17 de setembro de 2025
Viviane Tavares
A cada ano, o álcool é responsável pela morte de milhões de pessoas no mundo. No Brasil, esse número chega a 105 mil, e o custo anual para o país ultrapassa a marca de 20 bilhões de reais. Apesar desses dados alarmantes, somos bombardeados por anúncios de cerveja em praticamente todos os lugares: na televisão, nas redes sociais, em estádios e até em novelas e séries. A pergunta é: por que essa exposição massiva é permitida?
A resposta está em uma lei de quase 30 anos. Desde 1996, a Lei n.º 9.294 proíbe a propaganda de bebidas com teor alcoólico superior a 13%. O problema? A maior parte das cervejas tem um percentual de álcool igual ou inferior a 5%. Com essa brecha, a bebida mais consumida no país, que movimenta cerca de 90% do setor, fica livre de qualquer restrição.
Por isso, a ACT Promoção da Saúde, em parceria com a Vital Strategies e a Abead, lançou a campanha “Cerveja também é Álcool” durante os meses de agosto e setembro. Entre as reivindicações, estava a isonomia entre as bebidas alcoólicas. Conforme informou a coordenadora do projeto álcool, Laura Cury, “a população acaba deduzindo que há bebidas menos danosas que outras”. No entanto, tanto a Organização Mundial da Saúde (OMS) quanto o Ministério da Saúde são claros: não existe dose segura de álcool.
Para ajudar nessa missão, a campanha contou com peças publicitárias em mídia programática e redes sociais, além de influenciadores como a Carol Loback e um concurso destinado a jovens que contaram como a publicidade da cerveja impactou suas vidas. Foram produzidos, ainda, episódios dos podcasts Naruhodo e Olá, Ciência. O reforço da mensagem de que Cerveja também é Álcool vem atrelado ao apoio à aprovação de projetos de lei que têm como objetivo a atualização da legislação vigente, como os PLs 1548/2025 e 753/2015, da Câmara dos Deputados, e o PL 2502/2023, do Senado Federal. A meta é que a publicidade de bebidas seja regulamentada pelo Estado, independentemente do teor alcoólico, e que o patrocínio de eventos esportivos e culturais seja proibido para proteger o público mais vulnerável, tendo como referências as melhores práticas internacionais e as orientações da OMS.