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‘Não dá para apenas importar um programa’, diz Zila Sanchez (29/9/2017)
O Globo

https://oglobo.globo.com/sociedade/2017/09/29/582327-nao-da-para-apenas-importar-um-programa-diz-zila-sanchez

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BRASÍLIA — Zila Sanchez revela que o Ministério da Saúde concedeu liberdade total para implementar o programa #Tamojunto. A professora da Universidade Federal de São Paulo enumera uma série de razões para os resultados preocupantes do projeto. Entre eles, a discrepância na formação de alunos e professores do Brasil com a vista na Europa, onde a experiência foi concebida.

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Como foi feita a sua avaliação sobre o programa?

Tive autonomia, inclusive para identificar e publicar dados que mostravam uma situação ruim.

Acha que o problema está relacionado com a troca das expressões relacionadas ao álcool, na adaptação do material ao Brasil?

A metodologia que a gente usou me permite dizer que existe um problema, mas, para comprovar isso, eu precisaria de outro tipo de estudo, comparando grupos que receberam as informações de modos diferentes.

A baixa qualidade das escolas públicas também pode ser uma das causas? 

Há hipóteses: o enfoque da aula sobre álcool, a formação deficitária de português dos alunos de escolas públicas... É diferente para alunos da mesma série na Europa. E os professores daqui também têm uma outra formação. A grande mensagem é: não dá para apenas importar um programa, traduzir e achar que ele vai se encaixar.

A senhora sugeriu que o programa não fosse expandido, mas isso foi feito após algumas mudanças. Como vê essa ampliação?

A equipe do Ministério da Saúde diz que, com todas as minhas recomendações, mudaram o projeto. Eu não consigo dizer se é verdade, pois depois disso eu não tive acesso. O que eles não fizeram, com certeza, foi uma reavaliação das mudanças. A emenda pode ser pior que o soneto.

Como deve ser um programa de prevenção nas escolas, diante dessa primeira tentativa?

Ele deve trabalhar comunicação, autonomia, perspectivas de futuro, compreensão do papel deste adolescente na sociedade, no mundo. As escolas brasileiras ainda precisam aprimorar o trabalho em sala de aula com questões do cotidiano e dinâmicas de grupo. No futuro, deveríamos fazer um estudo para comparar diferentes abordagens. O que eu posso falar com o adolescente que vai ser efetivamente benéfico? Percebemos que não dá para importar sem testar aqui. Estudos hoje mostram que, quanto mais cedo um jovem começa a experimentar o álcool, maior a chance de se tornar dependente na fase adulta.

Programas como o #Tamojunto devem ser cancelados?

O grande problema é que se expandiu sem avaliar. Não acho que se deve cancelar tudo. Deve diminuir, reavaliar para identificar onde está o erro e descobrir se funciona ou não. Mais do que isso, procurar outros programas. Meu grande medo é que se acabe com tudo. Seria um retrocesso de prevenção no Brasil.



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