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A ACT busca contribuir para que o Brasil tenha políticas públicas abrangentes de controle do tabagismo, que protejam de forma efetiva as gerações presentes e futuras das devastadoras conseqüências sanitárias, ambientais e econômicas geradas pelo consumo, produção e exposição à fumaça do tabaco.

Para promover o tema saúde da mulher e trazer à tona a perspectiva de gênero no âmbito do controle do tabagismo, em março de 2009 a ACT lançou a publicação intitulada Impacto do Tabagismo na Saúde Feminina, elaborada pela médica ginecologista e obstetra Edina de Araújo Veiga. Na ocasião, organizou um seminário para organizações de mulheres, foi realizado em parceria com as organizações canadenses RITC – Research for International Tobacco Control HealthBridge.

O encontro reuniu, no Rio de Janeiro, cerca de 20 representantes de organizações não governamentais e governamentais, com o objetivo de ampliar a participação, a credibilidade e o papel da sociedade civil organizada no controle do tabagismo e sua interface com as relações de gênero no país.

No encerramento do seminário, foi lançado um edital para advocacy para o financiamento de pequenos projetos de pesquisa que pudessem contribuir para ações de controle do tabagismo a partir de uma perspectiva de gênero. Segundo o edital, as pesquisas deveriam considerar os seguintes temas: fumicultura;  ambientes livres do tabaco; proibição de publicidade, promoção e patrocínio de produtos de tabaco; política de preços e impostos e tabaco e pobreza.

As candidatas interessadas tiveram 15 dias para elaborar seus projetos de pesquisa, que foram avaliados por um comitê de seleção formado por seis profissionais das áreas de direito, saúde, comunicação e acadêmicos com vasta experiência no tema do controle do tabaco.

A ACT recebeu sete propostas de pesquisa. Cinco foram realizadas por organizações não-governamentais e duas  por pesquisadoras independentes.  As selecionadas tiveram seis meses para desenvolver as pesquisas e entregar o relatório final para a ACT.

Em março de 2010, a ACT publicou um resumo de quatro das pesquisas selecionadas: As Mulheres e o Tabagismo - Uma Nova Questão na Agenda Feminista, do Coletivo Feminino Plural; A Situação dos Direitos Humanos das Mulheres Fumicultoras no Estado do Rio Grande do Sul, de Fernanda Castro Fernandes; Levantamento das Condições Socioeconômico, Cultural e Ambiental Geral de Mulheres Fumantes em Situação de Vulnerabilidade Social do Município de Teresina-PI, do GEMDAC - Gênero, Mulher, Desenvolvimento e Ação; e Jovens Infratoras: Comportamento de Risco e Tabagismo, do Instituto Terra, Trabalho e Cidadania – ITTC.

Também foi publicada a pesquisa da Rede Feminista de Saúde. O estudo reforçou o que outras pesquisas já haviam revelado: o consumo do tabaco é, sim, uma questão de saúde pública no Brasil. O trabalho, no entanto, se diferenciou ao focar o  olhar das mulheres quanto às campanhas publicitárias voltadas ao combate ao tabagismo, e as critica por, muitas vezes, culpar as mulheres por estarem fumando.

Um hotsite da Rede Feminista pode ser acessado, com dados sobre este estudo: http://www.redesaude.org.br/portal/generoetabaco/

A MULHER E O TABACO

O aumento da participação da mulher no mercado de trabalho e o crescimento de seu papel na sociedade fizeram com que a indústria do tabaco passasse a divulgar o cigarro, a partir da década de 60, como símbolo de emancipação e independência, além de sensualidade. Tal abordagem influenciou o consumo pelo público feminino, sendo inclusive criadas marcas de cigarro direcionadas especificamente às mulheres.

