A maioria da população brasileira reconhece os principais fatores de risco relacionados às doenças crônicas não transmissíveis (DCNT), percebe as mudanças climáticas influenciando na saúde e aponta a importância de ampliar o acesso à informação e a transparência das empresas para enfrentá-las. São os dados de uma pesquisa inédita feita pelo Instituto Datafolha sob encomenda da ACT Promoção da Saúde no âmbito do projeto Prevenção 360º, apoiado pela Umane. Uma reportagem sobre o tema foi publicada na Folha de S. Paulo.

A pesquisa verificou se a população entende que as DCNT, como pressão alta, câncer, diabetes, doenças do coração e respiratórias, estão relacionadas com fatores de risco. O tabagismo é o principal fator para 92% das pessoas, seguido pelo consumo de álcool, para 83%, alimentação não saudável para 80%. O sedentarismo e a poluição do ar são considerados por 78% como fatores de risco. O levantamento investigou, também, a percepção da população sobre a influência das mudanças climáticas nas DCNT, mostrando que 81% dos brasileiros acreditam que eventos como ondas de calor, enchentes e tempestades aumentam o risco de desenvolver essas doenças. 

Um relatório recente da Organização Mundial da Saúde mostra que até 45% dos riscos de demências podem ser atribuídos a fatores modificáveis, como o tabaco, o consumo de álcool, o isolamento social, a inatividade física, a poluição atmosférica e as DCNT, entre elas a hipertensão e diabetes. Como se sabe, o grupo das DCNT é responsável por 74% das mortes, em todo o planeta, e 53,9%, no Brasil. 

Para combater as DCNT, as pessoas entrevistadas pelo Datafolha valorizaram ações que ampliem o acesso à informação e fortaleçam a responsabilidade das empresas. Chamou a atenção o apoio de 33% a medidas legislativas, o que gera uma oportunidade de ampliar o debate sobre o papel do Estado, mostrando que as regulações não limitam a liberdade individual, mas criam condições mais justas para que ambientes saudáveis possam levar a escolhas saudáveis. 

A pesquisa também perguntou se as pessoas votariam em candidatos que tenham apoio das indústrias de produtos nocivos e mostrou que 77% não votariam em candidatos apoiados pela indústria do tabaco, 68% não votariam nos apoiados pela indústria de álcool e 58%, pela de ultraprocessados. 

A ACT, com apoio da Umane, tem trabalhado com o conceito de prevenção 360º, uma abordagem integrada para o enfrentamento dos fatores de risco das DCNT, reconhecendo as interconexões entre a saúde e o meio ambiente. Ela busca colocar essas doenças como prioridade na agenda pública de saúde, contribuindo para a construção de uma sociedade mais saudável e equitativa, o fortalecimento do SUS e a redução da sobrecarga dos serviços de saúde e do orçamento público.