21 de janeiro de 2026
Juliana Waetge
Vamos começar o ano pensando na saúde mental? O movimento Janeiro Branco, criado em 2014 em Uberlândia e hoje disseminado por todo o país, promove justamente essa ideia. A campanha nacional procura combater estigmas e incentivar políticas preventivas, ressaltando que cuidar do próprio bem-estar é uma necessidade de todos.
Isso é especialmente relevante no Brasil porque, segundo o site do Centro de Tecnologias Estratégicas do Nordeste (CETENE), o país “lidera o ranking mundial de transtornos de ansiedade, com 9,3% da população afetada, o que equivale a cerca de 18 milhões de brasileiros.”
Nesse contexto, é importante ressaltar os malefícios dos cigarros, bebidas alcoólicas e ultraprocessados para a saúde mental. Esses produtos podem passar uma impressão de alívio da ansiedade e do estresse ao serem consumidos, mas, na verdade, causam o efeito oposto. No caso do tabaco, por exemplo, a falsa sensação de calma trazida pelo cigarro é apenas parte do ciclo de abstinência da nicotina. A longo prazo, o tabaco aumenta os níveis de estresse oxidativo e prejudica a saúde cognitiva. Em relação aos ultraprocessados, já se sabe que dietas ricas em açúcares e gorduras inflamatórias estão ligadas a um maior risco de depressão.
Já no caso do álcool, embora pareça relaxar no início, ele é um depressor do sistema nervoso central. Seu consumo pode agravar quadros de ansiedade e prejudicar a qualidade do sono. Essas preocupações são particularmente importantes quando falamos do consumo por adolescentes. Segundo matéria publicada no Portal Drauzio Varella, elaborada após um encontro com especialistas no tema promovido pela ACT, os efeitos neurobiológicos são mais intensos nessa faixa etária do que em adultos, já que há uma grande formação de novas conexões cerebrais e uma maior produção de dopamina, o que aumenta a sensação de prazer induzida pelo álcool, tabaco ou qualquer droga. O córtex pré-frontal dos adolescentes, que regula o controle dos impulsos, também está ainda em desenvolvimento, o que pode comprometer o processo de tomada de decisões.
Se você está enfrentando questões de saúde mental, diversos serviços de assistência estão disponíveis no SUS, em postos de saúde e nos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS). Além disso, o Centro de Valorização da Vida (CVV) fornece apoio 24 horas pelo telefone 188 ou pela internet.