Hipertensão, diabetes, câncer e doenças do coração, as chamadas doenças crônicas não transmissíveis (DCNTs) já são, sozinhas, um desafio e tanto para quem convive com elas todos os dias. Mas existe um fator que costuma passar despercebido e que pode fazer toda a diferença no sucesso do tratamento: a depressão. Em meio ao setembro amarelo, vale levar em consideração a convergência dessas doenças. 

Cada vez mais pesquisas científicas  mostram que depressão e doenças crônicas se retroalimentam. E isso é de extrema relevância uma vez que as DCNTs são a principal causa de morte no mundo. Segundo a Organização Mundial da Saúde, elas respondem por cerca de 74% de todas as mortes no planeta, puxadas principalmente por doenças cardiovasculares, câncer, doenças respiratórias crônicas e diabetes.

No Brasil, os números seguem uma tendência parecida e se agravou ainda mais após a pandemia. Os dados do Vigitel mostram que, por exemplo, a hipertensão arterial subiu de 22,6% da população adulta em 2006 para 29,7% em 2024; o diagnóstico de diabetes saltou de 5,5% para 12,9% no mesmo período; a obesidade mais que dobrou, com crescimento de 118% entre 2006 e 2024; e a saúde mental segue o mesmo caminho preocupante. Um levantamento feito com os dados do Vigitel 2023 encontrou que 13,7% dos adultos entrevistados relataram diagnóstico médico de depressão, enquanto as mulheres chegam a 17,5%, sendo, o grupo mais afetado. Entre quem já vive com hipertensão, diabetes e obesidade, a prevalência de depressão tende a ser ainda maior. 

Cuidar da mente também é cuidar do corpo

Se você convive com uma doença crônica  ou cuida de alguém que convive, separamos alguns hábitos simples podem ajudar tanto no humor quanto na adesão ao tratamento:

  1. Fale sobre como você está se sentindo. Comentar mudanças de humor, desânimo ou falta de energia com o médico é tão importante quanto relatar sintomas físicos — a depressão também é uma condição de saúde que pode e deve ser tratada.
  2. Mantenha-se em movimento. A atividade física regular ajuda no controle da pressão, do açúcar no sangue e também tem efeito comprovado na melhora do humor.
  3. Cuide da alimentação. Uma alimentação equilibrada, com menos ultraprocessados e mais alimentos in natura, favorece o controle das DCNT e contribui para o bem-estar geral.
  4. Evite o consumo de álcool e tabaco. Eles são produtos nocivos que podem agravar quadros de saúde mental como ansiedade e depressão. 
  5. Afaste-se das telas e priorize o sono. Dormir mal está associado a maior risco de depressão e de piora nas doenças crônicas, por isso é importante também criar rotinas de desconexão. 

Se você está enfrentando questões de saúde mental, diversos serviços de assistência estão disponíveis no SUS, em postos de saúde e nos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS). Além disso, o Centro de Valorização da Vida (CVV) oferece apoio 24 horas pelo telefone 188 ou pela internet.