Após o fim da Copa do Mundo, a mídia já se voltou para as eleições de 2026, pauta que vai dominar o noticiário brasileiro no segundo semestre. Neste ano, em específico, candidatas e candidatos que forem eleitos vão atuar em um período decisivo para a saúde e a sustentabilidade, visto que o quadriênio 2027-2030 marca os anos finais de duas agendas essenciais: a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável da ONU, em nível global, e o Plano de Ações Estratégicas para o Enfrentamento das Doenças Crônicas e Agravos não Transmissíveis (DCNTs), em âmbito nacional.

Historicamente, o Brasil é considerado uma liderança em ambas as áreas, mas o país vem perdendo fôlego nos últimos tempos. Como resultado, diversas metas de ambas as agendas estão atrasadas ou, pior, em retrocesso. Ainda há tempo, no entanto, para melhorar muitos indicadores nos próximos quatro anos e implementar políticas públicas que promovam um futuro mais saudável e sustentável a longo prazo – desde que, é claro, as pessoas eleitas para os poderes Legislativo e Executivo nas eleições de 2026 trabalhem em prol desse objetivo.

Nesse contexto, a ACT Promoção da Saúde acaba de lançar a Agenda Brasil Mais Saudável, publicação que reúne evidências científicas e recomendações internacionais para listar políticas públicas para prevenir doenças crônicas, promover a saúde e a equidade, beneficiar a economia e proteger o meio ambiente. O documento foi elaborado em conjunto por toda a equipe técnica da ACT e revisado por um painel de especialistas.

Entre os pilares da Agenda Brasil Mais Saudável está o conceito de Prevenção 360º, uma proposta de abordagem integrada para enfrentar as DCNTs que reconhece que a saúde, a sustentabilidade e a equidade estão intrinsecamente ligadas e que enfrentar os principais fatores de risco para essas doenças – alimentação inadequada, consumo de álcool e tabaco, inatividade física e poluição do ar – por meio de políticas públicas eficazes protege as pessoas e o planeta.

Entre as políticas listadas na publicação, todas com base em evidências científicas, experiências e recomendações internacionais, quatro pilares se destacam: tributação de produtos nocivos, restrição da publicidade, redução da disponibilidade e promoção de ambientes saudáveis, incluindo o planejamento urbano para promover a mobilidade ativa, o transporte coletivo, a segurança pública e a redução da poluição do ar, em especial em áreas de vulnerabilidade social e econômica.

Esperamos que os próximos quatro anos fiquem marcados como um período de retomada para o Brasil, que tem plena capacidade de continuar a ser exemplo e um líder global. Promover a saúde das pessoas e do planeta é possível, mas é preciso comprometimento dos representantes eleitos.