23 de setembro de 2026
Juliana Waetge
A legislação brasileira define aditivos alimentares como qualquer ingrediente sem propósito nutricional adicionado intencionalmente a alimentos para alterar características físicas, químicas, biológicas ou sensoriais. Eles são classificados de acordo com a sua função, incluindo, entre outras, acidulantes, agentes de firmeza, antiespumantes, antioxidantes, antiumectantes, aromatizantes, conservantes, corantes, edulcorantes, emulsificantes, espessantes, estabilizantes, gelificantes, realçadores de sabor, reguladores de acidez, sequestrantes e umectantes.
O Guia Alimentar para a População Brasileira destaca que os alimentos ultraprocessados contêm ingredientes de uso industrial que incluem “proteínas de soja e do leite, extratos de carnes, substâncias obtidas com o processamento adicional de óleos, gorduras, carboidratos e proteínas, bem como substâncias sintetizadas em laboratório a partir de alimentos e de outras fontes orgânicas como petróleo e carvão. Muitas dessas substâncias sintetizadas atuam como aditivos alimentares cuja função é estender a duração dos alimentos ultraprocessados ou, mais frequentemente, dotá-los de cor, sabor, aroma e textura que os tornem extremamente atraentes.”
No contexto atual, em que os ultraprocessados se espalham nas prateleiras dos mercados e nas mesas dos brasileiros, ampliar a compreensão sobre o uso dos aditivos presentes em sua composição é fundamental. Por isso, a ACT Promoção da Saúde lançou neste ano a cartilha Aditivos Alimentares: tecnologia, saúde e políticas públicas, trazendo informações consolidadas sobre o tema.
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Substâncias para conservar ou modificar alimentos já são utilizadas há muito tempo ao longo da história humana. Práticas como defumação, fermentação, salga e uso de açúcar, vinagre, especiarias e óleos, por exemplo, tinham funções como o prolongamento da vida útil dos alimentos e a redução de riscos microbiológicos. No entanto, a partir do processo de industrialização, esse processo se intensificou de forma cada vez mais expressiva, especialmente com o uso de aditivos artificiais, e causou impactos severos nos sistemas alimentares. Além do aumento da produção, do tempo de prateleira dos produtos e da distribuição em larga escala, atualmente muitos aditivos são usados para padronizar sabores, texturas e cores.
Nesse contexto, práticas e culturas alimentares tradicionais muitas vezes acabam perdendo espaço para ultraprocessados, cujo consumo está associado com maior incidência de doenças crônicas não transmissíveis (DCNTs), grupo que inclui diabetes, doenças cardiovasculares e câncer. Além disso, a cartilha destaca que pesquisadores têm avaliado a relação entre os aditivos alimentares e microbiota intestinal, resposta inflamatória e mecanismos metabólicos.
Acompanhe as redes sociais da ACT para saber mais sobre os aditivos alimentares e outros tópicos relacionados à promoção da saúde e da alimentação saudável.