Nas últimas semanas, o cantor Leonardo virou assunto nas redes sociais por um motivo diferente do habitual: ele se desafiou a parar de beber por 30 dias. A pausa foi recomendada por sua equipe médica depois que exames de rotina apontaram uma alteração considerada nos índices de triglicérides, levando à sugestão dessa pausa ao consumo desse produto nocivo à saúde.
O caso chamou atenção justamente porque expôs, de forma bem concreta, algo que a ciência já vinha mostrando: a dificuldade com a dependência e como o corpo começa a responder muito rápido quando o álcool sai de cena.
Segundo a Organização Mundial da Saúde, em um guia publicado sobre como reduzir ou parar o uso de álcool e outras substâncias há iniciativas pequenas e informações importantes para mudar o hábito de consumo, confira:
- Não existe dose segura de consumo: A OMS já constatou e o Ministério da Saúde ratificou que mesmo o consumo considerado “moderado” pode trazer riscos, e não há uma quantidade de álcool totalmente livre de consequências para a saúde..
- Sinais de que vale prestar atenção: beber mais de duas doses por dia, não ter ao menos dois dias na semana sem consumo, ou perceber que o álcool está atrapalhando o sono, a memória, o trabalho ou os relacionamentos.
- Mudar é possível, e não precisa ser tudo de uma vez: A OMS sugere começar identificando os prós e contras de continuar bebendo em comparação a reduzir ou parar, mapear as situações de maior risco como horários, lugares, companhias, emoções e construir metas realistas, sejam elas cortar o consumo ou parar por completo.
- Ter um apoio faz diferença: Contar com alguém de confiança como parceiro, amigo, familiar ou profissional de saúde durante o processo aumenta as chances de sustentar a mudança.
Vale lembrar que esse tipo de dicas, segundo a OMS, é indicado para pessoas com risco moderado, sem dependência grave. Quem sente sintomas físicos de abstinência (tremores, sudorese, ansiedade intensa) ao tentar parar deve buscar acompanhamento médico, já que a interrupção abrupta pode ser perigosa nesses casos.
E como buscar ajuda? A boa notícia é que o Brasil tem uma rede pública estruturada especificamente para isso, e o acesso é gratuito:
- Comece pela UBS. A Unidade Básica de Saúde mais próxima da sua casa é a porta de entrada: lá é possível fazer uma primeira avaliação e ser encaminhado, se necessário.
- CAPS AD (Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas). São unidades especializadas em dependência química, com equipe multiprofissional — médicos, psicólogos, assistentes sociais, terapeutas ocupacionais e enfermagem. Muitas funcionam com acolhimento imediato, sem necessidade de encaminhamento prévio.
- Grupos de ajuda mútua, como os Alcoólicos Anônimos (AA), também são uma opção complementar, com reuniões presenciais e online — as informações de contato estão disponíveis em aa.org.br.
- Atendimento digital: o aplicativo Meu SUS Digital tem ampliado o acesso a serviços de saúde mental, incluindo triagem e encaminhamento.