5 de novembro de 2025
Daniela Guedes
A transição dos sistemas alimentares, que abrangem todas as etapas de geração, distribuição e consumo de alimentos, foi um dos temas debatidos na 30ª Conferência das Partes das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP 30). Mesmo sendo responsáveis por dois terços das emissões de gases do efeito estufa, só no Brasil, os sistemas alimentares continuam fora das prioridades do financiamento climático. Esse descompasso perpetua as desigualdades, acelera a degradação dos recursos naturais e ignora custos sociais ocultos.
De 10 a 21 de novembro, as diretoras da ACT, Paula Johns e Daniela Guedes, participaram de painéis, debates e atividades interativas. Uma das bandeiras levantadas pela ACT, durante as rodas de conversa, foi a adoção de impostos saudáveis para colaborar com o financiamento da transição justa e sustentável dos sistemas alimentares.
Para chamar a atenção dos participantes do evento, a ACT levou um latão inflável de refrigerante de 3 metros de altura, escrito “diabetes”. A intenção era trazer a reflexão de como o consumo de ultraprocessados vem substituindo as dietas ricas tradicionais e ainda expor que, indústrias como a do refrigerante – apesar do consumo do seu produto estar relacionado a várias doenças -, ainda recebem incentivos fiscais que poderiam estar sendo direcionados ao financiamento de programas de saúde e de incentivo à agricultura familiar, por exemplo.
As atividades da ACT aconteceram, em sua maior parte, no pavilhão Food Roots and Routes, situado na Zona Azul, espaço oficial da COP30 que concentrou as negociações políticas e os encontros diplomáticos. No pavilhão, a agenda foi organizada por um coletivo de organizações, incluindo a ACT, e contou com mesas de debates integradas por representantes dos povos originários indígenas e quilombolas e da agricultura familiar, além de grandes especialistas em saúde, nutrição, agroecologia, agronomia.
Paralelo às atividades nos espaços oficiais da COP, a ACT também participou de mobilizações como a “Barqueata”, uma passeata de barcos, e a Marcha Global pelo Clima. A caminhada reuniu cerca de 70 mil pessoas entre representantes de povos indígenas de várias etnias, movimentos sociais e culturais, num percurso de 5 quilômetros pelas ruas de Belém.