.

— Meus pais eram separados e eu me sentia excluída. Descontei tudo na comida — lembra. — Era chamada na escola de menina gordinha, que só podia usar uma roupa, porque nada mais cabia em mim. Tinha poucos amigos porque não confiava nas pessoas. No ano passado, comecei um tratamento psicológico para me preparar para a cirurgia e saber se conseguiria seguir a dieta que seria recomendada. Perdi 40 quilos, e ainda quero perder 15.

A estudante revela que fez a operação pensando em sua saúde. Antes, ela “vivia indo a médico” e não conseguia fazer diversos exercícios físicos. Agora, começou a fazer aula de dança e poderá em breve entrar na academia.

CAUSAS SÃO EVITÁVEIS

Os desafios para determinar o diagnóstico e o tratamento da obesidade infanto-juvenil, cuja incidência quadruplicou em apenas 20 anos, foi tema da edição deste mês do “Encontros O Globo Saúde e Bem-Estar”, realizada na última terça-feira na Casa do Saber. O debate contou com a presença do endocrinologista Ricardo Meirelles, do gastroenterologista José Augusto Messias e mediação da jornalista do GLOBO Clarissa Pains.

Segundo o IBGE, 4,1% dos meninos de 5 a 9 anos eram obesos em 1989. Em 2009, este índice subiu para 16,6%. Já o percentual de meninas da mesma faixa etária com obesidade passou de 2,4% para 11,8% no mesmo período.

O cardiologista Claudio Domênico, coordenador do evento, alerta que a briga contra a balança na juventude pode desencadear sérios problemas de saúde na vida adulta.

— Se não cuidarmos de nossas crianças e adolescentes, teremos em breve adultos doentes, com problemas cardiovasculares e diabetes, entre tantos outros — destaca. — A grande culpa da obesidade entre jovens consiste na alimentação inadequada e na falta de atividade física. São fatores ambientais, que podem ser evitados.

Vinícius Queiroz, de 18 anos, começou a engordar na pré-adolescência, apesar de sempre ter praticado esportes. Ele então procurou o Vigilantes do Peso para entrar em forma e, em cerca de dois meses, perdeu seis quilos. Ao contrário de Nathalia, ele admite que sua principal motivação foi a estética.

— Não gostava de tirar a camisa na praia. Minha postura era ruim, andava corcunda. Fui zoado pelos meus colegas — conta. — O Vigilantes não impõe restrições alimentares, mas preciso estipular uma meta, o quanto eu quero emagrecer. Procurei na internet receitas diferentes para saladas, que fossem além da combinação de alface, tomate e cebola. Vou à feira para experimentar frutas. Passei de 91 para 85 quilos. Tinha consciência de que, se não mudasse o corpo agora, minha vida seria mais complicada lá na frente.

Diretor do Instituto Estadual de Diabetes e Endocrinologia Luiz Capriglione, Ricardo Meirelles reconhece que a estética é uma motivação importante para jovens obesos, que temem a hostilidade de amigos e que, por isso, poderiam desenvolver problemas psicológicos. A saúde, no entanto, é o principal fator para evitar problemas de peso. O endocrinologista assinala que 44% das crianças obesas desenvolverão diabetes, e que uma em cada quatro estará sujeita a doenças coronarianas.

— Uma série de enfermidades podem estar associadas ao excesso de peso, como doenças respiratórias, problemas de vesícula e hormonais, gordura no fígado, elevação do ácido úrico e diversos tipos de tumor — enumera. — A incidência de câncer de endométrio, por exemplo, é 152% maior em mulheres obesas.

O gastroenterologista José Augusto Messias, diretor do Núcleo de Estudos da Saúde do Adolescente, define a obesidade como uma “tragédia clínica”, devido às enfermidades relacionadas a ela.

— É uma doença muito antes de uma pessoa ficar doente — explica. — Não existe um sistema de saúde no mundo que suportará esta bomba-relógio. Pela primeira vez, a geração atual terá uma expectativa de vida menor do que a anterior. Deixar de ser gordo é uma luta diária. É uma questão de saúde, e não tentar apenas um corpo esbelto.

 
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