18 de março de 2026
Felipe Freitas
O sedentarismo se consolidou como um dos principais desafios de saúde pública do século XXI. Segundo três artigos recentemente publicados nas revistas Nature Medicine e Nature Health, a falta de atividade física está associada a mais de 5 milhões de mortes por ano no mundo, um número comparável ao impacto de diversos fatores de risco já amplamente reconhecidos, como cigarro e álcool. Diante desse cenário, especialistas defendem que políticas de mobilidade ativa urbana podem desempenhar papel fundamental para enfrentar esse problema.
A mobilidade ativa urbana envolve estratégias que incentivam deslocamentos a pé, de bicicleta ou por outros meios não motorizados no cotidiano. Esse tipo de abordagem vai além da promoção da atividade física individual e se conecta diretamente com políticas de planejamento urbano, transporte e sustentabilidade.
Segundo os estudos, integrar políticas de atividade física com ações voltadas ao enfrentamento das mudanças climáticas pode gerar benefícios simultâneos para a saúde da população e para o meio ambiente. Iniciativas que incentivam caminhadas, atividades ao ar livre, ciclismo e transporte público podem reduzir emissões de carbono, melhorar a qualidade do ar e aumentar os níveis de atividade física da população.
Apesar das evidências científicas, pesquisadores destacam que a atividade física ainda recebe baixa prioridade política em muitos países. Uma análise de políticas públicas de cerca de 200 nações mostrou avanços na adoção de estratégias formais para promoção da atividade física, mas com pouca implementação efetiva. Falta, segundo os especialistas, liderança institucional clara e maior articulação entre setores como saúde, transporte, educação e planejamento urbano.
A desigualdade no acesso à atividade física é outro aspecto relevante. Dados internacionais mostram diferenças significativas entre grupos sociais: homens com maior renda em países ricos apresentam níveis muito mais altos de lazer ativo do que mulheres de baixa renda em países mais pobres. Essas desigualdades revelam que políticas de mobilidade ativa urbana e infraestrutura adequada são essenciais para garantir oportunidades mais equitativas de atividade física.
Além de contribuir para a prevenção de doenças cardiovasculares e metabólicas, a atividade física também está associada a benefícios para o sistema imunológico, para a saúde mental e até para a redução do risco de alguns tipos de câncer. Esses efeitos ampliam a importância de políticas públicas que incentivem estilos de vida mais ativos.
Promover ambientes urbanos que favoreçam deslocamentos ativos é, portanto, uma estratégia que reúne ganhos para a saúde individual, para a equidade social e para o meio ambiente. Para organizações da sociedade civil que atuam na defesa da saúde pública, como a ACT, fortalecer esse debate é fundamental para impulsionar políticas que protejam a saúde da população.
Ao mesmo tempo, organismos internacionais como a Organização Mundial da Saúde reforçam que aumentar os níveis de atividade física da população é uma das ações mais eficazes para reduzir doenças crônicas e melhorar a qualidade de vida.
Diante do avanço do sedentarismo no mundo, integrar políticas de saúde, mobilidade e planejamento urbano não é apenas desejável, é uma necessidade urgente para garantir cidades mais saudáveis e sustentáveis.