De 5 a 4 de agosto, em Genebra, na Suíça, representantes de mais de 170 países se reúnem para mais uma rodada de negociação do Tratado Global de Plásticos. Às vésperas do encontro, a Coalizão Vida Sem Plástico redobra os esforços para que essa oportunidade não represente a vitória de produtores e indústria petroleira, que vêm atuando para limitar a abrangência do documento em relação à produção e gestão de resíduos plásticos e à busca de soluções para reduzir a nossa dependência de combustíveis fósseis.

Mais de 15 organizações, entre elas a ACT Promoção da Saúde, Oceana Brasil, WWF e Clima Info, compõem a Coalizão Vida Sem Plástico.  A iniciativa reflete a importância da construção de um Tratado Global que atue efetivamente contra a poluição plástica. Nesse sentido, as instituições vêm se mobilizando para sensibilizar a sociedade civil e influenciar políticas públicas que garantam um futuro mais sustentável e justo para todo o planeta. Veja aqui o relatório de atividades do movimento. 

As negociações para um Tratado Global sobre Plásticos começaram em 2022. De lá para cá, a Organização das Nações Unidas (ONU) promoveu cinco reuniões do Comitê Intergovernamental de Negociação (INC, na sigla em inglês). Inicialmente, a ideia era fechar o acordo ano passado, na Coreia do Sul. Como não houve consenso, foi agendada essa nova rodada de negociações na Suíça.

Ao lado de instituições parceiras da Coalizão Vida Sem Plástico, a ACT lançou no primeiro semestre de 2025, a campanha Duplo Impacto. A articulação mostrou que as indústrias de álcool, tabaco e alimentos ultraprocessados não figuram apenas no topo dos fatores de risco para doenças crônicas não transmissíveis (DCNTs) – diabetes, hipertensão, insuficiências cardiorrespiratórias e câncer, entre outras. Essas mesmas empresas estão entre as que mais poluem, especialmente por causa das embalagens feitas de plástico.

A ação reuniu evidências da atuação predatória dessas marcas. Em 2019, a Coca-Cola foi responsável pela fabricação de 3 milhões de toneladas de plástico, a Pepsico, 2,3 milhões, e a Nestlé, 1,7 milhão, segundo The New Plastics Economy Global Commitment. Já o setor de tabaco e derivados respondem pelo descarte anual de 4,5 trilhões de bitucas, filtros com componentes plásticos e substâncias tóxicas que poluem o solo e os oceanos.