15 de outubro de 2025
Viviane Tavares
Durante o mês de setembro de 2025, diversos eventos paralelos aconteceram durante a Assembleia Geral da ONU (AGNU), em Nova York. A ACT Promoção da Saúde, representada pela diretora executiva Paula Johns e pela coordenadora do projeto álcool Laura Cury, aproveitou a oportunidade para apresentar dados sobre o avanço do Brasil no Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 3, que trata de saúde e bem-estar, em especial as metas relativas às Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNTs) e à saúde mental, na Agenda 2030. A organização é co-facilitadora do GT Agenda 2030 no Brasil e ponto focal do ODS 3 do Relatório Luz.
Chamado de Documento Sombra – uma alusão ao Relatório Luz, publicado anualmente para acompanhar o desenvolvimento dos ODS -, o material trazia uma conclusão desanimadora: o Brasil está longe de cumprir as metas deste ODS.
Entre as evidências estão, por exemplo, que a mortalidade precoce segue elevada, o consumo de álcool continua preocupante, e a prevalência do tabagismo, que estagnou entre 2018 e 2023, já dá indícios de um possível aumento em 2024. Além disso, o marketing agressivo de produtos nocivos continua a minar as políticas de saúde pública. Com esses números, o país, se seguir como está, não alcançará a meta de “saúde para todas as pessoas”. “É preciso agir de forma urgente em três frentes: fiscal, regulatória e intersetorial”, explica Laura Cury.
As DCNTs continuam sendo a principal causa de morte precoce no Brasil, registrando 305.542 mortes prematuras (entre 30 e 69 anos) apenas em 2023. Outras edições dos documentos sombra já apontavam a falta de avanços. No entanto, a crise é mais severa para grupos vulneráveis, evidenciando desigualdades estruturais profundas: a mortalidade por câncer de mama, por exemplo, vitimou 57% a mais mulheres negras do que a média. Em relação à saúde mental, o crescimento entre as mulheres jovens de 15 a 29 anos chegou a 72%, e as taxas de suicídio entre crianças de 10 a 14 anos quase dobraram desde 2014.