3 de junho de 2026
Angélica Brum
O Dia Mundial Sem Tabaco, comemorado em 31 de maio em todo o planeta, é uma data simbólica com o objetivo de conscientizar a população sobre os riscos do tabagismo e do uso de produtos com nicotina. Este ano, a data tem um simbolismo a mais para nós: Mônica Andreis, diretora presidente da ACT, foi agraciada com o Prêmio do Dia Mundial Sem Tabaco, uma honraria concedida anualmente pela Organização Mundial da Saúde, para reconhecer indivíduos, governos e organizações que se destacam por contribuições excepcionais e esforços globais na redução do consumo de tabaco. Mônica conversou rapidamente com nosso Blog sobre a premiação.
1. O que representa o prêmio Dia Mundial Sem Tabaco?
É uma dupla alegria e honra receber este prêmio da OMS e celebrar os 20 anos da ACT Promoção da Saúde. Comecei essa história em 1999, na cardiologia da Santa Casa de São Paulo. Eu observava a dificuldade dos pacientes em largar o cigarro, mesmo após diagnósticos graves ou cirurgias. O responsável pelo serviço também percebia essa demanda e criou a Liga de Tabagismo, um grupo interdisciplinar para dar apoio aos fumantes. Depois de um tempo, passei a coordenar essa iniciativa. A experiência me convenceu de que o tabagismo não era apenas uma questão individual, mas também consequência da influência da indústria, da publicidade e da desinformação. Para entender as políticas públicas de enfrentamento dessa epidemia, me aprofundei no tema e acabei fundando, com a Paula Johns, a ACT Promoção da Saúde, organização focada no apoio a políticas de prevenção de doenças crônicas não transmissíveis (DCNT).
2. Depois de mais de duas décadas, o que a motiva a continuar atuando contra o tabagismo?
Primeiro, pela importância da pauta: o tabagismo é a principal causa de morte evitável do mundo, responsável por mais de 7 milhões de vidas perdidas por ano. Segundo, por ser uma área dinâmica e integrada, que exige atualização constante e envolve saúde, legislação, economia e meio ambiente. Mas a maior motivação é saber que o trabalho contribui diretamente para reduzir o número de fumantes, melhorar a qualidade de vida e evitar mortes precoces.
3. Como você acredita que a experiência com o tabagismo pode contribuir para a atual estratégia da ACT de Prevenção 360º, uma abordagem sistêmica e multifatorial contra as DCNT, que ressalta a interdependência entre saúde, economia e meio ambiente?
O Dia Mundial Sem Tabaco, 31 de maio, foi criado em 1987, pela OMS, mas só em 2006 entrou em vigor a Convenção-Quadro para o Controle do Tabaco, o primeiro tratado internacional de saúde pública negociado pela OMS. O texto propõe diretrizes para o enfrentamento do problema e deixa como legado o reconhecimento dos conflitos de interesse e a criação mecanismos para conter a interferência da indústria, que sempre tenta atrasar ou impedir medidas de prevenção. Não por acaso, este ano, a OMS apresentou o tema “Desmascarando o apelo – combatendo a dependência de nicotina e tabaco” para marcar o Dia Mundial Sem Tabaco. Em outros setores, também percebemos as dificuldades semelhantes e a mesma assimetria política e econômica. Acredito que esse aprendizado contribua para o projeto de Prevenção 360º, especialmente nas discussões sobre transparência, sempre priorizando o direito à vida e o combate aos fatores de risco das doenças crônicas não transmissíveis como um todo.