Poluição do Ar

Praticamente toda a população mundial (99%) vive em locais cujo ar não está de acordo com os padrões de qualidade estabelecidos pela OMS, especialmente em países de baixa e média renda. Como a poluição atmosférica é um fator de risco para condições crônicas como doenças cardíacas, acidente vascular cerebral (AVC), doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) e câncer, entre outras, políticas públicas para enfrentar a questão precisam ser uma prioridade na agenda da saúde.

Nesse contexto, é fundamental assegurar a implementação de estratégias integradas e monitoramento contínuo da qualidade do ar. Reduzir as emissões, as concentrações ambientais dos poluentes e a exposição humana são objetivos-chave que precisam ser considerados na formulação de políticas de controle da poluição.

Um aspecto particularmente relevante com relação à saúde é a exposição das pessoas à poluição do ar durante seus deslocamentos diários, que afeta de forma desproporcional as populações mais vulneráveis. Nas cidades, pessoas com menor renda, em geral, habitam áreas mais distantes e periféricas, o que acarreta um tempo maior de exposição a poluentes nos trajetos. Assim, é essencial pensar em modos de tornar a mobilidade e o planejamento urbano mais saudáveis e sustentáveis para todos.

A poluição do ar também está intrinsecamente ligada com as mudanças climáticas. Fontes emissoras, como combustíveis fósseis no transporte, na indústria e na geração de energia, liberam gases de efeito estufa, contribuindo para o aquecimento global, especialmente em países de menor renda e áreas onde se encontram populações que vivem em condições de maior vulnerabilidade. A relação também se retroalimenta: as mudanças climáticas intensificam ondas de calor, secas e incêndios, agravando a poluição atmosférica e seus impactos. Assim, políticas de melhoria da qualidade do ar, transição energética e mobilidade sustentável devem ser entendidas como medidas integradas de proteção da saúde, do ambiente e do clima.