Evidências científicas têm demonstrado que as mulheres são tão ou mais suscetíveis que os homens aos malefícios do fumo, tanto nos aspectos de saúde geral (cardiovascular e pulmonar, por exemplo), quanto nas peculiaridades próprias do sexo, como a gestação, a menopausa, o uso de pílulas anticoncepcionais, os cânceres de colo uterino e mama, entre outros.

Em termos objetivos, pode-se dizer que o tabagismo mata homens e mulheres, mas há diferenças específicas do gênero, cujas evidências são crescentes. Pode-se exemplificar observando que mulheres adquirem câncer de pulmão com exposições menores que os homens; adenocarcinomas (cânceres glandulares) ocorrem mais em mulheres fumantes que em homens, e podem resultar de modos diferentes de fumar (inalação profunda) e/ou produtos voltados às mulheres, como os chamados cigarros “light”. No caso da doença arterial coronariana na mulher, observa-se uma maior gravidade e mortalidade que nos homens, e estudos médicos atuais orientam que as diferenças fisiopatológicas, os riscos tradicionais e psicossociais, sintomas, tratamentos e resultados em homens e mulheres devem ser revisados, a par destas diferenças gênero-específicas. Algumas doenças potencializadas com o uso do tabaco por mulheres são:

A Doença Cardiovascular 

O tabagismo é a maior causa de doença coronariana tanto em homens quanto em mulheres, e a correlação entre o fumo e a doença cerebrovascular tambem já foi descrita pela ciência. Além disto, fumar é o mais poderoso fator de risco para doença arterial periférica, e recentemente o fumo passivo tem sido colocado também como importante fator para doença arterial coronariana.

A doença cardio e cerebrovascular é a causa de morte mais comum entre fumantes. Os efeitos do fumo no início e na progressão da aterosclerose, assim como de suas complicações, é o maior responsável pelo aumento do risco cardio e cerebrovascular em fumantes, comparativamente aos não fumantes. Nas mulheres, embora o status hormonal possa ter um papel estabilizador da placa aterosclerótica, o tabagismo pode influenciar nas complicações da aterosclerose.

O Câncer de Pulmão

O relatório “O Tabaco e a Mulher”, do departamento americano de saúde, divulgado em 2001, alerta que nos Estados Unidos a mortalidade feminina provocada por câncer de pulmão aumentou 600% nos últimos 50 anos, sendo responsável por 25% das mortes por câncer nas mulheres americanas (contra 3% em 1950).

As estimativas do Instituto Nacional do Câncer (Inca) para 2008 no Brasil prevêem 9.460 novos casos de câncer de pulmão, classificando-o como o quarto mais frequente nas mulheres brasileiras (sem considerar o câncer de pele não melanoma), exceção feita à região Nordeste, onde ocupa o quinto lugar.

Estudos médico-científicos observam que os níveis de mortalidade por câncer de pulmão entre os homens têm se mantido estáveis ou até diminuído, em países desenvolvidos. Entre as mulheres, entretanto, tem havido um marcado aumento de mortalidade. Tal fato relaciona-se à redução do consumo de cigarros entre os homens, nestas últimas décadas, nestes mesmos países desenvolvidos.

Câncer de Mama

Segundo as estimativas do Inca, o Brasil deve registrar 49.400 novos casos de câncer de mama em 2008, que traduz um risco estimado de 51 casos para cada 100 mil mulheres, tornando-o o câncer mais incidente entre a população feminina.

A relação entre tabagismo e este tipo de câncer é muito estudada. Avaliações da época de inicio do tabagismo e sua intensidade têm sido realizadas para quantificar o aumento no risco de câncer mamário, relacionando-o com fatores de conhecida relevância na história natural da doença, como a existência de gestações e a menopausa. Sabe-se que o risco aumenta quando o tabagismo começa cinco anos após a primeira menstruação e em mulheres sem filhos, fumantes de mais de 20 cigarros/dia ou que tenham fumado cumulativamente 20 maços/ano ou mais.

