21 de outubro de 2026
Viviane Tavares
O câncer de mama tem múltiplos determinantes, e prevenir exige políticas públicas que garantam condições de vida saudáveis para as mulheres. Todo mês de outubro, o câncer de mama ganha espaço no debate público. A mobilização é necessária, mas a conversa precisa começar antes da doença e alcançar as condições em que vivemos, trabalhamos, nos alimentamos e consumimos. Segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca), 30% dos cânceres em mulheres são na região, por isso o mês de outubro foca em ações de conscientização sobre cuidados preventivos.
É importante ressaltar que um dos principais fatores de risco é o consumo de bebidas alcoólicas. A Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (IARC), vinculada à Organização Mundial da Saúde (OMS), estima que o álcool tenha causado cerca de 98 mil novos casos de câncer de mama no mundo em 2020. Mesmo assim, essa relação aparece pouco nas conversas sobre saúde da mulher. Na propaganda o sentido é oposto, como foi apresentado pela campanha “Cerveja também é álcool” da ACT neste semestre.
Outros fatores de risco
Há evidências sólidas de que a atividade física reduz o risco de câncer de mama e de que o excesso de gordura corporal aumenta após a menopausa. O Instituto Nacional de Câncer (Inca) estima que cerca de 17% dos casos poderiam ser evitados com atividade física, peso corporal adequado e consumo de alimentação adequada e saudável. No entanto, sabemos que alimentar-se bem exige tempo, condições para cozinhar e responsabilidades compartilhadas, apoiadas por políticas públicas de cuidado e de acesso aos alimentos. A cesta básica com alíquota zero, composta majoritariamente por alimentos que favorecem uma alimentação saudável, é uma conquista da reforma tributária nessa direção.
Prevenção no ano inteiro e integrada
A ACT este ano lançou um novo conceito de cuidados integrados, o de Prevenção 360°, que propõe enfrentar os cinco principais fatores de risco para as doenças crônicas não transmissíveis (DCNT): tabagismo, álcool, alimentação inadequada, inatividade física e poluição do ar. Esses fatores frequentemente se sobrepõem e compartilham determinantes sociais, ambientais e comerciais. A proposta reconhece que as possibilidades de escolha dependem das condições de vida e defende políticas coordenadas entre diferentes setores para promover ambientes saudáveis e reduzir desigualdades de renda, gênero, raça e território. Destes, pelo menos três impactam diretamente no aumento do câncer de mama.
Na prática, isso significa garantir acesso à uma vida mais saudável para o corpo e para o ambiente em que vivemos.