A arma de fogo se mantém como principal meio utilizado no assassinato de mulheres no Brasil há quase uma década. Cerca de 2 mil mulheres são mortas a cada ano no país, e metade dessas mortes é causada por parceiros íntimos que usam bebida alcoólica. Arma e álcool são uma combinação fatal, especialmente, para as mulheres.

Esta afirmação é embasada na 4ª edição da pesquisa Pela Vida das Mulheres: o papel da arma de fogo na violência baseada em gênero, lançada em março pelo Instituto Sou da Paz. De todos os casos, a suspeita de consumo de álcool pelo autor da agressão é reportada em 27% das notificações de violência armada. Nos casos em que a agressão ocorreu em residência, a suspeita de consumo de álcool chega a 39% e, em bares, a 41%. Nos casos de agressão cometida por parceiros íntimos, a suspeita de consumo de álcool chega a 50% entre cônjuges e namorados e a 46% entre ex-companheiros. Os achados são convergentes com os da pesquisa de vitimização, que apurou haver influência de álcool no momento da agressão em 40% dos casos.

É importante ressaltar que o perigo está em casa e na normalização do uso dessa substância. O perfil dos agressores também vale um destaque. São em sua maioria homens, 76%, e adultos, 48%, o que reforça a importância do debate sobre consumo de álcool e prevalência do machismo.

É urgente falar do impacto da violência armada na vida das mulheres e da necessidade de investir em políticas de controle de armas orientadas às questões de gênero”, destaca Carolina Ricardo, diretora-executiva do Instituto Sou da Paz. 

Problema generalizado

O Brasil ocupa o terceiro lugar entre todos os países da região das Américas com as maiores taxas de morte por violência atribuível ao álcool, com 21,7 mortes por 100.000 habitantes. Destas, quase 15 mil casos foram atribuíveis ao álcool, em 2016, no país. Isto é três vezes mais que as mortes pela mesma natureza nos Estados Unidos no mesmo ano,  embora o Brasil tenha apenas 62% da população. 

O problema também é percebido pela população. De acordo com uma pesquisa Datafolha 2024, oito em cada dez brasileiros concordam que o álcool deve ser tributado para frear seu consumo e, em consequência, os problemas decorrentes.

Confira o relatório na íntegra aqui.