A inflação de alimentos é um dos problemas mais graves e persistentes da economia brasileira e da saúde pública. Como ela afeta ainda mais as famílias de menor renda, seu enfrentamento é central para a promoção da segurança alimentar e nutricional.

Para avaliar a questão de uma forma mais aprofundada e subsidiar políticas públicas, a ACT e o economista Valter Palmieri Junior acabaram de lançar o relatório “A Inflação de Alimentos no Brasil: um fenômeno estrutural, específico e sistêmico”. A análise realizada confirmou uma impressão geral: produtos in natura ou minimamente processados têm subido mais de preço do que os ultraprocessados.

Em geral, a inflação de alimentos é percebida como resultado de fatores conjunturais, como a sazonalidade de culturas e a variação cambial. Ao avaliar o fenômeno nos últimos 20 anos no Brasil, entretanto, o relatório chega a outra conclusão: a alta de preços está relacionada com fatores sociais, econômicos, políticos e ambientais mais amplamente. Razões conjunturais que afetam os preços existem, mas seus efeitos são potencializados ou determinados por condicionantes estruturais.

Em conjunto, cinco fatores avaliados pelo relatório – as desigualdades do sistema agroalimentar, a enorme concentração de mercado na cadeia, as mudanças climáticas, políticas públicas ineficazes e o modelo agroexportador baseado na produção de commodities – formam uma tempestade perfeita, que se retroalimenta e causa efeitos cumulativos nos preços.

Como demonstra o relatório, é necessário e urgente colocar no centro das políticas públicas de longo prazo a garantia de alimentos saudáveis a preços acessíveis. Controlar a inflação de alimentos não é apenas uma questão monetária, mas uma escolha política que exige capacidade técnica, coordenação institucional e priorização do interesse coletivo na organização do sistema alimentar. Se a inflação é estrutural, as respostas também precisam ser.

O relatório completo e um sumário executivo que resume os principais achados já estão disponíveis no site da ACT.