Estudos recentes sugerem que tanto o fumo ativo quanto o passivo levam a um aumento no risco de doença, comparando-se com as mulheres não fumantes (ativas ou passivas). 
Há também risco de câncer de pulmão para mulheres fumantes submetidas à radioterapia para tratamento de câncer de mama.

Câncer de Colo Uterino

O câncer de colo uterino é atualmente o segundo câncer mais comum entre as mulheres, sendo responsável por 230 mil mortes ao ano, em todo o mundo.  No Brasil, segundo as estimativas do Inca são esperados 18.680 novos casos em 2008.

A relação do tabagismo como importante fator causal para o câncer do colo uterino já é bem conhecida pela ciência. Um bom exemplo é um estudo realizado em 2002, numa clinica de colposcopia em Rhode Island – EUA, entre pacientes com exames de Papanicolau alterados ou com diagnóstico prévio de câncer de colo. Foi confirmada nesta população uma grande porcentagem de fumantes (39%, ou seja, 98 entre 250 mulheres).

Em Oxford, no Reino Unido, uma avaliação de dados de 23 estudos epidemiológicos em câncer de colo uterino definiu com clareza que o risco deste tipo de câncer aumenta nas fumantes quanto maior é o número de cigarros ao dia (intensidade) e o inicio do tabagismo em idades mais precoces (duração).

Já o fumo passivo foi avaliado em um extenso trabalho realizado junto ao Hospital John Hopkins, acompanhando por anos um grupo de fumantes (ativos e passivos), confirmando-se o aumento do risco de câncer de colo para ambos os tipos de tabagismo (ativo e por poluiçào ambiental).

O tempo de sobrevida após o câncer de colo uterino também é influenciado pelo tabagismo. Estudo desenvolvido na Faculdade de Medicina na Universidade de Washington chegou à conclusão que a sobrevida de mulheres com câncer de colo uterino diminui na presença do tabagismo..

A Saúde Reprodutiva – Fertilidade e Gestação

Nas mulheres que desejam engravidar e que não usam métodos contraceptivos hormonais, a presença do tabagismo diminui a taxa de fertilidade (de 75% para 57%). Cientificamente, isto foi verificado através de taxas de concentração de nicotina e cotidina no fluido folicular (dentro do ovário).

Em comparação às não fumantes, as fumantes (que fumam antes da gestação) têm o dobro de chances de demorar a engravidar, e um aumento de 30% nas chances de tornar-se infértil.
O uso de pílulas contraceptivas em tabagistas apresenta-se como um grave risco para o sistema circulatório, aumentando os riscos de doenças coronarianas e acidentes vasculares cerebrais (derrames) em 22 vezes. O surgimento da menopausa precoce, que agrava os riscos de doenças cardiovasculares, e de dores no período menstrual também são mais frequentes nas mulheres tabagistas que nas não fumantes.

Durante a gestação, também observamos um maior número de complicações entre as mulheres fumantes. Elas têm maior risco de aborto espontâneo e de natimortos, além de partos mais frequentemente por cesárea. O risco de ruptura prematura de membranas praticamente dobra nas fumantes e o risco de um bebê prematuro é 30% maior.

O peso médio dos recém-nascidos também é afetado, numa média de 348,5 grs menos nas fumantes que nas não fumantes, e de 281,1grs a menos nas gestantes expostas ao fumo passivo que nas não expostas.  A ocorrência dos bebês menores de 2.500grs são mais frequentes nas mulheres que fumam durante a gestação (e nas fumantes passivas – 20%).
A chamada Síndrome da Morte Súbita do recém nascido ocorre com mais frequência (de 1,4 a 3 vezes mais) entre os filhos de mães fumantes.

Não podemos esquecer também que a mãe fumante muitas vezes torna seus filhos fumantes passivos; tais crianças apresentam um risco maior de apresentarem bronquite, pneumonias, otites (infecções de ouvido), asma (formas graves), sintomas respiratórios e crescimento pulmonar mais lento.


 
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